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Cultura, Política

O futebol do governo

Há oito anos, o governo patrocina o futebol paraense. O valor deste ano é de seis milhões de reais, em contrato a ser assinado no dia 20. Metade desse total é verba a fundo perdido, a título de patrocínio pelo Banco do Estado do Pará (que será remunerado, pelos R$ 3.4 milhões que aplicará, com a designação da competição).

A outra metade é por direitos de transmissão dos jogos pela TV Cultura, 80% para os clubes e 20% para premiar os melhores jogadores do campeonato. O “Parazão Banpará 2017” terá a participação de 10 times, com a duração de 100 dias.

O governo acredita que o futebol “é um motivo de união entre os paraenses e mais uma vez a gente garante a transmissão através da TV, rádio e portal Cultura, ampliando cada vez mais a transmissão pela internet, para que torcedores dos clubes paraenses possam assistir em qualquer lugar do mundo. Para nós, obviamente, é motivo de orgulho reforçar essa parceria com a Federação Paraense de Futebol e os clubes envolvidos no campeonato”, justificou a presidente da Funtelpa, fundação responsável pela TV Cultura, Adelaide Oliveira.

José Megale, chefe da Casa Civil, garante que esse apoio “só é possível por um esforço muito grande da atual gestão, que tem zelado pelo rigor nas contas públicas para que a população não seja penalizada com o comprometimento de ações, programas, serviços e eventos que são importantes”.

O ex-deputado está convencido que o campeonato paraense, “nos moldes que está sendo realizado hoje, com a integração que promove entre as diversas regiões do Estado, só é possível graças a esse apoio”.

Tudo bem, tudo certo. Mas o governo se diz sem recursos para cumprir certos compromissos, até mesmo determinações legais, apesar do seu zelo e rigor nas contas públicas. Por outro lado, não faz qualquer exigência como contrapartida dos clubes e da federação de futebol ao dinheiro investido.

Como, por exemplo, respeitar os direitos trabalhistas, ter exação na aplicação dos recursos, aprimorar a qualidade dos jogadores e do esporte que praticam, prestar contas do dinheiro e da própria gestão e mais itens não considerados e que talvez ajudem a explicar a razão de, mesmo com apoio público, o futebol paraense estar em contínuo declínio.

Discussão

16 comentários sobre “O futebol do governo

  1. Isso porque o futebol ainda tem uma resposta garantida de público e produz outras possibilidades de lucro para os investidores. A arte e a cultura no estado, ao contrário, foram jogadas para escanteio (com o perdão da metáfora ruim). Ou respiram com ajuda de aparelhos nos eventos mais elitistas da cidade, ou estão tentando ser ressuscitadas, com cada vez mais dificuldade, por grupos e pessoas independentes que ainda acreditam ser importante existir um circuito artístico de qualidade na região.
    É admirável como órgãos´públicos como a Secult e a Funtelpa se tornaram verdadeiras empresas de atendimento personalizado aos amigos e ídolos, nunca à população e aos artistas independentes.
    Abraços.

    Paloma

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    Publicado por Paloma Franca Amorim | 10 de janeiro de 2017, 16:22
  2. Voçe está correto na sua analise principalmente sobre o declínio do futebol Paraense. Mas em uma analise fria, a grande exceção é o Paysandu, que se distancia cada vez mais do demais, não dependendo mais de recursos do Banpará por exemplo, o que inclusive foi o valor que seria destinado para o Paysandu que foi realocado para poder compor os pagamentos de passagens hospedagem etc.O caminho do Paysandu é bem diferente dos outros pois está verdadeiramente implantando uma mentalidade profissional. Abraços.

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    Publicado por Alex Bouth | 10 de janeiro de 2017, 17:32
    • É verdade. O Paissandu é patrocinado pela Caixa.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 10 de janeiro de 2017, 18:21
      • Não acho que o futebol paraenss aesteja em decadência. Há poucos anos atrás já esteve pior. O Paysandu se mantém na série B (com possibilidades de voltar pra A) e está estruturado. O Remo, apesar de ainda estar muito longe de ser um clube minimamente estruturado, saiu do limbo do futebol e ganhou umas posições no ranking.

