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Economia, Minério

Exportação não é solução

O governo comemora o superávit de quase 48 bilhões de dólares na balança comercial em 2016, o maior saldo da série histórica, que teve início em 1989. O valor é mais do que o dobro do registrado em 2015, de menos de U$ 20 bilhões. O recorde anterior foi de US$ 46,5 bilhões, registrado em 2006, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

As exportações somaram US$ 185,2 bilhões e as importações, US$ 137,6 bilhões. No entanto, a corrente de comércio (soma de todas as exportações e importações no ano) foi a menor registrada desde 2010. Houve assim queda tanto das exportações como das importações. A expectativa do governo é de que ambas cresçam neste ano, retomando a curva favorável interrompida em 2010.

Mas há indicadores preocupantes. A queda nos valores (em média, com 6,2% a menos no preço) dos produtos aconteceu a despeito de o volume de exportações ter sido recorde, com 645 milhões de toneladas exportadas, com uma alta de 2,9% na quantidade de exportações. As importações caíram tanto em termos de preço quanto em quantidade, colaborando para o recorde do saldo, em função da crise econômica interna.

O Brasil continua perigosamente dependente da China, que compra 37% do que o Brasil exporta, sendo responsável por apenas 23,8% do que o país compra, um desajuste que só se mantém por ser conveniente para os chineses. Eles são os maiores compradores das principais commodities brasileiras.

Dos 12 principais produtos da pauta de exportações brasileira, oito são commodities primárias. Desses 12 produtos, apenas a soja experimentou crescimento no valor, e forte, de 10,4%. Todos os demais experimentaram queda, a maior sendo a do minério de ferro, de 7,2%, que é o principal produto de exportação do Pará.

O comércio exterior, portanto, ajudou, mas está longe de ser uma solução. A solução de verdade está na economia interna, ainda abalada.

Discussão

4 comentários sobre “Exportação não é solução

  1. Lúcio,

    Continuamos a ser um país exportador de commodities ao invés de vendermos produtos com alto valor agregado. Esta dependência de commodities é o que nos torna mais vulneráveis as crises internacionais. O mercado interno pode ser grande, mas em algum momento seremos inundados por produtos de outros países dada a falta de competitividade de nossa indústria.

    O que mais frusta é que poderíamos ser líderes em tecnologia, líderes em turismo, líderes em serviços financeiros, líderes em serviços médicos, mas nunca conseguimos passar das boas intenções.

    Creio que nos falta a liderança visionária, a disciplina, o método e a perseverança para dar o salto de qualidade educacional que os outros paises fizeram.

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    Publicado por Jose Silva | 3 de janeiro de 2017, 12:34
  2. Privatizar para exportar.

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    Publicado por Luiz Mário | 4 de janeiro de 2017, 09:18
    • Infelizmente no Brasil não há setor privado digno deste nome. O que chamamos de setor privado é apenas um braço do governo para distribuir grandes lucros e subsidios para alguns poucos. Como a China, somos um capitalismo de estado, só que com muito menos disciplina.

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      Publicado por José Silva | 4 de janeiro de 2017, 10:02
  3. O Estado brasileiro é apenas um biombo….

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    Publicado por Luiz Mário | 4 de janeiro de 2017, 10:06

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