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Polícia, Política, Violência

Governo pra quê?

O governo do Estado divulgou uma nota oficial, hoje, que só não é um desastre total porque este é o motivo de tê-la produzido. Disse na nota que “não tolera” os homicídios registrados ontem na Grande Belém (27 em 24 horas) porque estiveram “muito além da média”. Parece que se tivessem permanecido dentro da média dos dias anteriores, que é uma das maiores do Brasil (cinco homicídios por dia), o governo nada faria, nem emitiria uma nota.

O governo se mexeu, afinal, porque além de ter havido tantos assassinatos (mais de um a cada hora do dia, numa região metropolitana de dois milhões de habitantes), alguns desses crimes “têm indícios de execução e podem ter relação com a morte do soldado da Rotam [a principal e mais temida unidade operacional da polícia no cotidiano da cidade] Rafael da Silva Costa”, que aconteceu ontem mesmo.

Como os homicidas não se comportaram segundo o padrão de tolerância da administração Simão Jatene, o governador mandou instalar “um gabinete permanente de situação, envolvendo todos os órgãos da área, para monitorar os acontecimentos”.

A população, mais assustada do que tranquilizada pelo teor da comunicação, deve ter reagido com estupefação ao relato do governador. Talvez a estatística do sangue tenha extrapolado justamente porque, ao invés de agir rotineiramente, essa estrutura acionada agora só funciona quando acontece o desastre, como a matança de sexta-feira.

Dá vontade de seguir o conselho daquela música de Chico Buarque de Holanda, adaptada à maior gravidade da crônica policial do dia a dia: chame o assassino, chame o assassino (que ladrão é criminoso superado pela inércia, inoperância e ineficiência do aparato de segurança pública do Estado, cujo chefe ninguém conhece nem sabe o que faz).

Discussão

7 comentários sobre “Governo pra quê?

  1. Só rindo para não se desesperar. A nota foi muito boa como uma piada de mal gosto. Quem foi o gênio que a redigiu? Está está entre as minhas favoritas para o prêmio asneira do ano.

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    Publicado por José Silva | 21 de janeiro de 2017, 17:47
  2. E a cada 4 anos, o paraense torna a digitar 45 e confirmar.

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    Publicado por Jonathan | 21 de janeiro de 2017, 18:08
  3. Belém, não necessita de rebeliões para concorrer no ranking de massacres do sistema carcerário. A “máquina de execuções”, letal e aparelhada está cumprindo suas diretrizes.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 21 de janeiro de 2017, 18:24
  4. O Estado que nomalmente dirige um carro olhando apenas para o retrovisor, ou seja, sabemos da onde vem (do povo), porém não sabemos pra onde vai. Agora, o Estado passou pra dentro de um carro prata (Melicianos) sem retrovisor, sem placa, sem motorista… e sem freio, ou seja, sabemos exatamente aonde isto vai parar: vai de encontro ao carro cujo motorista olha apenas pro retrovisor.
    Aí, acidente deste tipo político atinge sempre inocentes: um estudante na parada de ônibus, um trabalhador realmente que estava na hora certa e no lugar certo a encontrar pessoas erradas na hora e lugar errados, etc.

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    Publicado por marcogemaque | 21 de janeiro de 2017, 18:33
  5. Quem dera a PM, demais categorias do funcionalismo público e restante da população trabalhadora tivessem a exata noção de que a realidade atual do Estado é culpa deste arremedo de governador e sua equipe inútil. Quem dera…

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    Publicado por Nilson | 21 de janeiro de 2017, 20:10
  6. Ouvi de uma pessoa q mora no entroncamento e presenciou, assim como todos moradores de sua rua q a polícia ontem estava torturando mulher ( quebraram o braço em três partes de uma mãe e mais cortaram seu cabelo comprido, afogaram na vala uma mulher cujo o filho teria supostapostamente assassinado um policial) e idosos pa ter informações sobre o paradeiro de suposto assassino de policial. Após a confisão forcada do paradeiro do filho a senhora ainda teve q saber q seu filho tinha sido assassinado pelos policiais torturadores sem ter sido direito a julgamento. Estamos num período de barbárie absoluta e o poder do estado serve para oprimir os cidadães. A polícia tem q ser investigada e responsabilizada.

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    Publicado por Cláudia kahwage | 21 de janeiro de 2017, 20:16
  7. E ainda pergunta?

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    Publicado por Luiz Mário | 22 de janeiro de 2017, 12:19

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