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Imprensa, Polícia, Violência

Cadê a imprensa?

A imprensa do Pará é biônica. Mais uma vez, numa noite de sexta-feira para o amanhecer de sábado, 24 pessoas foram mortas com as características de execução. É uma estatística de guerra. No entanto, os relatos da imprensa se baseiam quase totalmente em fontes oficiais. É a nota do governador, recebida sem questionamento. A entrevista de um abúlico secretário de segurança sem contradita. Mas quase nada das histórias humanas, dos fatos concretos, das centenas de seres atingidos direta ou indiretamente por essa matança.

Parece que os repórteres já não andam rotineiramente pelas ruas, não se interessam pelos fatos cotidianos para não se tornar testemunha?), deixaram de formar fontes não oficiais ou mesmo informais, perderam o poder de iniciativa, realizam seu trabalho burocraticamente. Quando fatos de grande carga humana e amplitude social acontecem, o que se tem é uma cobertura pobre, destituída daquele calor ao qual está destinado a ser vizinho o jornalista de linha de frente. A opinião pública se torna marionete ou peça decorativa quando a imprensa não a representa diante do poder, do maior ao menor. Esta regra é provada outra vez com esta nova matança, que coloca Belém do Pará na agenda da selvageria mundial.

Discussão

7 comentários sobre “Cadê a imprensa?

  1. Jornal GGN – O juiz Luís Carlos Valois falou à reportagem do Justificando sobre as “relações promíscuas” entre imprensa e polícia que prejudica que a sociedade entenda a verdadeira situação da segurança pública e das políticas públicas de combate às drogas.

    A partir dos 49 minutos do vídeo acima, após falar da guerra às drogas nos Estados Unidos e em como a imprensa apoiou a empreitada por interesse financeiro, Valois diz que uma “coisa séria” no Brasil é o “jornalista de porta de cadeia”, aquele que vai “mendigar informação”. “Quer que o policial seja seu informante. A fonte privilegiada da imprensa é a polícia.”

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    Publicado por André Sanger | 21 de janeiro de 2017, 20:52
  2. Dos dois principais grupos de comunicação não se pode esperar nada. Um deles é patrocinado pelo próprio governador inoperante. O outro realiza cultos à violência com seus chulos programas sensacionalistas e o jornal que expõem fotos de cadáveres todos os dias em suas páginas.

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    Publicado por Jonathan | 21 de janeiro de 2017, 23:10
  3. Lúcio,

    Como sabemos, a imprensa no Pará não é biônica, é simplesmente inexistente. Simples assim. Quem quer informação em jornal que compre o Jornal Pessoal.

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    Publicado por Jose Silva | 22 de janeiro de 2017, 00:46
    • Obrigado, José, pelo marketing. E também é preciso que o cidadão exerça sua parte escrevendo para os jornais, acompanhando a recepçaõ da sua carta, denunciando quando os jornais a ignoram, contestando as informações erradas, polemizando e tudo mais que confrontar esse papel sujo da imprensa.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 22 de janeiro de 2017, 09:12
      • Mas eles não publicam. Sempre vão igonorar o leitor. Agem igual aqueles blogs de alguns jornalistas locais que bloqueiam os comentários de tudo que for contra eles ou o seu partido político favorito. É por isso que os dois jornais locais já morreram. Minha estimativa é que menos de 0.1% da população de Belem realmente usa um dos dois jornais como fonte principal de informação diária, E mesmo dentro dessa população, a leitura é seletiva, com grande foco nos esportes e alguns colunistas nacionais.

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        Publicado por José Silva | 22 de janeiro de 2017, 10:45
  4. Alguns repórteres da tv Liberal tentam alguma entrevista, mas todos os populares se negam a fazer qualquer declaração. Falam que ao se aproximarem da rua os populares se escondem nas casas deixando a ruas vazias. São características de alguma coisa de conhecimento comum, que todos sabem, comentado com cuidado somente entre os moradores. Estrategia de provocar medo e terror entre os moradores de áreas distantes e periféricas, que são ficam acuados entre os ataques do crime e da policia que também trás o medo e repressão, e não sua função básica de trazer paz e segurança. Trafico, milicia, assaltos e o cotidiano da violência que assola as periferias, a marginalidade da justiça e da atuação efetiva do estado, o lado escondido e obscuro de uma cidade esquecida.
    A primeiro sintoma é de que realmente os profissionais estão se contentando com a primeira negativa, que não estão procurando ter o trabalho de conversar, ganhar confiança, procurar outras pessoas, investigar de verdade.
    Um exemplo durante o ano passado é o caso de um tiroteio que ouve na esquina da confluência entre a padre Eutíquio e a Alcindo Cacela em um posto de gasolina em frente ao supermercado Lider, no bairro da Condor. O caso foi mais noticiado em virtude de uma bala perdida atingir uma criança. Muitas especulações foram feitas sobre uma tentativa de assalto ao posto, a um mototaxista ou a alguém por perto, mas como agora, ninguém comentava o acontecido. A policia fez deduções e deu como causa um fato mais brando de uma tentativa mal sucedida de assalto ao mototaxista.
    O caso era muito complexo. Grupos de traficantes dominam parte da região de venda de drogas em vielas da Condor. Dias antes um dos lideres do trafico de drogas havia sido morto por um grupo rival. Após morte do líder houve mais ameaças que se estenderiam a pessoas próximas a ele. Um deles era o mototaxista, que também atuava como vendedor de drogas da região. Não só ele, mas depois seriam divulgadas fotos em redes sociais com outras pessoas com o traficante assassinado. Em redes sociais imagens seriam espalhadas até Jurunas, Sacramenta e outros bairros, sendo estes chamados que ‘olheiros’, traidores e outros adjetivos mais.
    Mais informações não podem ser dadas ou comprovadas com identificação de nomes próprios. Peço apenas a retirada da informações do informante.

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    Publicado por Fabrício | 23 de janeiro de 2017, 14:36
    • O trabalho do repórter realmente está mais difícil do que nunca. Muito arriscado mesmo. Ainda assim, descobrir e cultivar fontes é uma maneira de manter uma cobertura correta sobre os acontecimentos. O repórter não pode se limitar a fontes oficiais. Para dispor de fontes alternativas, precisa sair das redações, das pautas, das matérias encomendadas e, sobretudo, não se deixar agrilhoar pela eficiente e perigosa internet.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 23 de janeiro de 2017, 16:27

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