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Cultura

Um carnaval melhor

O carnaval das escolas de samba de Belém está ameaçado pela falta de patrocínio da prefeitura? Então viva o carnaval. Talvez ele se liberte das suas amarras, dê cinco passos atrás e caminhe 20 passos em seguida, segundo prevê o presidente da Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial, Fabrício Gama. No ano passado elas receberam 3,5 milhões de reais. Neste ano, nada. A verba oficial será de um milhão de reais (ou R$ 500 mil), a  ser aplicada em outras manifestações carnavalescas.

Desconfia-se que outro fator, além da crise econômica, que deixou à míngua  as saqueadas administrações públicas, seja política. O ano eleitoral foi o de 2016. Reeleito, o prefeito se desinteressou pelo marketing e a promoção. Pode ser. Nem por isso o verdadeiro folião deve se lastimar.

O patrocínio do carnaval sempre foi moeda de troca entre a prefeitura e alguns cabos eleitorais, que também atendem como carnavalescos. A relação não tinha qualquer controle social. Nem contribuía para a melhoria da festa. Muito menos para fortalecer as agremiações. Tornou-se um esquema viciado e empobrecedor, contaminado pela pior forma de fazer política, através do fisiologismo e compadrio.

O melhor carnaval paraense foi brincado nas ruas, com grupos ou indivíduos que lhe davam cor e cultura, como o famoso Doutor Passa o Pau, um Buster Keaton no meio de serpentinas e confetes. As escolas podem aproveitar a recusa de Zenaldo Coutinho a repetir a ajuda de todos os anos voltando às origens, fazendo arrastões, comandando blocos espontâneos que se formam pelas ruas. Reivindicando a volta da verba da verba, mas distribuída de forma criteriosa. Apenas como fomento e suporte para o patrocínio da iniciativa privada e de financiamento pelas próprias escolas, num padrão empresarial.

O carnaval, como toda manifestação cultural do povo, não tem que andar de mãos dadas com os governos, que costumam ser ruins da cabeça ou doentes do pé.

 

Discussão

11 comentários sobre “Um carnaval melhor

  1. Antes era só no Carnaval que a gente via um bloco chamado “Bandalheira”. Enciumado, o poder público estabeleceu que bandalheira lhe pertencia, de forma exclusiva. Desde então transfiormaram a bandalheira foliã em bandalheira oficial, aquela que a gente vê todos os dias, sempre patrocinada pelos pobres contribuintes da cidade. Acho que está na época de resgatar a bandalheira foliã, até como uma forma de reação contra o poder público. Edyr Augusto, como você era um membro nato do Bandalheira, cabe você liderar a revolução para ressucitar o carnaval de Belém.

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    Publicado por Jose Silva | 14 de janeiro de 2017, 19:32
  2. Não vou generalizar,mas tem diretoria de blocos e escolas que depende única e exclusivamente do espaço politico do carnaval e do dinheiro público para sobreviver. O folião tá fora disso e sempre curtirá o carnaval.

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    Publicado por Arminio Cunha | 14 de janeiro de 2017, 20:03
  3. Os blocos independentes são aqueles que de fato promovem uma cultura carnavalesca independebte, isso não significa que um dinheiro na mão seja ruim…
    Adoro o samba e descobri boas histórias como a do Cartola que foi julgado como um péssimo compositor em vários carnavais porque fazia sambas boleroes, os samba canções, que não faziam parte do que se esperava do novo carnaval mais midatico e comercial… Recusou-se a produzir materiais mais vendáveis e por causa disso se fez um dos mais lúcidos compositores do Rio de Janeiro. A Mangueira agradece, o Itaú Cultural também… Mas a família continuou na pobreza…

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    Publicado por Paloma Franca Amorim | 14 de janeiro de 2017, 21:42
    • O Cartola, se não me falha a memória, foi contínuo do Diário Carioca, do Macedo Soares. Como sua mulher, a Zica, cozinhava muito bem, abriram o Zicartola, de boa comida e maravilhoso samba, na rua da Carioca, no Rio. Ele foi da estirpe de Pixinguinha, Nelson Cavaquinho, Ismael Silva e mais uns poucos. Superior a todos, ao meu ver.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 14 de janeiro de 2017, 22:43
      • Sim, também acho que ele é o maior de todos.
        Depois fecharam o Zicartola e ele comentou que não sabia ser empresário, só sambista.uma boa lição.

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        Publicado por Paloma Franca Amorim | 15 de janeiro de 2017, 14:27
  4. Com raríssimas exceções a gente não vê nenhuma mobilização das escolas durante o ano com o intuito de gerar receita para que as mesmas possam ir pra rua. Exemplo disso é o Quem São Eles que tem uma sede localizada no Umarizal, na Wandenkolk, área nobre, porém subaproveitada. Pela localização privilegiada poderia ser utilizada durante o ano com a realização de shows, eventos, formaturas,pra gerar divisas, mas não ocorre isso. Agora faltando menos de um mês pra folia os dirigentes aparecem com o pires na mão querendo dinheiro público pra fazer um carnaval medíocre.

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    Publicado por Hiran Martins | 15 de janeiro de 2017, 00:08
  5. Esse Fabrício Gama é aquele?

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    Publicado por Vicinius Souza | 15 de janeiro de 2017, 19:55
  6. Peço licença ao Lucio para responder ao José: Difícil, hoje, o bandalheira folião. A concorrência é muito forte.

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    Publicado por Edyr Augusto | 16 de janeiro de 2017, 15:32

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