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Imprensa, Polícia

A história na chapa quente (36)

Rugem os leões

(Artigo publicado no Jornal Pessoal 250, de janeiro de 2001)

A opinião pública paraense tomou dois sustos na semana passada. O primeiro foi com um editorial de primeira página do Diário do Pará, abrindo uma campanha desencadeada nos demais veículos de comunicação do senador Jader Barbalho contra os aumentos de ônibus em Belém, em vias de aprovação pela prefeitura do PT.

O outro susto veio com outro editorial de primeira página, mas na capa de O Liberal, criticando e ironizando o projeto do governador Almir Gabriel de transferir a capital do Estado para Belo Monte.

A primeira surpresa derivava do apoio que o presidente nacional do PMDB vinha dando, inclusive na campanha eleitoral, implícita ou explicitamente, ao prefeito Edmilson Rodrigues. A mudança, segundo um porta-voz oficial do grupo, deve-se a que as empresas jornalísticas de Jader decidiram embarcar numa questão de grande apelo popular (a reação ao pretendido reajuste das tarifas) para conquistar mais público.

De fato, a posição assumida é muito simpática. No entanto, sua causa maior seria a inadimplência da prefeitura, que deve e não paga anúncios já veiculados pelo jornal e as emissoras de rádio e televisão do senador. Enquanto a conta cresceu, a tolerância da empresa acabou. A campanha prosseguirá até o débito ser quitado. Se for interrompida a partir de então, a relação de causa e efeito estará automaticamente estabelecida. Mas pode ser camuflada, com ou sem sofisticação.

O mote do grupo Liberal é outro: os Maioranas não engoliram a ausência do governador na solenidade de inauguração da TV a cabo, nem os recados malcriados que lhes foram endereçados a partir do episódio da pesquisa do Ibope. Segundo uma fonte da casa, “não adianta prestar 999 serviços, favores e gentilezas ao governador. Ele quer todos os mil. Se não é atendido nesse último pedido ou expectativa, se zanga e acusa o outro de ingrato”.

Naturalmente, Almir Gabriel não concorda com o diagnóstico (não por acaso, é médico e costuma tratar a si). Tanto não aceita que resolveu abrir um pouco as torneiras da publicidade oficial para o Diário do Pará do seu inimigo Jader Barbalho e A Província do Pará de Gengis Freire, um problemático interlocutor da administração estadual.

Ao que tudo indica, vai começar mais um cabo-de-guerra nos bastidores do poder no Pará.

Discussão

2 comentários sobre “A história na chapa quente (36)

  1. Almir era rabugento, truculento e cabeça dura. Não sei como ele se elegeu a tantos cargos políticos. Alguém tem uma explicação? De qualquer forma, ele fez escola. Por exemplo, o Ed tem as mesmas características. Ele ainda não está rabugento, mas veremos daqui a alguns anos.

    Segundo a torcida do outro lado da Almirante Barroso, o único leão que ruge em Belém é o do Antônio Baena. Se isso for verdade, os rugidos dos leões da imprensa na éoca do texto do LFP não passaram de miados de gatinhos mimosos pedindo mas leite as donos, tal como tem sido ao longo de toda a história recente do Pará.

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    Publicado por Jose Silva | 7 de janeiro de 2017, 11:19
  2. Viva a chapa e as redes sociais que podem ajudar a não se intimidar com o eco dos rugidos.

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    Publicado por Luiz Mário | 7 de janeiro de 2017, 18:38

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