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Justiça, Política

O crime compensou?

Júlio Camargo foi consultor da empreiteira Toyo Setal, integrante do cartel que funcionou junto à Petrobrás, pagando propina para ter contratos com a estatal do petróleo (ou para superfaturá-los). Ao fazer uma das primeiras delações premiadas, em 2014, contando o que sabia como lobista nessas transações, foi multado em 40 milhões de reais pelo juiz Sérgio Moro, da Operação Lava-Jato.

Para quitar a dívida vendeu, por nove milhões de reais, seu barco de 75 pés (dispensando os três marinheiros que o tripulavam), e, por R$ 6 milhões, seu jatinho, um Cessna Citation Excel.

Sem esses luxos, Camargo a morar numa casa no valorizado bairro do Morumbi, em São Paulo, e a frequentar os páreos do Jockey Club, na condição de interessado criador de cavalos, atividade bastante cara.

Seus amigos disseram à Folha de S. Paulo que o lobista vive agora de juros dos negócios que intermediou com a estatal. Não dizem, mas certamente sua maior fonte de renda foi o saldo de pelo menos R$ 266 milhões que teria recebido nas operações ilícitas, segundo as estimativas do grupo de investigação da Lava-Jato.

Ou seja: a multa correspondeu a uma sexta parte do que ele roubou.

Além desse saldo apurado, ao fazer a delação, Júlio Camargo conseguiu que sua condenação, a 14 anos de prisão, fosse comutada para cinco anos em regime aberto, sem tornozeleira eletrônica.

O que leva a conclusão de que o crime valeu a pena?

É preciso fazer uma rigorosa apuração desses acordos para tirar a má impressão – e a moral ruim que fica com gosto de guarda-chuva no paladar da sociedade brasileira.

Discussão

3 comentários sobre “O crime compensou?

  1. Bons costumes adquiridos na tradicional família brasileira.

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    Publicado por Luiz Mário | 1 de janeiro de 2017, 13:06
  2. Pela narrativa o crime compensou. Também se não compensasse não haveria deleção e muito menos “deleção premiada”. No final das contas, os bandidos que colaboraram precisam sair com unzinho para manter suas vidas tranquilas.

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    Publicado por Jose Silva | 1 de janeiro de 2017, 13:57
  3. Eita, mestre. Se os valores forem mesmos esses, os critérios de avaliação de matemática nos processos seletivos do judiciário brasileiro precisam ser revistos com certa urgência.

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    Publicado por Marlyson | 3 de janeiro de 2017, 07:35

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