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Economia

O ardil da Big Ben

Ao fazer o pagamento da sua compra nas farmácias da rede Big Ben, o cliente é consultado pelo caixa se pode fazer a “doação” do troco a entidade assistencial. Na verdade, o que o pagador fazia com a resposta positiva era adquirir título de capitalização, com direito a participar em sorteios. Esse direito de resgate – correspondente a metade do valor investido – era automaticamente cedido em favor de instituição filantrópica.

Acionado por um consumidor que se considerou lesado, o Ministério Público interveio para recomendar que os clientes sejam mais bem informados sobre a venda de títulos de capitalização da linha denominada Troco Premiado. Hoje, o MPF informou que a rede de drogarias Big Ben, que atua no Pará, Paraíba, Maranhão, Pernambuco e Piauí, acatou a recomendação.

O MPF confirmou que a abordagem denunciada pelo consumidor era a forma padrão de venda do título em todas as lojas da Big Bem, que recebe remuneração pela emissora do título, a Icatu Capitalização.

“Essa situação representa indução a erro aos adquirentes do título, visto que a eles é feita uma oferta de doar seu troco a uma instituição filantrópica, não lhes sendo informado que estão, na verdade, adquirindo títulos de capitalização, que inclusive lhes confere a possibilidade de participar de sorteios, e que realizam a cessão para a instituição filantrópica indicada de apenas metade do valor investido, gerando lucros para a sociedade de capitalização emissora do título e estabelecimento comercial no qual é feita a aquisição”, criticou na recomendação o procurador da República, Bruno Araújo Soares Valente.

Além de atuar para que, ao ofertarem os títulos de capitalização, seus funcionários sejam claros quanto ao produto oferecido, a empresa se comprometeu a afixar e manter, nos caixas de seus estabelecimentos comerciais, pelo prazo de 30 dias, cartazes com essas informações.

A empresa também assumiu o compromisso de, por pelo menos três dias, incluindo um domingo, divulgar esses esclarecimentos nos jornais do Pará, onde está a maioria das lojas da rede.

O MPF informou ainda que caso queiram denunciar a ocorrência de eventual desrespeito, por parte da rede Big Ben, a esses compromissos, além de poderem ir pessoalmente às unidades da instituição, os interessados podem utilizar a internet, pelo site http://cidadao.mpf.mp.br, ou pelo aplicativo SAC MPF, gratuito para smartphones dos sistemas Android ou iOS.

O atual dono da rede Big Ben não pode alegar desconhecimento ou boa fé no comportamento malicioso ou desidioso. Afinal, trata-se do BTG-Pactual, criado pelo banqueiro André Esteves, um dos homens mais ricos do Brasil. Seu banco, através do seu braço farmacêutico, a BR Pharma, incorporou a Big Ben em 2011 pela BR Pharma, braço farmacêutico do BTG Pactual.

O grupo começou a ter problemas no final de 2015, quando os fundos do BTG Pactual foram atingidos por grandes saques de clientes, por efeito de um escândalo envolvendo o ex-presidente do banco, André Esteves.

Não seria o caso de obrigar a corporação a publicar a devolver o dinheiro que, por meio desse ardil capcioso, se apropriou dos seus clientes? Não seria o caso de um inquérito policial ou de um procedimento mais drástico para, além de estancar esse autêntico golpe, restituir os valores?

Discussão

4 comentários sobre “O ardil da Big Ben

  1. Por isso minha resposta ao caixa era a de sempre quanto ao pedido “Não, obrigado”. Seguro morreu de velho.

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    Publicado por Laudyson J B Araújo | 24 de janeiro de 2017, 18:30
  2. As considerações do procurador do MPF acerca da conduta da Big Ben são incompatíveis com uma simples recomendação. Se houve induzimento ao erro (como ele mesmo disse), para aquisição de vantagem econômica, não está caracterizado o estelionato?

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    Publicado por Marilene Pantoja | 24 de janeiro de 2017, 21:03
  3. Devolva-me, Big Ben.

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    Publicado por Pedro Pinto | 27 de janeiro de 2017, 13:43

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