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Política

A morte da primeira dama

A morte de Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vai servir de termômetro sobre a tolerância e a civilidade na vida política atual. Ela foi atacada e ofendida pelas redes sociais, numa dessas manifestações de selvageria e violência de que o Brasil oferece exemplos a cada novo dia. O drama que ela viveu, até o reconhecimento, hoje, da sua morte cerebral, devia ter contido esses ímpetos primários. Não podiam ignorar a dignidade de cada pessoa possui.

A posição inversa também pode ser muito negativa. Fazendo sua interpretação pessoal do acidente cerebral que vitimou sua esposa, Lula avançou muito além do que lhe podiam servir de arrimo as informações dos médicos para dar um sentido político ao fato, já buscando um sentido utilitário à memória da esposa – e ao legado que dela se formará.

“Eu acho que a pressão e a tensão fazem as pessoas chegarem ao ponto que a Marisa chegou. Mas isso não vai fazer eu ficar chorando pelos cantos. Vai ficar apenas batendo na minha cabeça, como mais uma razão para que a luta continue”, disse o ex-presidente a representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens, em São Paulo.

Para preservar e respeitar as pessoas, e também contribuir positivamente para o avanço da vida democrática no país, seria desejável que as pessoas públicas pensassem no que irão dizer e se empenhassem em se aproximar da verdade antes de se manifestarem sobre a morte da ex-primeira dama.

O Brasil, penhorado, agradecerá.

 

Discussão

30 comentários sobre “A morte da primeira dama

  1. Me causa mal estar perceber as pessoas tripudiando em cima da morte de uma idosa. Nada justifica o ódio, o rancor, a zombaria. Quem estava enferma não era a ex primeira dama enrolada com a justiça, quem estava lá acamada era uma mãe, avó, tia, esposa. Há pessoas sofrendo pela morte de Marisa e outras tantas rindo da desgraça alheia.Foi desumano essa falta de empatia de muitos.

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    Publicado por Hiran Martins | 2 de fevereiro de 2017, 13:22
  2. Acho que Lula, como companheiro de 43 anos e viúvo de Marisa, tem direito de falar o que quiser nesse momento.
    Independente de sua posição pública e nossas discordâncias, há que se respeitar a dor humana e o luto.
    Assutadoras são as.falas terceiras, de ódio e de desrespeito. Assustador é ver carros buzinando na frente do Sírio Libanês pedindo para que Marisa morresse logo.
    Estou embrulhada com tamanha falta de empatia e solidariedade nas ruas e nas redes sociais.
    Nem para meus piores desafetos eu desejaria esse tratamento.

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    Publicado por Paloma Franca Amorim | 2 de fevereiro de 2017, 13:35
    • A dor da família de dona Marisa devia ser sagrada. Mesmo os maiores críticos do PT e do Lula deviam se submeter a esse teste de civilidade. O Lula tem o direito de dizer tudo que quiser em matéria de privacidade e deve ser acatado. A dignidade da pessoa deve ser respeitada integralmente. Essas hordas de fanáticos deve ser isolada. Mas na hora de tratar de temas públicos, Lula também deve seguir uma regra de prudência e ponderação. Cabe “as pessoas de boa vontade atuar para evitar o paroxismo da crueldade. O luto é sagrado.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 2 de fevereiro de 2017, 16:38
  3. Um exemplo cristalino da capacidade do cônjuge sofrer catarse pelo companheiro(a).

    Antes fosse pela obstinação do ex-presidente por suas convicções ideológicas. Os sinais do colapso físico são silenciosos, mas somaram-se aos ataques dos intolerantes, toxina que coração ou cérebro não têm calibre para suportar.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 2 de fevereiro de 2017, 14:46
  4. Perfeito o comentário de Paloma: Lula tem pleno direito de expressar o seu luto. Ponto.

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    Publicado por Cintia Moura | 2 de fevereiro de 2017, 15:27
  5. Pragmatismo ou não, seria interessante perceber que a opinião de Lula tende servir como resistência à “inquisição” que sempre reinou no país.

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    Publicado por Luiz Mário | 2 de fevereiro de 2017, 16:44
    • Tomara que seja assim. Mas pode ter efeito contrário. O melhor seria suspender temporariamente toda atividade pública e dedicar inteira atenção ao velório e sepultamento da esposa, no refúgio e aconchego da família e dos amigos mais próximos. Depois, de volta à estrada.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 2 de fevereiro de 2017, 16:51
  6. É triste ver o próprio Lula não respeitando a memória da sua esposa em público. Como ex-presidente da República ele deveria ter a sensibilidade de se portar como um verdadeiro estadista em momento de luto.

