//
você está lendo...
Polícia, Segurança pública, tráfico de drogas, Violência

A incompetência oficial

O secretário de Justiça e Cidadania e Justiça de Roraima, o responsável perante o governo local pelas penitenciárias do Estado, reagiu ao massacre de 33 presos na Penitenciária Agrícola do Monte Cristo, a maior unidade prisional, como quase todas as autoridades públicas com jurisdição sobre a questão, desde a rebelião seguida por massacre na penitenciária de Manaus: procurando diminuir gravidade do fato, negando sua dimensão mais ampla e que seja um capítulo da guerra entre facções do crime organizado no Brasil.

Oziel Castro afirmou que a ação em Roraima foi isolada, cometida contra presos comuns e sem motivo discernível. “Foi uma brutalidade desmedida sem justificativa e fundamentos”, ressaltou.

No entanto, o Primeiro Comando da Capital divulgou uma nota pela internet, na qual anunciou: “Diante dos fatos que aconteceram no dia 01, em Manaus, o Alto Conselho do Primeiro Comando da Capital para região Norte vem a público mostrar a sua indignação e revolta diante da barbárie contra nossos 28 irmãos. Nossos parceiros em outros países estão se mobilizando para dar uma resposta à altura”.

Com maior rapidez e mais segurança do que as autoridades, o PCC, de São Paulo, identificou os 28 “irmãos” massacrados pelos integrantes da Família do Norte, extensão no Amazonas do seu principal inimigo, o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro. Negou, portanto, que todos os 60 mortos fossem da sua “irmandade”, mas os 28 constituem número tão expressivo que podem permitir que os demais 32 executados sejam debitados à conta da selvageria, da qual participaram todos os detentos. Quem ficou de fora foi morto em função desse pecado mortal, aos olhos dos assassinos.

Quando o secretário de Roraima exclui seis dos 33 presos mortos ontem no seu Estado e considera esse argumento suficiente para desmentir o crime continuado nas duas penitenciárias, tenta esconder o sol com a peneira. É uma tentativa vã, mas está sendo repetida por quase todos os representantes do governo. Sinal de que não perceberam o quanto a situação é grave. Ao mesmo tempo, se apresentam ao público como incapazes de resolver o dramático problema, que assusta a população brasileira indefesa – e mal representada.

Discussão

4 comentários sobre “A incompetência oficial

  1. Uma transição está em marcha, cobrando medidas dos organismos de segurança pública, no entanto os métodos de inteligência estão obsoletos. Pois, sistemas de pronta-resposta à calamidade pública que está exteriorizando-se de dentro das penitenciárias para as ruas das cidades, já não respondem a rede sofisticada do submundo do crime, que aliciam Juízes e Desembargadores.

    Curtir

    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 7 de janeiro de 2017, 20:38
  2. Como é possível que os governantes não possuam informações precisas sobre pessoas PRESAS, ENCARCERADAS, sob suas responsabilidades, em espaços bem definidos, mínimos?

    Curtir

    Publicado por Luiz Mário | 7 de janeiro de 2017, 22:09
  3. Com economias limitadas e milhares de outras prioridades, presídios, etc, são a última prioridade na agenda desses governadores. Soma-se a isso a pesada, cara, lenta e ruim burocracia de Brasília. Como pode um ministro levar um mês para responder um pedido emergencial de um governador? Essa é a maior prova de que esse ministro precisa voltar imediatamente para o seu mundinho paulistano. O Brasil é muito grande para ele.

    Curtir

    Publicado por José Silva | 7 de janeiro de 2017, 22:28
  4. “últimas prioridades”?

    Curtir

    Publicado por Luiz Mário | 9 de janeiro de 2017, 08:30

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: