//
você está lendo...
Cidades, Saúde

Febre amarela ronda cidades

Depois da zika, da dengue e do chikungunya, o Brasil pode enfrentar um novo surto, ainda mais grave do que as três doenças juntas: a volta da febre amarela às cidades do país. Por enquanto, os surtos são isolados e apenas da versão silvestre.

O epidemiologista Eduardo Massad, da Universidade de São Paulo, adverte, porém: “Já esperávamos um surto maior da febre amarela silvestre, mas devemos nos preocupar, sim. Estamos sentados em uma bomba-relógio”, declarou ele à BBC Brasil.

“Precisamos entender o risco de reintrodução de febre amarela urbana, o que seria uma enorme tragédia – porque ela mata quase 50% das pessoas que não são tratadas.”

A febre amarela é considerada endêmica nas regiões rurais e de mata do Brasil, onde é transmitida por mosquitos de espécies diferentes para macacos e, ocasionalmente, para humanos não vacinados.

Mas desde 1942 não há registro de casos em áreas urbanas (onde o vetor é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo das outras três doenças). O último surto da febre amarela silvestre foi entre 2008 e 2009, quando 51 ocorrências foram confirmadas.

Lembra a matéria da BBC que, em sua fase inicial, que dura de três a cinco dias, a febre amarela causa calafrios, febre, dores de cabeça e no corpo, cansaço, perda de apetite, náuseas e vômitos. Em sua fase mais grave, a doença provoca hemorragias e insuficiência nos rins e no fígado, o que pode levar à morte.

Atualmente, 15 municípios de Minas Gerais estão em situação de alerta para a febre amarela. Também estão sendo monitoradas cidades onde ainda não houve casos em humanos, mas que registraram mortes de macacos possivelmente causadas pela doença. É entre dezembro e maio, o período de maior probabilidade de transmissão da doença.

A bióloga Marcia Chame, coordenadora da Plataforma Institucional de Biodiversidade e Saúde Silvestre na Fiocruz Rio, diz que as autoridades de saúde no Brasil já haviam percebido que os surtos extravasam o ambiente das florestas aproximadamente a cada sete anos e atingem mais seres humanos no interior do país.

“Este surto maior é cíclico e, por isso, já há atenção sobre isso. Isso tem relação com todas as atividades humanas que invadem a floresta. E no Brasil também temos um processo importante de perda de ambientes naturais”, disse à BBC Brasil.

Segundo ela, o aumento das mortes de macacos – principais hospedeiros do vírus no ciclo de transmissão silvestre – é o principal indicativo de que o surto pode estar se aproximando das populações humanas.

Na Fiocruz, a equipe liderada por Chame tenta entender o que causa esses surtos de maior proporção na tentativa de evitar, também, que o vírus volte às cidades.

O receio da pesquisadora é que, com a diminuição das áreas florestais, animais que foram infectados frequentem cada vez mais os centros urbanos em busca de alimento e abrigo. Nas cidades, também poderiam ser picados pelo Aedes aegypti, que nelas é abundante.

Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda que todas as pessoas que moram ou têm viagem planejada para áreas silvestres, rurais ou de mata verifiquem se estão vacinadas contra a febre amarela. Em geral, a vacina passa a fazer efeito após um período de dez dias.

“Ainda é um desafio entender como a febre amarela não voltou para os centros urbanos, já que temos um grande número de pessoas que vão a áreas endêmicas para turismo ou a trabalho e voltam para cidades infestadas de Aedes aegypti“, disse Eduardo Massad.

O médico e pesquisador Carlos Brito, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), concorda. “Dizemos que a febre amarela só não voltou ainda às cidades porque Deus é brasileiro. É uma preocupação real.”

“Hoje os deslocamentos de pessoas pelo país são muito mais rápidos. Por isso, estes vírus se disseminam com mais facilidade. O fato de a febre amarela ainda não ter se disseminado no país todo é um alento, que dá expectativa de que não aconteça o mesmo que ocorreu com zika e chikungunya nos últimos dois anos”, afirmou Brito à BBC.

“Mas uma coisa é fato: se em 30 anos de dengue batemos recordes de números de casos em 2015 e em 2016, não é porque a população brasileira cresceu. Isso mostra que perdemos o controle do mosquito”, ele advertiu.

Discussão

Um comentário sobre “Febre amarela ronda cidades

  1. Um acessório adicional adotado pelas equipes de controle de endemias em alguns centros urbanos no monitoramento das residências para detectar possíveis focos do vetor transmissor, é o drone. Com o equipamento, acessam a baixa altitude, os imóveis verificando o estado de manutenção de caixas d’água e as condições dos terrenos quanto a possibilidade de presença das condições para proliferação do foco dos mosquitos.

    Uma medida de vanguarda, diante do risco de novas epidemias, agora mais severa, com os casos de febre amarela em áreas urbanas.

    Curtir

    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 11 de janeiro de 2017, 19:50

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: