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Polícia, Política, Violência

A escalada da violência

No início da manhã de ontem, viaturas da Ronda Tática Metropolitana, a temida Rotam da Polícia Militar, perseguiam um veículo com suspeitos de envolvimento em um sequestro relâmpago. Interceptados, os ocupantes do carro trocaram tiros com os policiais, O soldado Rafael da Silva Costa, de 29 anos, foi atingido na cabeça e morreu.

Imediatamente seus colegas começaram a perseguição. Talvez, no início, aos suspeitos que reagiram à ordem de prisão. Depois, em mais uma busca de vingança, da justiça pelas próprias mãos. O saldo, na versão oficial, foram 27 mortos, 24 dos quais com todas as características de execução, em 16 bairros de Belém e Ananindeua.

Deve-se sempre lamentar a morte de um policial. Falhas e vícios à parte, é ele o representante da engrenagem oficial na linha de frente, exposto diretamente aos perigos. Em países desenvolvidos, a reação ao policial é punida até com a morte imediata do transgressor.  Essa diretriz pode transbordar para o excesso, mas é uma filosofia de ação. Todos a conhecem.

No Brasil, a vendeta policial não tem paralelo. O soldado da Rotam foi morto em combate, num tiroteio com os prováveis criminosos. As mortes praticadas pelos que se puseram a vingá-lo foram meras matanças. Talvez vários dos visados sejam mesmo daqueles bandidos conhecidos dos policiais, que sabem tudo deles e até os usam eventualmente, Não todos, porém.

Ainda que tenham sido, a polícia não pode matá-los a pretexto de responder a uma agressão da qual eles não participaram. Se eram conhecidos e por isso foram tomados para serem sacrificados na imediata represália, por que não foram presos antes? Por que manter sob vigilância essas pessoas para matá-las, quando necessário, ou extorqui-las, se possível? Ou prendê-las, para preencher a prestação de contas?

Quantos desses assassinados são inocentes, pessoas apanhadas ao acaso por estarem no caminho dos justiceiros? E, afinal, todos estão protegidos pela garantia constitucional (quando não, por princípios éticos, morais ou religiosos) de respeito e proteção à vida? Quem deu competência (competência que não é passível de delegação) a esses matadores em nome da lei para decidir sobre a vida alheia?

Depois dos 11 mortos na chacina de novembro de 2014, os 24 de ontem, com a adição dos outros crimes da rotina diária, são uma conta intolerável. O governador até pode continuar a ser o mesmo, mas as principais autoridades do sistema de segurança pública do Estado já deviam estar fora dos seus cargos. Ao menos como indicador de que, daqui a pouco, o número não passará dos dois dígitos de brutalidade.

Discussão

4 comentários sobre “A escalada da violência

  1. Lamentável…drogas, milícias, governos incompetentes, população assustada, justiça inoperante, etc. Todos os indicadores de que Belém está se tornando a nova Medellin sul-americana.

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    Publicado por Jose Silva | 21 de janeiro de 2017, 19:33
  2. Ficamos no dilema: apoiar esta barbárie ou continuar convivendo com a bandidagem, com delinquentes sendo presos cinco, seis vezes, até cometerem um crime mais grave?

    Curtir

    Publicado por Osório Jr | 21 de janeiro de 2017, 23:03

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