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    Publicado por Jose Silva | 2 de fevereiro de 2017, 17:02
  7. Parece que qualquer que fosse a opinião de Lula a mesma seria usada contra ele, na tentativa de satanizá-lo, afinal, parece que o homem só descansará após sua morte. Parece…

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    Publicado por Luiz Mário | 2 de fevereiro de 2017, 18:40
    • Não é bem assim. Ao menos não neste blog.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 2 de fevereiro de 2017, 18:51
    • Não necessariamente. Ele poderia ter dito que Marisa foi uma grande companheira, uma lutadora, etc. Que ele agradece os votos de sentimentos da população brasileira e que quer uns dias de reflexão para absorver a perda. Coisa simples, de estadista, de um ex-presidente.

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      Publicado por Jose Silva | 2 de fevereiro de 2017, 18:55
      • Talvez se ele estivesse sendo tratado como um estadista, ou ainda, que não tivesse tendo este momento tão íntimo sendo violado por tantos e de forma tão desumana seria fácil ele agir como um estadista.

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        Publicado por Bruno Carneiro | 2 de fevereiro de 2017, 22:14
      • Não, Bruno, é muito difícil agir como estadista. Basta ler a biografia de estadistas como Churchill ou, ao lado dele, De Gaulle, ou Roosevelt, todos contemporâneos, vitoriosos e derrotados, mas sempre pensando além dessas circunstâncias da vida.O homem público tem que formar têmpera para suportar os golpes, que serão inevitáveis. Em escala microscópica, apenas para um exemplo bem doméstico, quantas vezes fui ofendido – aqui e em outros espaços onde exerci meu ofício – e jamais respondi baixando o nível? Pode-se ser enérgico e agir duramente sem perder o principal parâmetro para quem desce à planície: o respeito – a si e ao outro. Ao público, na forma ativa da sociedade. E, no meu caso, é apenas o de um repórter de província. Um estadista é milhões de vezes mais.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 3 de fevereiro de 2017, 08:05
  8. Sabemos que se trata de um ser humano mas francamente, não precisamos ser tão hipócritas. Quem fez a MERDA, tem mais é que ficar calado. Ver FHC alí, é nojento. O povo é que sempre se F…

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    Publicado por Fred pombo | 2 de fevereiro de 2017, 23:02
    • FHC, como Lula, tem um passivo enorme. Mas também tem um ativo marcante. Sob sua presidência o Brasil voltou a ter moeda e a inflação foi contida pelo maior plano anti-inflacionário já aplicado em qualquer país do mundo. Ele privatizou, privatizou errado, privatizou barato, detononou a praga da reeleição e etc e etc. Mas o Brasil mudou com ele. Sem essa mudança, talvez Lula tivesse amargado a quarta derrota. As três anteriores foram providenciais para ele, crédito da sua incrível estrela.
      Lula se beneficiou da estabilização do Brasil. Boa parte do que ele fez (e fez mesmo) é crédito de FHC. O débito que ele deixou se traduziu na Dilma. Compare 2002 com 2016, em que o mal de Temer ainda é resíduo desse desastre chamado Dilma.
      Aliás, mesmo que ela fosse competente (e não foi; foi pessoalmente honesta e razoavelmente bem intencionada, mas um desastre naquilo que devia ser sua excelência: a gestão do país), é pouco provável que conseguisse desfazer o nó górdio. Nem a espada.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 3 de fevereiro de 2017, 08:26
  9. Concordo com você, Paloma .

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    Publicado por Marly Silva | 2 de fevereiro de 2017, 23:31
  10. O POVO BRASILEIRO E COVARDE E RETARDADO DE FICAR ADMIRANDO MARGINAIS LADRÕES /SAQUEADORES DO DINHEIRO PUBLICO ..MARISCA ESTA ACERTANDOSUAS CONTAS COM O CAPETA ESTA HORA …PREFEREM CHORAR POR VAGABUNDOS SOCIOPATAS MARGINAIS DO QUE CHORAR PELOS IRMÃOS ASSASSINADOS PELA CORRUPçÃO DA QUADRILHA DO FEDORENTO VAGABUNDO MENTIROSO LULADRÃO …..BANDO DE R ETARDADOS …

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    Publicado por plinio dairado | 3 de fevereiro de 2017, 00:42
  11. Lúcio concordo com você em relação ao seu comentário sobre o homem público. Quis apenas evidenciar o momento pelo qual o ex-presidente está vivendo, sendo ele um estadista ou não. Levando para escala microscópica como você exemplificou, eu acredito que ofensas direcionadas a mim eu saberia lidar muito bem, porém quando direcionadas ao meu rebanho (filhos) ou ainda a minha esposa, não sei se conseguiria reagir da mesma forma. Um grande abraço.

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    Publicado por Bruno Carneiro | 3 de fevereiro de 2017, 11:15
  12. E que tal se nos colocássemos no lugar do casal para pensar o que eles conversariam sobre uma situação como a atual? Suponho que está havendo uma tempestade num copo d’agua.

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    Publicado por Luiz Mário | 4 de fevereiro de 2017, 12:38

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