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Política

A história na chapa quente (49)

Sucessão: por enquanto,

os candidatos de Almir

(Artigo publicado no Jornal Pessoal 256, de abril de 2001)

Na eleição municipal do ano passado, o governador Almir Gabriel apoiou dois candidatos na disputa pela prefeitura de Belém com Edmilson Rodrigues, que acabou se reelegendo. O candidato oficial, o deputado federal Zenaldo Coutinho, do partido do governador, nem conseguiu passar para o 2º turno.

O candidato informal, Duciomar Costa, ultrapassou essa barreira e diz que só não venceu o prefeito do PT porque não recebeu de Almir toda a ajuda necessária. Com mais dinheiro nos últimos dias e sem a pesquisa do Ibope na véspera, divulgada pelo grupo Liberal, acredita que teria invertido o resultado final. Edmilson chegou na frente, com uma diferença de 1,2% dos votos.

A primeira lição dessa derrota foi de que nem sempre a máquina oficial é capaz de eleger um poste, a falsa conclusão deixada pela eleição de Luiz Otávio Campos para o senado, à frente de Ana Júlia Carepa e Hélio Gueiros, dois anos antes.

A segunda lição dos tucanos: é preferível apostar todas as fichas num único candidato no 1º turno do que desperdiçar forças com dois nomes sem forte apelo popular, deixando outros acertos para o 2º turno. O ensaio e erro deve ser tentado antes da homologação da candidatura pelo partido, testando várias alternativas para chegar no início da campanha eleitoral com um só nome.

Assim, nesta fase ainda informal da corrida ao voto, o governador está com três candidatos a candidato no mercado. O nome mais bem estruturado até agora é o do vice-governador Hildegardo Nunes, que praticamente atua visando a sucessão estadual desde o primeiro dia do seu mandato.

Dos três possíveis candidatos, porém, Hildegardo é o menos simpático a Almir. Tanto por não ser do PSDB, como por vir demonstrando tal apetite pelo poder que suscita dúvidas quanto à fidelidade ao tucanato quando assumir a titularidade do governo.

O vice tem demonstrado uma liberdade e autonomia de movimentos que não se harmonizam com o modelo de condução centralizada e mando verticalizado do governador. Mas Almir não fez nenhum veto à possibilidade – um tanto remota, mas real – de Hildegardo vir a ser seu candidato.

Se pudesse passar diretamente a faixa a alguém, o governador não hesitaria: seria o secretário especial da produção Simão Jatene, seu alterego (ou vice-versa). Mas Jatene, que nunca foi uma pluma eleitoral, não conseguiu levar a consequências práticas seu desejo de substituir Gabriel (o tratamento preferencial de uma ala da corte).

Ora falta a programações de viagem ao interior, ora se enfada de contatos políticos. Mesmo empenhado em ser popular, não consegue estabelecer um campo gravitacional em torno de si. Alguns tucanos já começam a desistir de tê-lo como projeto.

Vários trocaram mesmo de barco, passando para a nau do novo secretário da promoção social, Nilson Pinto de Oliveira. O até recentemente deputado federal está disposto a entrar com tudo na ginkana pré-eleitoral: cumprimenta e dá o inefável toque nas costas de quem se aproxima, vai a batizados e casamentos, discursa por onde passa. E tem nas mãos uma secretária poderosa. Só que, na atual conjuntura, de ambíguo poder.

A educação (e, por ironia, a saúde) são dois dos setores mais frágeis e polêmicos da administração Almir Gabriel. Nenhum secretário conseguiu esquentar a cadeira na Sespa e dar frutos. Entre outros motivos, porque não tem poder (exercido diretamente pelo governador e, mesmo sem delegação sua, pela primeira dama, às vezes em linhas cruzadas).

Já na Seduc o que houve foi um progressivo desmonte da estrutura que o próprio Almir começara a levantar, disposto a acabar com uma herança simbolizada pelo aluno-jacaré (aquele que estudava deitado, por falta de carteiras). A nova conjuntura também já tem seu símbolo: a caótica matrícula deste ano em Belém.

A Seduc conseguiu transformar em crise um ato que já se havia tornado rotineiro, sem problemas. Foi por total incompetência na metodologia de elaboração, na feitura e na revisão das listas de matrículas, pela primeira vez divulgadas pela imprensa e não remetidas pelo correio.

Na busca de economias de ponta de lenço e de normas burocráticas formalistas, a secretaria chegara a cortar os diários de classe e os livros de ponto dos professores. Era o que faltava para implodir a motivação de profissionais que há cinco anos recebem os mesmos 3,99 reais por hora/aula.

Com o Fundef, que transferiu para as prefeituras os recursos do ensino fundamental, suprimindo um canal que drenava dinheiro para o ensino médio, mantido sob a jurisdição estadual, a situação se tornou ainda mais difícil para o governo. Ele foi surpreendido pelos problemas e parece ter perdido até a visualização da sua rede de ensino disseminada pelo interior.

Esse quadro pode encerrar uma armadilha para o novo secretário especial, se ele assumiu o cargo com projeto eleitoral. Nilson Pinto teve que manter no cargo a titular da Seduc, Izabel Amazonas, por ele mesmo indicada. Teve que readmitir seu antecessor, Marcos Ximenes, demitido pelo governador por incompetência (Marcos, sucessor de Nilson na reitoria da Universidade Federal do Pará, chegou à reunião convocada para tratar emergencialmente do problema das matrículas sem saber que o problema sequer existia), também por ser do seu grupo político.

Mas se o critério de confiança inspirou os dois atos, o da competência vai ter que se sobrepor para assegurar ao ex-deputado que a Secretaria da Promoção Social não será sua tumba, ao invés de plataforma para o lançamento da sua candidatura ao governo.

Nilson tem muito mais empatia popular do que Simão, mas não a mesma influência na curul tucana. E, por enquanto, os grandes lances preliminares da disputa estão sendo travados na corte, como um jogo de xadrez, para o qual, naturalmente, o distinto eleitor ainda não foi chamado.

Discussão

2 comentários sobre “A história na chapa quente (49)

  1. Pois é..E deu Simão, que já foi eleito por três vezes. Nilson nunca sera viável. Seu espaço politico é restrito a Monte Alegre. Entretanto, ele semptre foi hábil politicamente. Por exemplo, quando reitor da UFPA ele aparelhou a instituição para atingir os seus objetivos políticos. A estratégia tem sido seguida desde então, com exceção do Diniz, que não gosta e nunca gostou de política partidária.

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    Publicado por Jose Silva | 23 de janeiro de 2017, 08:53
  2. Trama dos bastidores. Oportuna chamada para as eleições que se aproximam.

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    Publicado por Luiz Mário | 23 de janeiro de 2017, 10:40

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