        Quanto ao campeonato estadual, ele de fato é deficitário, mas isso ocorre porque muitos clubes dependem quase que exclusivamente do dinheiro da Funtelpa e do Banpará. Falta gestões que busquem alternativa para ele. Mas isso é um problema que não a e restringe ao Pará.

        Uma boa alternativa seria o Esporte Interativo transmitir o nosso estadual, como já ocorre em Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte. Transmissão nacional. Infelizmente, nossa federação é conservadora e amadora demais.

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        Publicado por Jonathan | 10 de janeiro de 2017, 21:33
      • Lucio,

        O negócio é bom para a TV Cultura. Sem o futebol, a emissora continuaria com traço na audiência. . Infelizmente, o paraense não se interessa pela cultura local, nacional ou global, que são as prioridades da TV Cultura. Quem sabe se com uma cenoura, o futebol, e alguma propaganda a TV Cultura não ganha mais audiência.

        Sobre o futebol, há uma diferença enorme entre o PSC e o resto, incluindo aquele que fica do outro lado da Almirante Barroso, em termos de profissionalismo e comprometimento para com o clube. Isso levará anos para corrigir. De qualquer modo, é muito bom Belém ter um clube de verdade mostrando como se faz. Sinto pena da Tuna. Com o patrimônio que tem a Tuna deveria ser uma potência olímpica, o Pinheiros de Belém, mas a visão limitada dos dirigentes de lá faz com que nada prospere naquele terreno enorme e bem localizado.

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        Publicado por José Silva | 10 de janeiro de 2017, 22:03
      • Não discordo dessa ponto de vista. O que propus é que houvesse uma relação reciproca. Talvez com um contrato de gestão, acoplado ao contrato comercial da Funtelpa e do Banpará com os 10 clubes (o Paissandu ficou de fora por já ter patrocínio, qaue, por ser melhor, com a Caixa, dispensa o estadual), um contrato de gestão para que o dinheiro público tenha melhor aproveitamento e sirva realmente de indutor de práticas administrativas e controles que praticamente inexistem atualmente.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de janeiro de 2017, 08:45
      • José,

        Há quase 10 anos a cultura transmite o futebol local e as pessoas continuam se interessando por ela somente no período que corresponde ao campeonato estadual. Acho que a estratégia não vem dando certo.

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        Publicado por Jonathan | 10 de janeiro de 2017, 22:11
      • Uma alternativa seria ela falar do futebol local em um programa com extensão maior que o do Globo Esporte, por exemplo – que só tem uns 10 min.

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        Publicado por Jonathan | 10 de janeiro de 2017, 22:14
      • Pois é…mas é a única audiência de fato que ela gera. Imagine sem futebol…

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        Publicado por José Silva | 10 de janeiro de 2017, 23:04
  3. É sempre assim, generalizam colocando o Paysandu no mesmo angu do atraso! O Paysandu, mesmo que seja campeão não receberá nada de premiação.

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    Publicado por António Carlos de Andrade monteiro | 10 de janeiro de 2017, 18:29
  4. O que mais espanta, Lúcio, é a incompetência com que tudo é feito. Dá-se o dinheiro e pronto. A Tv transmite os jogos, inclusive os realizados em Belém e os clubes não dizem nada. De fato, o futebol, incrivelmente amado pelos paraenses, apesar da total falta de organização e amadorismo de todos. Uma iniciativa do Governo, seria no sentido de unir o Estado inteiro. O futebol gera dinheiro, impostos, empregos. Fora Paysandu e o Remo (por enquanto, infelizmente), não há futebol profissional por aqui. Precisamos de estádios pequenos mas confortáveis em cidades polo. Precisamos de investimento em Turismo. Profissionais de futebol. Gramados bem feitos. Regulamentos corretos. Talvez contratar jogadores famosos para atuar em equipes do interior e chamar público. Trabalho nas categorias de base. Campeonato de jovens, nas preliminares do principal. Passar em Belém jogos no interior em outro horário que não o do jogo na cidade. Enfim, há que haver estrutura para fazer disso um bom negócio. Uma vez concretizado, o Estado sai e vai em busca de outro mercado para criar na área do Esporte. Mas para isso é preciso competência, honestidade, estudo, empreendedorismo, artigos em falta por aqui. Da maneira que é dado todo esse dinheiro aos clubes, sem retorno, qualquer um de nós, jornalistas, escritores, atores, músicos, tem o direito de exigir, também, do Governo, dinheirinho..

