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Cidades, Transporte

Um perigo: o ônibus

De volta do trabalho para sua casa, Machado pega dois ônibus. Um do Telégrafo para a Sacramenta e daí para o Paar. Até ontem pagava duas passagens de R$ 2,70. Total: R$ 5,40. Ontem começou a pagar duas de R$ 3,10. Total: R$ 6,20. Ou 80 centavos a mais. Eram R$ 130 ao mês (arredondando). Passaram para R$ 150. Trintão a menos no bolso.

Na semana passada, ao pegar o ônibus da Sacramenta para o Paar, seu passe de idoso não foi aceito pela máquina. É que ele reembarcara com menos de 15 minutos de intervalo da viagem anterior. Quando isso acontece, não há a liberação do passe.

Machado ia esperar para tentar de novo. O motorista o orientou então a descer e subir de novo pela porta traseira. Machado obedeceu. No meio do caminho o motorista arrancou e deixou o passageiro abandonado, apenas com a solidariedade dos passageiros que acompanharam a cena. “Ele está acostumado a fazer isso”, disse alguém, apontando na direção em que o ônibus seguia.

Machado esperou pelo próximo.

Problema outro foi o da moça gordinha, sentada no banco da janela. O ônibus parou no sinal da Antonio Everdosa com a Mauriti, na Pedreira. Ela deu um grito quando um homem pulou do lado de fora tentando pegar seu celular. Ela se afastou de susto. O golpe deu errado. Frustrado, o quase assaltante saiu caminhando tranquilamente.

“Aqui é um perigo. Todo dia acontece uma coisa dessas”, observou o passageiro, que desceu na esquina da Pedro Miranda, caminhando às pressas.

Retratos do transporte público da quatrocentona Belém do Pará.

Discussão

12 comentários sobre “Um perigo: o ônibus

  1. Prezado Lúcio, esta narrativa apontou perfeitamente o sofrimento da população, só acho que o nome do personagem desta saga não deveria ser Machado e sim Prego ou talvez outra substantivo que dê nome à quem só apanha e nunca bate…

    Um pouco de humor pra não expressar minha angustia após me colocar no lugar deste senhor que foi humilhado e tolido de seus direitos de Cidadão Trabalhador que extraiu gotas de sangue do seu corpo para contribuir e agora se vê sujeito a esta humilhação. A minha vontade é levantar desta cadeira ir até o motorista e fazer justiça, mas isto é instinto e eu brinco para dar tempo de a razão voltar à prevalecer.

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    Publicado por Fabiano | 20 de janeiro de 2017, 09:18
    • O problema do Machado (que é nome real, de uma excelente pessoa que trabalha num sebo) é de milhares de cidadãos. Ontem mesmo vi o motorista de um ônibus de Icoaraci ignorar três passageiros (uma senhora idosa e dois homens) que faziam sinal na parada. Ele olhou para os cidadãos e seguiu em frente, a toda velocidade. Daqui a pouco os motoristas vão fazer greve por salário e melhores condições de trabalho e vão pedir o apoio da população. Mesmo que a causa seja justa, eles não merecem. Deviam também fazer um movimento para conscientizar os colegas e impor-lhes o respeito ao passageiro.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 20 de janeiro de 2017, 10:43
      • Cada dia que passa, ganham cada vez mais a minha antipatia. Tanto cobradores que não te dão o troco certo, propositalmente, quanto motoristas imprudentes e desrespeitosos. Sei que não são todos, mas estou começando a achar que a grande maioria têm esse comportamento.,

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        Publicado por Jonathan | 20 de janeiro de 2017, 11:08
  2. O usuário ter que esperar 15 min para o cartão desbloquear é um abuso. Um desrespeito. Semanas atrás, peguei um ônibus no Castanheira e desci na esquina da Almirante Barroso com a Mauriti para pegar um ônibus para a Pedreira.
    Quando subi, a máquina dizia que o cartão estava bloqueado. Faltando duas quadras para eu descer, nada de desbloquear. E o cobrador insistindo para que eu pagasse inteira. Falei a ele que não pagaria inteira, pois não tinha dinheiro – e a meia-passagem é um direito meu. Ele simplesmente falou: “ah…Não sei”. Por sorte, um rapaz, vendo a situação, me deu o cartão do vale transporte.

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    Publicado por Jonathan | 20 de janeiro de 2017, 10:59
    • Sem bilhete único e com esse bloqueio por 15 minutos: isto é concessão pública que mereça respeito?
      Um desafio ao Setransbel: mandar a relação completa das gratuidades e a planilha que levou aos R$ 3,40.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 20 de janeiro de 2017, 11:02
      • Só investem em coisas desnecessárias e que causam ainda mais transtornos como a tal biometria. Tirar esse bloqueio dos cartões eles não tiram. Às vezes até eu me surpreendo que já estamos é um 2017 e esse problema persiste.

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        Publicado por Jonathan | 20 de janeiro de 2017, 11:13
  3. Corrigindo: estamos em 2017

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    Publicado por Jonathan | 20 de janeiro de 2017, 11:14
  4. Por que a prefeitura não possui frota própria, civilizando a concorrência?

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    Publicado por Luiz Mário | 20 de janeiro de 2017, 11:21
  5. Como falei..até um pé de alface já teria resolvido o problema do transporte público em Belém. Infelizmente o interesse e a criatividade dos nossos prefeitos recentes não chegam aos pés do pé de alface…

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    Publicado por Jose Silva | 20 de janeiro de 2017, 16:06
  6. A criatividade é, justamente, esta: deixar que pensem que são pés de alfaces.

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    Publicado por Luiz Mário | 21 de janeiro de 2017, 16:40

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