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Ecologia, Justiça, Política

Eike e (é) o Brasil

O empresário Eike Batista  deixou o aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, às 0h45 (horário de Brasília) de hoje, num voo da American Airlines, na condição de foragido internacional da justiça brasileira, procurado pela Interpol. Chegou no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, pouco antes das 10 da manhã.

Foi imediatamente preso pela Polícia Federal. Meia hora depois chegou ao Instituto Médico Legal, para realizar exames de corpo de delito. A permanência no local foi também de 30 minutos. Às 11h20, entrou no presídio Ary Franco, na zona norte do Rio.

Será a sua morada até que a justiça decida sobre seu novo destino. Em 12 horas, uma transformação brutal na vida daquele que, cinco anos atrás, era o 7º homem mais rico do mundo. É agora um presidiário comum.

Na entrevista que deu à TV Globo, no aeroporto de NY, ainda havia certo aplomb na expressão de Eike Batista, como se fora um dos personagens bem sucedidos do mercado financeiro mundial de A Fogueira das Vaidades, o romance do jornalista Tom Wolfe sobre os yuppies novaiorquinos.

A fotografia que registrou a sua chegada à penitenciária padrão Brasil sua expressão é de abatimento, envelhecida. O cabelo postiço que implantou à custa de milhares de reais cai sobre a sua testa. Mantê-lo arrumado era uma das mais sugestivas expressões da sua vaidade e arrogância.

Como mantê-la ao ir para uma cela comum, como um criminoso qualquer, já destituído do seu colarinho branco pela circunstância de não ter concluído o curso de engenharia iniciado na Alemanha, terra da superprotetora mãe?

À Globo.Eike disse que se apresentaria à justiça por ser este o seu dever. “Está na hora de eu mostrar o que é e ajudar a passar as coisas a limpo”. O empresário vai precisar de muita água, detergente e outros agentes dessa lavagem. O que não falta é roupa suja para higienização.

Eike tomou parte em vários grupos de corrupção, como corruptor, um dos maiores da história brasileira. Com sua criatividade, engenhosidade, sagacidade e outros componentes da sua personalidade, podia ter se tornado um homem muito rico.

Mas muito rico era pouco para sua megalomania. Ele imaginava que podia se tornar o mais rico de todos os terráqueos, usando o que tem dentro de si, mas, sobretudo, a fraqueza e a sujeira externas, alheias, de um Brasil que também podia se tornar potência mundial sem criar uma economia subterrânea, criminosa, delinquente de um tamanho que agora nos surpreende, assusta e indigna.

Para serem grandes nessa hipertrofia patológica, o Brasil e Eike, tido até pouco tempo atrás como o mais genuíno e exemplar empreendedor brasileiro, precisavam revolver sujeira demais. Felizmente não foi até o fim dos seus planos. O fim deles chegou de maneira oposta às pretensões do empresário. E o fim do Brasil?

Discussão

6 comentários sobre “Eike e (é) o Brasil

  1. Pode ser o início de um novo Brasil. Entretanto tenho a mais absoluta certeza que os corruptos de todas as matizes politicas se juntarão para impedir a emergência de um país melhor. A briga será boa. Espero que seja breve, porque o país não pode mais esperar. Ou pode? Afinal somos a pátria que nasceu em um berço esplêndido.

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    Publicado por Jose Silva | 30 de janeiro de 2017, 13:07
  2. Não é o fim. É o inicio, de um novo Brasil.
    Pelo meu julgar o caminhar da Justiça está certo: primeiro prenda-se o corruptor. Depois os corruptos. No final há que destruir-se/isolar-se, as “ferramentas” que facilitaram o crime.

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    Publicado por valdemiro | 30 de janeiro de 2017, 14:01
  3. A tendência é de transição das bases da concepção política e democrática no Brasil. Assegura-se a averiguação dos sortilégios do enriquecimento dos megaempresários e políticos profissionais, confirmando a rapinagem de recursos públicos os condenam e para alegria dos inimigos pessoais destas celebridades veicula-se na mídia os réus enquadrados pelo japonês da federal.

    A partir disto, a especialização do judiciário em blindar suas prerrogativas com o objetivo público de queimar a escória antropofágica que se perde no exercício do poder, promove uma nova escola aos jovens políticos recém diplomados no inicio do ano e abre o olho dos “cômicos de plantão”, equivocados em planejar sua candidatura em 2018.

    Mas, conforme o José comenta, estão pegando as aranhas pequenas, a teia de aracne ainda permanece para ser queimada com os demais miasmas.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 30 de janeiro de 2017, 14:34
  4. É deprimente imaginar que o que se assiste pode ser apenas uma reacomodação dos padrões formadores da cultura da corrupção para manter a corrupta elite, com seu selvagem capitalismo, no poder. Afinal, o quanto ainda há de “capitanias hereditárias” Brasil afora?

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    Publicado por Luiz Mário | 30 de janeiro de 2017, 14:49
  5. todo castigo pra corno é pouco.

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    Publicado por alexandre | 30 de janeiro de 2017, 22:33
  6. O castigo, na atual conjuntura, é a volúpia do gozo da corrupta elite na cara do povo.

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    Publicado por Luiz Mário | 2 de fevereiro de 2017, 00:41

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