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Polícia, Violência

O Norte perigoso

O maior massacre ocorrido numa penitenciária brasileira foi o de 1992, na Casa de Detenção de São Paulo, mais conhecida por Carandiru. Estourada a rebelião, a Polícia Militar ingressou no presídio ara conter os presos. Ao final, 111 estavam mortos, 77 deles provavelmente executados pela PM.

Desde então, houve mais quatro rebeliões graves: em 2002, em Urso Branco, em Porto Velho, com a morte de 27 presos; em Benfica, no Rio de Janeiro, em 2004, com a morte de 30 presidiários; em Pedrinhas, no Maranhão, com 18 mortos; e, agora, em Manaus, com 56 mortos. Três das cinco rebeliões aconteceram na Amazônia Legal, com 101 mortos. Duas no Sudeste, com 141 mortos. Proporcionalmente, não só em número, mas em quantidade de mortos, o Norte apresenta um quadro de maior gravidade.

O massacre de ontem põe em evidência a maior organização criminosa da região: a FDN, a Família do Norte, que controla o tráfico de drogas na mais populosa cidade amazônica. Seu chefe, João Pinto Carioca, o “João Branco”, teve a glória de ser incluído na lista de procurados da Interpol, passando a ser caçado em 188 países e considerado como o procurado número 1. Em fevereiro deste ano ele foi preso pela Polícia Federal em Rondônia, enquanto tentava entrar no Brasil com documentos falsos.  Apesar de submetido a cirurgias plásticas que modificaram o seu rosto, ele foi identificado.

A polícia imaginou que a prisão de João Branco ia permitir a desarticulação completa da FDN, enfraquecida pela captura de outros dirigentes e a apreensão de grande quantidade de droga, que a descapitalizara. A rebelião no Compaj, no mínimo, levanta dúvidas sobre essa perspectiva. A FDN talvez seja mais ameaçada pela reação do poderoso PCC do que pela polícia local.

Discussão

4 comentários sobre “O Norte perigoso

  1. A rede do crime organizado é enorme na região, com ramificações em todos os países da Amazônia Continental. Antes fixada somente nas geardes capitais, a rede hoje ocupa grande parte dos municípios médio e continua se expandido, tudo turbinado pela crescente demanda por drogas ilícitas. Não é um sistema qualquer, mas muito bem organizado e capaz de influenciar poiticos e empresários. Se o país não fizer um esforço enorme para conter essa rede, em breve veremos atos de selvageria se tornando a norma, não somente nos presídios mas em qualquer lugar das nossas comunidades.

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    Publicado por José Silva | 3 de janeiro de 2017, 10:23
    • Incrível como nossos gestores ficam totalmente impassìveis. Nosso governador insiste na balela de que a violência é nacional e não cabe a ele resolver. Já o prefeito prefere dizer que os dados sobre violência no norte não são confiáveis.

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      Publicado por jonathan | 3 de janeiro de 2017, 22:23
      • Estão impassíveis porque a inteligência policial é basicamente nula. Nem dados eles possuem para enfrentar o problema. Evitar o problema é uma técnica comum dos políticos para que eles possam dormir a noite.

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        Publicado por José Silva | 4 de janeiro de 2017, 09:57
  2. A Arena romana para deleite dos imperadores e distração do povo.

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    Publicado por Luiz Mário | 4 de janeiro de 2017, 08:57

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