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Polícia, Violência

A marca do crime organizado

A declaração não exime o governo do Amazonas de responsabilidade específica pela segunda mais sangrenta rebelião de detentos já ocorrida em penitenciária no Brasil. Foi a que começou no domingo e se prolongou por 17 horas, até ontem, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus. O resultado, talvez provisório: 56 mortos e um número ainda impreciso de fugitivos não recapturados.

No fogo do acontecimento, o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, disse que todos os Estados precisam se unir contra o crime organizado, que está vencendo a guerra com o poder público nas penitenciárias espalhadas por todo país.

Aparentemente, o que aconteceu no Compaj foi uma execução em massa de integrantes da maior organização criminosa, o PCC (Primeiro Comando da Capital, com sede em São Paulo), pela facção FDN (Família do Norte), que controla o tráfico de drogas em Manaus. A tese oficial é de que não foi um ataque planejado. A possibilidade do acerto de contas teria surgido quando os presos do regime semiaberto abriram uma porta na frágil muralha da penitenciaria, iniciando a execução.

A polícia recolheu quatro pistolas, uma espingarda calibre 12 e armas de fabricação caseira, evidência da falta de rigor na gestão do presidio e do vizinho Instituto Penal Antônio Trindade, do qual fugiram 87 presos. A rivalidade é tal, diante do mercado afluente, que nem a crise econômica abate, que a selvageria se traduziu na decapitação de seis presos, atirados sem a cabeça do alto da muralha, e o esquartejamento de um ex-policial, cujo corpo foi ainda queimado.

Executada a matança, a calma voltou ao presidio, até o próximo confronto, certamente mais bárbaro do que este último. Combustível não falta, a partir do detonador da guerra entre as quadrilhas do crime organizado e a condição das casas de detenção do Brasil. A de Manaus, com capacidade para 454 presos, estava com 1.224.

Discussão

3 comentários sobre “A marca do crime organizado

  1. Quem dera se a vitória do crime organizado sobre o poder público estivesse restrito somente as penitenciárias. Se fosse o caso, seria fácil resolver. O secretário, do alto da sua incompetência, não quer reconhecer a verdadeira magnitude do problema. Deve ser alguma estratégia que ele criou para poder dormir tranquilo a noite.

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    Publicado por José Silva | 3 de janeiro de 2017, 10:39
  2. O epicentro da rebelião sentido em Manaus, prevê reverberações em outros Estados.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 3 de janeiro de 2017, 10:48
  3. Sabotagem da coisa pública.

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    Publicado por Luiz Mário | 4 de janeiro de 2017, 08:56

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