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Imprensa, Política

A história na chapa quente (38)

Liberal x Governo:

por ora, guerrilha

(Artigo publicado no Jornal Pessoal 251, de janeiro de 2001)

Ainda não foi desta vez que houve o rompimento entre o grupo Liberal e o governo do Estado. Mas nunca as relações entre as duas partes, aliados incondicionais até recentemente, estiveram tão frias como agora. A tensão vinha crescendo desde a divulgação da pesquisa do Ibope na véspera do 2º turno da disputa para prefeito de Belém e se agravou quando O Liberal publicou um cáustico editorial de primeira página, no dia 30 de dezembro. Nele, condenava o “palpite infeliz” do governador Almir Gabriel, de transferir a capital para Belo Monte, no Xingu.

A decisão de reagir ao projeto do governador já estava tomada e o editorial encomendado, no dia 28, quando aconteceu um incidente comercial que azedaria ainda mais o ambiente. O jornal pretendia receber um caderno de quatro páginas de publicidade estadual para a edição especial de fim-de-ano, tratando de fazer chegar a mensagem ao gabinete do governador. Mas de lá saiu a orientação: O Liberal iria receber a mesma cota programada para os outros dois diários. Ou seja: uma página de anúncio oficial.

Romulo Maiorana Júnior, que toma as decisões no jornal (embora seu nome continue de fora do expediente), ameaçou retaliar. A ameaça não gerou efeito algum. O editorial, que já estava pronto, mas pendente de decisão, foi mesmo para a primeira página, algo raro na publicação. Não levou, porém, a assinatura de Rominho, ao contrário do que ele costuma fazer em momentos que julga épicos, digamos assim.

Ranger de dentes e fungadas de indignação na granja do Icuí, mas o silêncio persistiu. Rominho decidiu, então, não publicar no domingo a página de publicidade do Estado.

Na segunda-feira pensou duas vezes. Mesmo sem autorização explícita, acabou determinando a inserção, feita na edição de quarta-feira. Formalmente, contrariou o que constava da autorização do anúncio, programado para a edição dominical e não de quarta-feira.

Segundo informações do gabinete, oficialmente lá consta que o anúncio não foi publicado. A empresa – ou a agência que tem a conta da publicidade oficial, a Griffo – teria que comunicar a mudança e solicitar nova autorização. O que ainda não teria sido feito até o início desta semana.

Almir Gabriel não gostou nem um pouco desse enredo, mas preferiu, ao menos por enquanto, não avançar para um confronto aberto. O grupo Liberal continuou a receber todos os anúncios programados para veiculação, mas, desde o episódio, está nivelado aos outros jornais diários, que têm uma tiragem muito menor.

Na prática, essa diretriz significou que tanto o Diário do Pará, que pertence a um adversário político, o senador Jader Barbalho, quanto A Província do Pará, o jornal de menor circulação, tiveram sua cotação elevada. Já O Liberal, que tinha tratamento especial, em função do seu maior peso comercial e por ser um parceiro político da administração estadual, vai faturar relativamente menos, já que tem despesas operacionais mais elevadas e – além disso – pretensões muito maiores.

A coexistência pacífica entre o governo tucano e o Sistema Romulo Maiorana será cada vez mais tácita e tática. Nenhum dos dois lados é suficientemente forte para encarar uma guerra declarada, nem fraco o bastante para ser ignorado. Travarão uma guerra de guerrilha até surgir uma boa ocasião de ataque. Ou renegociarão o pacto, em termos que conhecem muito bem.

Discussão

3 comentários sobre “A história na chapa quente (38)

  1. O resultado? Renegociaram o pacto, que vinga até hoje…

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    Publicado por José Silva | 9 de janeiro de 2017, 20:18

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