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    Publicado por Edyr Augusto | 11 de janeiro de 2017, 11:59
  5. Assim como na Cultura, Flávio.

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    Publicado por Edyr Augusto | 11 de janeiro de 2017, 14:22
  6. Boa Tarde Senhores(as) me corrijam se eu estiver errado R$ 1.000.000.000 e o orçamento para o modelo atual do campeonato paraense ;teremos no campeonato 1 time de Cametá, 1 time de marabá ,1 time de Paragominas 2 times de Santarém e o restante da região metropolitana de Belém
    ,Vamos fazer contas no formato atual de 2 chaves com 5 clubes cada time faz o jogo de ida e volta correto logo
    todos os times faram duas viagens ida e volta a santarém e os times de santarém 4 correto seguem os calculos abaixo:
    preço da passagem ida e volta para santarém R$ 550 X 16 idas e voltas santarém X 2 TURNOS X 25 atletas +comissão técnica =5500*16*2*25 = R$ 440.000,00 Só com viagens correto , Sé forem acrescido hospedagem de 1 dia e translado esse valor bate brincando na casa de R$ 500.000,00
    acrescentando agora as viagens para tucurui marabá cametá só com transportes diárias este valor bate as cifras de R$ 800.000,00 + R$ 200.000 com publicidade chegamos a casa de R$1.000.000.000

    QUAL A EMPRESA PRIVADA TEM ESSE MONTANTE PARA INVESTIR EM 3 MESES DE CAMPEONATO?
    1)SERÁ QUE A RBA TERIA ESSE DINHEIRO?
    R: seria barato para essa emissora se quiser fazer trampolim para 2018 investir no filho prodigo em uma campanha para o governo DO ESTADO EM 2018,

    2) SERÁ QUE A LIBERAL TERIA ESSE DINHEIRO?
    R: afiliada da globo nossos jogos dão mais ibope do que o campeonato do rio e o paulista com exceção de um ou outro clássico Fla flu e corintians e São paulo desde que não coincida com um RE PA

    NÃO SOU FORMADO EM ECONOMIA MAIS SE GANHASSE 3.000.000 NA MEGA SENA FARIA ESTE CAMPEONATO E TERIA UM LUCRO DE 2.000.000.000 FACIL FACIL isso e uma mina de dinheiro pena que as pessoas não sabem explorar , tenho certeza que nosso campeonato seria o 4 melhor do brasil , temos um MARKETING que os outros não tem o RE PA …….. AMOR ………… Paixão só sego não vê ou tem outros interesses envolvidos,.

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    Publicado por Pa | 11 de janeiro de 2017, 17:51
    • Você tem toda razão. Esse é um filão rico que é dilapidado por uma exploração predatória e pela viciada relação de dependência e compadrio entre cartolas e governo, que devia atuar como indutor e apoiador institucional de iniciativas empresariais ou de fomento ao esporte como atividade cultural, em sentido mais amplo do que o simplesmente esportivo.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de janeiro de 2017, 18:19
    • PA, a emissora Esporte Interativo tem esse dinheiro. Ela transmite os campeonatos potiguar, alagoano e cearense e até fez proposta pelo Paraense ano passado, que foi recusada. O campeonato seria transmitido nacionalmente. Acredito que daria mais visibilidade para os clubes, não?

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      Publicado por Jonathan | 11 de janeiro de 2017, 18:54

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