//
você está lendo...
Economia

Nós, os maltratados

Às 11 horas da manhã do dia 12 de dezembro do ano passado liguei para o número 10331 da Oi, sendo atendido com o protocolo 201600203539887 pela funcionária, Beatriz (já com o protocolo 20161159098523 quando concluiu o atendimento).

Fiz o pedido de cancelamento de um dos meus dois telefones fixos, já excessivo para as minhas necessidades. Fiquei com o Oi Conta Total. Pagamento em dia (por débito automático) das duas contas por longos anos.

Hoje, ao receber nova fatura do telefone, sou informado, depois de longa e labiríntica peregrinação pelo atendimento, instalado em Fortaleza, no Ceará, que não houve cancelamento. Meus dados e cautelas se tornaram inúteis. A razão é unilateral. Depois de dezenas de minutos, entreguei os pontos. Vou pagar a fatura e o cancelamento só vale a partir de agora – se valer.

Não sou contra a privatização de serviços como a telefonia e as telecomunicações em geral. Desde que não se forme um cartel e o controle do governo seja eficiente na defesa do consumidor e da qualidade dos serviços, e implacável com as más empresas (existe alguma boa no setor?).

Eu morava nos Estados Unidos quando, por decisão do governo americano, a AT&T (que ajudou a derrubar o presidente Salvador Allende no Chile, quando eu lá estava, e vi tudo a partir do hotel Sheraton, vizinho ao palácio La Moneda) foi dividia em cinco partes. O capitalismo não pode conviver com o monopólio, que, no socialismo, é biombo para a tirania. E a ATT era eficiente em solo americano.

O tanque Sérgio Mota privatizou as telecomunicações no Brasil em nome de Fernando Henrique Cardoso, sob as bênçãos da globalização. Parecia que o país iria numa direção certa, livrando-se de paquidermes estatais. Desde então a história da privatização é um caso de segurança pública e de polícia.

Temos o celular mais caro e menos eficiente do planeta. A internet é um pouco melhor do que lixo. E o pobre do cidadão é massacrado pelos esquemas de atendimento. anos-luz de distância da voraz operação das máquinas de massacrar cliente.

Não sei se alguma empresa do setor no mundo tenha acumulado tão rapidamente um débito como o famoso projeto de multinacional do governo Lula a minha algoz Oi, acusada de subsidiar a Game Corp, de Lulinha. Com 65 bilhões de reais no vermelho apurado (pode vir a somar mais), está em recuperação judicial. Ainda assim, abusa do seu poder. Age como se seus clientes fossem errados e aproveitadores por pressuposto – e ela, imaculada, não revê os seus atos.

A relação não será respeitosa se a agência reguladora (no caso, a Anatel) descumprir a sua missão, de representante estatal da sociedade, com toda sua atenção e ação voltadas para os concessionários relapsos ou abusados. Ainda mais porque, na promiscuidade das relações governo-empresas, das quais o maior e mais assustador exemplo é a Operação Lava-Jato, o cidadão é a vítima.

Meu exemplo é pequeno. Espero, porém, que atraia outros cidadãos. E que o barulho da nossa justa causa e da nossa santa indignação chegue aos ouvidos de quem de fato e de direito deveria captá-lo e transformá-lo em providência. Num som de justiça e de direito.

Discussão

9 comentários sobre “Nós, os maltratados

  1. Tive experiencia semelhante com a Oi anos atrás. Privarizar é bom, desde que exista livre concorrência para ofertar melhores serviços a preços mais baixos. No Brasil, infelizmente, temos um sub-capitalismo, onde as empresas definem suas áreas de monopólio e de lá não sõ removidas nunca devido a acordos ilícitos com governo. Se o capitalismo brasileiro realmente funcionasse, a Oi já teria falido pois não sobraria cliente para ela.

    Curtir

    Publicado por Jose Silva | 24 de janeiro de 2017, 15:53
  2. Já passei pela quatro que dominam o mercado brasileiro e posso afirmar com todas as letras: Nenhuma presta! E para piorar não temos a quem reclamar, nem mesmo a justiça que além de super lenta não sentencia dando exemplo, impondo respeito. A agência de regulação estão cheias de “companheiros” incompetentes!
    Não foge dessa regra de mal serviço as concessionária de energia como a incompetente Celpa, as operadora de canal a cabo, etc…

    Curtir

    Publicado por António Carlos de Andrade monteiro | 24 de janeiro de 2017, 20:20
  3. Esqueci de alguns ‘s’
    Desculpem !

    Curtir

    Publicado por António Carlos de Andrade monteiro | 24 de janeiro de 2017, 20:23
  4. Há mais de dois anos fui até a loja da Oi no Boulevard Shopping fazer um plano de internet. Fui atendido por uma moça de prenome Malena. Depois de analisar qual plano seria viável para meu orçamento mensal fechei um pacote e fiquei no aguardo do técnico para fazer a instalação do serviço. No entanto, nada foi instalado na minha casa. Passados alguns dias estive repetidas vezes no shopping e a resposta era sempre a mesma : ” estamos enviando um técnico até sua casa” A única coisa que chegou na minha casa foram 12 faturas da Oi me cobrando um serviço que sequer foi instalado na minha casa. Já liguei pra Oi e eles não resolvem esse problema. estive no PROCON e não consegui atendimento. Conforme orientação de um amigo liguei pra Anatel e não obtive êxito. Recorrer a quem?

    Curtir

    Publicado por Hiran Martins | 25 de janeiro de 2017, 00:31
  5. Prof. Lúcio – sinto informar mas o Sr. f OI enganado. Simples Assim. Talvez em uma republiqueta de bananas( como adoram dizer os americanos) essa empresa talvez funcionasse e provavelmente seus sócios seriam fuzilados depois pelo ditador de plantão, tamanho aborrecimento causado ao cidadão, mas no Brasil francamente…. Não espere nada desse órgão ANATEL, uma incúria de dar dó , um incrível mis-en-scene quando se trata o proteger o consumidor dessas empresas. E preparemos nossos bolsos para pagar a conta dá péssima gestão da OI que tem dinheiro público enterrado lá. Passo no shopping e vejo uma loja da OI e me surpreendo – ainda tem OI? Como pode? com 65 BI de dívida? na minha pequena cabeça, ainda não entendo como uma empresa dessa estirpe podre consegue tanto dinheiro público e o cidadão brasileiro não tem escola, saúde, etc. OI simples assim – a banda que te larga sempre.

    Curtir

    Publicado por ARLINDO OCTÁVIO DE CARVALHO NETO | 25 de janeiro de 2017, 08:50
  6. Prezado Lúcio, também passei por esta desagradável situação, quando um amigo sugeriu usar o site https://www.consumidor.gov.br/pages/principal/?1485352754049. Mesmo sem acreditar muito, fiz um pequeno cadastro, relatei o fato, e para minha surpresa, em dois dias a empresa entrou em contato e se dispôs a resolver a situação, algo quase surreal! Até fiquei emocionado com a rapidez com que a contenda foi sanada, rs. Não custa nada tentar. Boa sorte!

    Curtir

    Publicado por Jaime Lopes | 25 de janeiro de 2017, 11:03
  7. Privatizar é péssimo. Sobretudo alguns setores. A anatel é um sindicato das empresas. Publiciza e adota modelos de gestão para a eficiência. O lucro é público. O controle pode ser também.

    Curtir

    Publicado por Gerson | 27 de janeiro de 2017, 22:40

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: