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Justiça, Política

E a Lava-Jato?

O ano promete ser de bruxa solta e ainda mais dificuldades para um país já repleto de problemas. A morte do ministro Teori Zavascki, além da perda que representa para parentes, amigos e pessoas diretamente relacionadas com ele, é um tremendo ônus para o maior processo judicial sobre corrupção da história do Brasil e dos mais importantes do mundo, resultante da Operação Lava-Jato.

Zavascki, como relator da ação no Supremo Tribunal Federal, não só acumulara um saldo positivo do seu trabalho como ganhou credibilidade junto à população. Vinha tendo um desempenho ágil e seguro na instrução processual e nas manifestações fora dos autos.

Mesmo saindo de férias, como estava agora, ao se dirigir de São Paulo para Paraty, no Rio de Janeiro, deixou sua equipe trabalhando em Brasília. A principal meta era divulgar o mais rapidamente possível a íntegra das delações premiadas. Ele estava empenhado em preparar o processo para chegar à corte e ser decidido em tempo recorde para o tamanho da causa e os padrões do STF.

Por isso as especulações imediatas sobre uma eventual sabotagem no avião bimotor, de pequeno porte, que caiu quando o piloto já tinha contato visual com a pista na qual aterrissaria. À primeira vista, diante da circunstância do tempo ruim e do final de percurso, essa hipótese parece pouco provável.

Evidentemente, será analisada até descartar a boataria e confirmar a primeira impressão, de que não o acidente não se deveu a sabotagem, mas, talvez, a um excesso de confiança, como a que tiveram o deputado federal Ulysses Guimarães e o senador Severo Gomes. Eles se aventuraram num helicóptero e,m tempo não recomendável para não perder tempo nem compromisso. Perderam as vidas. Seus corpos nunca foram localizados.

Menos de um ano atrás, o empresário Roger Agnelli também decolou do Campo de Marte, em São Paulo, de onde saiu o teco-teco em que viajava o ministro do STF. Pilotava seu próprio avião, um aparelho experimental, que ele próprio terminara de montar sobre uma estrutura primária.

O avião caiu pouco depois da decolagem, matando Agnelli, a mulher seus dois dois filhos, além e mais dois passageiros. Ele fora presidente da mineradora Vale até 2011, depois de 10 anos como presidente da empresa. Também falou-se em sabotagem, o que a perícia não confirmou.

Encerrada a vida de Teori Zavascki, a questão agora é saber quem vai substituí-lo e de quanto tempo precisará para se atualizar num processo com dezenas de milhares de páginas. O substituto será escolhido por sorteio. Será também a oportunidade para o presidente Michel Temer nomear o primeiro ministro do STF, ocupando 10% do seu colegiado.

Discussão

8 comentários sobre “E a Lava-Jato?

  1. O Estado dentro do Estado, agindo? Unindo os pontos de coincidências entre gigantescos eventos escandalosos, envolvendo a corrupta elite, levaria a algum lugar?

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    Publicado por Luiz Mário | 19 de janeiro de 2017, 18:11
  2. Uma perda imensa. Penso que nenhuma hipótese pode ser desconsiderada na investigação desse acidente.

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    Publicado por Marilene Pantoja | 19 de janeiro de 2017, 18:30
  3. Não sou muito chegado a teorias conspiratórias, mas desta vez a coincidência é demais. Nem o Ulisses e nem o Agnelli estavam julgando de forma acelerada uma dos mais corruptos grupos que já existou no país. Desta forma, concordo com a Marilene..nenhuma hipótese pode ser desconsiderada…

    Curtido por 1 pessoa

    Publicado por Jose Silva | 19 de janeiro de 2017, 18:40
  4. O lugar para os quais os pontos certamente convergem é a manutenção do status quo. Quem seria, então, o interessado?

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    Publicado por Luiz Mário | 20 de janeiro de 2017, 11:07
  5. Já voei muito aqui no estado naquele tipo de avião e em nenhuma oportunidade havia só um piloto, Sempre piloto e co-piloto, No meio de tempestade e só um pilotando ………. Seria economia para o rico proprietário da aeronave? O dono era sócio de uma importante rede hoteleira.

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    Publicado por Helio Franco de Macedo Jr | 20 de janeiro de 2017, 12:11
    • O King Air é um excelente avião. Voei muito numa versão mais antiga dele. Essa, de 2007, é digitalizada, o que pode atrapalhar pilotos sem o devido treinamento ou carentes de experiência com esse tipo de modelo. Algumas observações podem ser feitas com base nas informações disponíveis:
      1) Era muito mais seguro, como observa o Hélio, ter dois pilotos. Devem ter colocado só um por se tratar de voo curto, de ,meia hora.
      2) O mau tempo recomendava não fazer o voo, ou, fazendo-o, não arriscar o pouso com teto tão baixo e chuva forte.
      3) Talvez o piloto tenha feito alguma manobra errada ou sido surpreendido por algum pé de vento.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 20 de janeiro de 2017, 12:21
      • Segundo depoimentos de pescadores locais o avião foi caindo, soltou fumaça e depois se chocou contra o mar. Em resumo: há possibilidade de que o avião sofreu algum tipo pane antes de cair….As teorias conspiratórias nesse caso não parecem ser tão impossíveis assim..

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        Publicado por Jose Silva | 20 de janeiro de 2017, 16:00
      • A teoria conspiratória sempre deve ser considerado como uma hipótese. A investigação tem que considerar todas as hipóteses. Mas ainda considero, como leigo, mas um usuário de voos como esse do ministro, que houve uma combinação de fatores adversos, negligência e interferência. O pouso em Paraty devia ter sido abortado quando o piloto arremeteu na primeira aproximação devido ao meu tempo, que eliminou a viabilidade horizontal num pouso sem qualquer orientação de terra. Presumo que o dono do avião deve ter mandado o piloto tentar de novo. Aí houve a falta do co-piloto. Nunca voei num King-Air sem co-piloto.
        Como era viagem curta, de meia hora, negligenciaram. Em situação normal, um só piloto dava conta, ainda mais sendo tão experiente. Numa circunstância especial, a ajuda do co-piloto seria essencial para o controle do vasto painel do aparelho e do ambiente externo. Nesse caso, a falha pode ser unduzida pelas circunstâncias.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 21 de janeiro de 2017, 09:43

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