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Imprensa, Política

A história na chapa quente (56)

Operação limpeza

(Artigo publicado no Jornal Pessoal 261, de junho de 2001)

O que os grupos Líder e Big Ben tanto têm a esconder que os tornam suscetíveis à chantagem?

É o que qualquer cidadão deve se perguntar ao deparar com farta publicidade das duas empresas nas páginas do Jornal Popular. A publicação é de baixa tiragem e nenhuma credibilidade. Trata-se de um típico jornalismo de escroqueria.

Quem lá anuncia não tem a intenção de com essa iniciativa aumentar o faturamento. Mas deve ter alguma prática inconfessável, algum pecado que não lhe convém ver abordado. Será sonegação fiscal? Será superfaturamento de preços? Ou, quem sabe, origem ilícita de capital?

Quando um patrocínio empresarial fomenta sujeira, o material fétido espalhado pode alcançar qualquer um, inclusive quem o despeja. Pode ser que essas duas empresas queiram patrocinar os métodos de calúnia, injúria e difamação que a gangue do Jornal Popular adota contra os incautos, os que têm a temer e os oblíquos, aqueles gatos pardos que deambulam por teto de zinco quente em noites escuras.

Há muitos números a maior vítima desses esquartejadores da honra alheia tem sido a família Maiorana. Uma sórdida montagem, que já teve sua origem numa talentosa mente fronteiriça, lança lama sobre a sagrada privacidade dos donos do grupo Liberal. O Líder e a Big Ben aprovam e sancionam esse jornalismo de pocilga?

É essa forma de acerto de contas de sarjeta que desejam promover quando cedem descomunal espaço publicitário, não numa relação comercial normal, delimitada pela boa técnica mercadológica,  mas num acerto promíscuo, que nivela o chantageado ao chantageador, o corruptor ao corrupto, o criminoso ao coonestador?

O apoio político

Já está na hora de cobrar a responsabilidade social de empresas que se interessam apenas pela preservação dos seus interesses, inclusive os ilegítimos ou ilícitos, e se lixam para os danos coletivos dessa atitude irresponsável.

O Jornal Popular não teria se estabelecido em Belém se Hélio Gueiros, quando governador, não lhe tivesse aberto os cofres do erário estadual e, depois, a verba publicitária municipal de Belém. O jornal não teria continuado miseravelmente vivo se essa leviandade com dinheiro público não fosse seguida por Jader Barbalho, Almir Gabriel e Edmilson Rodrigues.

Hoje, todos eles sentem as mordidas da cobra. Mas foram os que a criaram. A sedução do poder, e a busca do poder absoluto, combinada com vaidades desmedidas, fizeram esses homens públicos esquecer o velho ditado popular sobre desastradas tentativas de domesticação da serpente venenosa. O médico é atacado pelo monstro, o criador maquiavélico pela criatura descontrolada. O chantagista é insaciável.

Os amigos insistem para que eu largue de mão essa nojeira impressa. Pela fria lógica, têm razão: não há a mais remota boa intenção no que ali se publica. O jornal é usado como gazua para intimidar as pessoas incômodas e saquear as que não são capazes de resistir ao achaque. Não adianta tentar um confronto racional com esse tipo de deformação humana. É malhar em ferro frio, admito.

Mas eu não me sentiria bem com a minha consciência se um estranho a Belém, ou alguém no futuro, me cobrar sobre o que fiz para combater essa animalidade travestida de jornalismo e eu nada puder responder. A omissão é a forma mais torpe de vilania.

Jornalismo marrom

O Jornal Popular é muito pior do que a imprensa marrom. Os tabloides londrinos, por exemplo, invariavelmente tomados como modelo para esse tipo de publicação ou parâmetro para analisá-la, cultivam a fofoca e o mexerico com  competência profissional. Em suas redações há jornalistas que se dedicam com afinco às investigações.

Visam as entranhas das pessoas famosas, revolvem o lixo acumulado à porta dos locais célebres, mas raramente inventam e erram pouco. Penetrar na privacidade das pessoas que se tornaram personalidades mundiais ou locais é uma tentação a que não escapa a maioria dos seres humanos.

Na Inglaterra, a fofoca é uma maneira de os plebeus penetrarem no mundo da realeza e da nobreza, levando a sério uma monarquia desacreditada em quase todos os lugares fora da ilha da pérfida Albion. Tem uma função social.

Mas essa coisa sórdida chamada Jornal Popular só serve para manter pessoas desqualificadas e fornecer um combustível de péssima qualidade para abastecer mentes corrompidas. Ali, 10% são verdade, 20% são meia-verdade e 70% são invenção pura.

Nessa classificação se enquadram os relatos de um internauta espião infiltrado em ambientes fechados da família Maiorana, transformada em peça de ficção para prevenir mais processos judiciais, que sempre recaem não no dono daquela birosca de letras, mas no falso redator-chefe (que, a propósito, nem incomodado é pela delegacia do Ministério do Trabalho, embora sua situação ilegal já tenha sido denunciada ao órgão pelo sindicato dos jornalistas. O que impede a DRT de cumprir o seu dever? Serão motivos assemelhados aos dos Rodrigues e dos Aguilera?).

O veneno da meia verdade

O perigo é a meia-verdade, capaz de enganar aqueles poucos e pobres inocentes que ainda leem o jornal (a maior parte de sua reduzida tiragem, enormemente distante dos 10 mil exemplares trombeteados, é distribuída gratuitamente para simular amplitude).

Na última edição, o valhacouto mais uma vez tenta me intimidar, com o ramerrão de sempre. Primeiro, me chamando de veado. Depois, forçando a violação da memória do meu pai. E, finalmente, dizendo (de novo) que me vendi a Jader Barbalho. Prova disso seria a publicação de “vários artigos assinados” meus que o Diário do Pará teria publicado.

O jornal do senador do PMDB publicou um único artigo meu. Não o escrevi para a publicação, mas para o jornal eletrônico da agência de notícias de O Estado de S. Paulo, onde tenho uma coluna semanal sobre a Amazônia. O Diário comprou a matéria diretamente da Agência Estado, sem meu conhecimento, que nem era necessário: qualquer um pode se habilitar a receber o material.

O problema é que o Diário não deu o crédito da origem do artigo, condição exigida pela agência e por mim cobrada. Foi esse o único artigo publicado até agora. Se o jornal reproduzir os demais, não haverá nenhum problema, desde que as regras de publicação sejam seguidas.

Até pessoas que eu supunha terem discernimento vieram me perguntar se eu havia sido contratado pelo jornal do presidente do Senado. Para elas e as outras em igual situação, está feito o esclarecimento.

Para toda a sociedade paraense, faço eu o desafio: esse Jornal Popular representa algum de seus segmentos? Tem algum tipo de utilidade para a causa pública? Além dos Rodrigues, dos Aguilera e dos demais que lá aplicam seu dinheiro, sabendo que o retorno comercial é zero, se lixando para os dramas pessoais que estão induzindo, alguém se identifica com a publicação?

Caso todas as perguntas tenham resposta positiva, já está na hora de retirar o oxigênio artificial do tubo de alimentação desse paciente terminal e deixar que ele se extinga em sua própria lama. Ou no outro tipo de alimento, ainda mais fétido e nojento, do qual se vale para vegetar. E que o define, como aos seus patronos e padrinhos.

(O Jornal Popular de Silas Assis acabou.)

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