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Polícia, Violência

Milícias em ação

Alexandre Augusto Barroso Rodrigues Júnior, de 19 anos, não vai retornar à colônia agrícola Heleno Fragoso, que integra o complexo penitenciário de Americano, em Santa Izabel. Ontem foi o último dia para ele cumprir o compromisso que lhe concedeu a saída temporária da prisão, como um dos beneficiários do indulto natalino de 2016. Não se sabe se, como vários outros, ele se evadiria. Não teve tempo para isso.

Às três e meia da tarde de ontem, ele foi morto com pelo menos oito tiros próximo à casa da sua família, no bairro do Marco, em Belém. Ele pressentiu o que o aguardava ao perceber que um carro prata se aproximava dele. Tentou fugir, mas já era tarde. O ocupante do assento de carona no automóvel baixou o vidro e começou a disparar.

Os oito tiros, provavelmente de pistola ponto 40, atingiram Alexandre nas costas, no peito, no rosto e no braço. Ele caiu morto. O matador nem precisou descer para executá-lo. Cumprido o ritual, fugiu. Há testemunhas, mas elas não irão falar. O carro prata é uma marca da milícia que está matando bandidos pela cidade, de par com um carro preto. Os alvos sempre são criminosos, como Alexandre, com várias passagens pela polícia, a última, em maio do ano passado, quando foi para a colônia agrícola, por porte ilegal de arma.

A ação constante dos dois carros de milícias mostra que ela age livremente. Ninguém foi identificado, muito menos ainda preso. Será porque os milicianos são policiais? A Secretaria de Segurança Pública devia dar a resposta. Mas há quanto tempo, enquanto ela permanece muda, enuqanto o crime – especialmente o organizado – avança? Com a palavra quem a palavra tem evitado: o governador do Estado, Simão Jatene.

Discussão

7 comentários sobre “Milícias em ação

  1. Esses crimes são de milícias atrás de bandidos (justiceiros) ou são criminosos pagos por grupos criminosos, provavelmente externos, interessados em dominar o crime organizado em uma determinada região da cidade? Afinal de contas, nesse mundo criminoso, a geografia determina o lucro.

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    Publicado por Jose Silva | 3 de janeiro de 2017, 11:36
  2. Quanto tempo até a liberdade desavergonhada de agir desses milicianos, justiceiros ou mercenários deixar de ter alvo apenas em outros bandidos, e mirar opositores políticos, econômicos, comerciais ou jornalistas incômodos de seus mandantes? Belém da barbárie, Jatene e Zenaldo nem se preocupam de se dirigir ou se explicar à população…

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    Publicado por Marlyson | 4 de janeiro de 2017, 05:06
  3. Será que situação está sugerindo duas hipóteses: primeira, eliminar concorrentes; segunda, o terror como mecanismo de controle?

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    Publicado por Luiz Mário | 4 de janeiro de 2017, 09:14

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