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Polícia, Política, Violência

Quem ainda acredita no homem da lei?

A matança praticada da tarde de sexta-feira até a manhã de ontem seguiu o mesmo padrão das execuções anteriores, a principal das quais, de novembro de 2014, teve o saldo de 10 vítimas, além do sargento da PM que a provocou, um doublé de bandido que atendia pelo apelido de Pet.

Vários homens encapuzados ocupam um carro (agora um de cor preta e outro prata). Circulam a altas velocidades por bairros periféricos da região metropolitana de Belém. Descem onde encontram alvos fáceis, desatentos ou desprotegidos. Sempre homens. Na maioria, jovens. Certos deles aparentando ser marginais. Talvez alguns realmente com passagem pela polícia. A maioria, aleatoriamente.

Um ou dois ocupantes dos carros descem, avançam determinados e rápidos, atiram várias vezes para matar logo. Usam armas de grosso calibre, não poupam munição para que não haja sobreviventes. Fogem e partem imediatamente para novo alvo. Desta vez, diante de maior número de vítimas, por mais bairros. Agora, foram 16.

O órgão oficial responsável pela ação do poder público, a secretaria de segurança, ainda não identificou nem prendeu qualquer dos matadores, mais de um dia depois das últimas execuções. Mas algumas informações já se tornaram disponíveis.

Uma das vítimas era um feirante, morto na rua da Olaria, no bairro do Guamá, com  vários tiros. Neste caso, o carro não parou. Os disparos foram feitos com o carro em movimento.

Um jovem de 23 anos, que dirigia o táxi do pai, foi executado na rua dos Profetas, na porta da casa dos pais, quando conversava com amigos.

Outro também foi alvejado a partir de um carro prata na porta de casa, no bairro de Águas Lindas, em Ananindeua. Recebeu dois tiros na cabeça e quatro nas costas

O morto no bairro do Bengui foi um ajudante de pedreiro. Os tiros saíram de um carro preto.

Rapaz de 21 anos foi morto de madrugada, dentro de um bar, no bairro do Telégrafo, com oito tiros. Outras cinco pessoas também foram atingidas.

Sua mãe testemunhou sobre a ação dos matadores:

“Eles deviam procurar saber se é traficante, usuário de droga, e se fosse, levar pra polícia, porque eu acho que ainda existe justiça, só que eles chegam atirando e nisso muitos inocentes morrem, como aconteceu com meu filho”.

Até quando o povo continuará a acreditar nas autoridades para cumprir o dever legal de impedi-los de morrer de morte matada, já tão comum e bárbara na capital dos paraenses?

Discussão

6 comentários sobre “Quem ainda acredita no homem da lei?

  1. A minima análise dos estojos deflagrados na cena do disparo, já denúncia o armamento e por decorrência a “autoridade” investida de sua posse.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 22 de janeiro de 2017, 13:07
  2. Acho melhor chamar logo o Eder Mauro para resolver o problema? Ele não se manifestou até agora?

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    Publicado por José Silva | 22 de janeiro de 2017, 13:45
  3. Infelizmente, os acontecimentos nos obrigam a perceber as diferenças: Há governo e homens da lei, embora para uns pouco em detrimento da maioria.

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    Publicado por Luiz Mário | 22 de janeiro de 2017, 16:15
  4. Além do mais, vivemos numa sociedade dominada pelo tecnicismo científico, onde toda instituição possui seus departamentos de planejamentos e projetos. Logo, não seria demais pensar que há uma orquestração de fatos aterrorizantes na sociedade com o objetivo de paralizá-la para mantê-la sobre controle.

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    Publicado por Luiz Mário | 22 de janeiro de 2017, 21:45
  5. *paralisá-la

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    Publicado por Luiz Mário | 24 de janeiro de 2017, 15:03

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