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Imprensa

E no entanto, prosseguimos

Do lado de fora, uma quase inatividade. Do lado de dentro, um sábado cansativo, a escrever o Jornal Pessoal. Antes, eu passava uma semana e meia acumulando informações, a partir de uma pauta extensa. Em quatro ou cinco dias, selecionava os assuntos, escrevia tudo, editava e colocava na rua um novo jornal. Praticamente de um só fôlego.

Hoje, os dias avançam e eu vou ficando para trás. Quando consigo emergir, o prazo já passou e a edição está novamente atrasada. Respiro, me inspiro, suspiro e vou à luta me sentindo enfraquecido a cada novo número do jornal. A energia que eu reservava a ele está sendo dissipada pelos blogs. Sendo diários, eles dão ainda mais trabalho. Sanguessugas alimentadas pela fé de ofício, predadores com as melhores intenções.

Como neste sábado, em que fiz o que pude e não dei conta do enorme recado que é ocupar as 16 páginas do JP, indo para a edição 625 em quase 29 anos e meio. Ele vende menos porque a crise do impresso é universal, as bancas estão desaparecendo, a distribuição é complicada, os leitores se acomodaram, os frequentadores da internet perdem o compromisso e a identidade com o produto e mais algumas razões para desistir.

É preciso olhar além da crise atual, que se apresenta com a aparência de insuperável. Mas ainda acredito que o jornal em papel terá que sobreviver, se não por outros fatores, ao menos por um: ainda é a melhor e mais segura forma de arquivar informações para o futuro.

Pode ser também fonte necessária para o presente se conseguir fazer eco pelas (e para as) redes sociais. Além do mais, transformando-o numa bandeira, ao lhe dar uma expressão única, ele marca posição. Vira símbolo e emblema, sensibiliza e mobiliza, é referência, programa, utopia.

Quando isso não acontece, o que fica é uma sensação de solidão, um gosto de derrota, um sopro frio de desilusão, a impressão de que o futuro já passou e dele não nos apercebemos. Ou, em relação a ele, temos a atitude do passageiro que perdeu o trem, que ainda vê no horizonte,m visível e inalcançável. Como eu sinto, olhando em volta, depois de um dia de trabalho que deixa na boca o gosto travo da lenda de Penélope e seu faz-e-desfaz todos os dias.

E no entanto, como no poema lido na juventude, prosseguimos. Como sempre.

Discussão

36 comentários sobre “E no entanto, prosseguimos

  1. A melhor forma de armazenar informação hoje é na “nuvem”. Se eu compartilhar essa postagem, já era! Um jornalista do seu gabarito não pode ignorar isso. O Jornal Pessoal está mais protegido aqui do que no papiro.

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    Publicado por Paul Nan Bond | 5 de fevereiro de 2017, 00:49
    • O Negroponte, do MIT, cobra em informática, diz que não. Ele imprime tudo do seu computador no papel. A Biblioteca Nacional de Paris, ao inaugurar sua nova sede, pensando como você, jogou fora muito papel. Depois se arrependeu, mas Inês já estava morta.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 5 de fevereiro de 2017, 09:33
      • Lembro os amigos que tiverem interesse em reler os fatos mais marcantes da sociedade que o Jornal Pessoal está disponível em http://ufdc.ufl.edu/AA00005008/00302/allvolumes , site da Universidade de Flórida, podendo as edições ser acessadas livremente. Estão disponíveis no formato original do jornal, para aqueles que preferirem imprimir.

        *Lúcio, só não entendi por que só até o ano de 2013.

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        Publicado por Paul Nan Bond | 5 de fevereiro de 2017, 14:17
      • Porque mudou o diretor da biblioteca, Richard Phillips, que iniciara a coleção, e eu, absorvido no trabalho por aqui, não mandei mais jornais. Vou retomar o envio porque é a única coleção do JP acessível digitalmente.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 5 de fevereiro de 2017, 16:26
  2. Lúcio, me desculpe, mas o bonde da história está passando e você nem acenou.

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    Publicado por Paul Nan Bond | 5 de fevereiro de 2017, 00:53
  3. Sugiro o Liceu JP, que possa tentar agrupar todos os meios de comunicação.

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    Publicado por Luiz Mário | 5 de fevereiro de 2017, 09:54
  4. “Lutar com palavras
    parece sem fruto.
    Não têm carne e sangue…
    Entretanto, luto.”

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    Publicado por Paloma Franca Amorim | 5 de fevereiro de 2017, 09:57
  5. Caro Lucio,
    Li teu post sobre o Jornal Pessoal, tempo, comunicação e solidão.
    Não tenho muito a dizer por recomendação, sugestão, conselho. Resta-me te desejar força em todos os sentidos. Fico triste. Então saiba que não estás sozinho nesse cenário. Vivo dúvidas, angústias. E solidão profissional, também.
    Parece que, atualmente, além de questões comuns a esta fase das nossas vidas, como a aposentadoria, vivemos a síndrome da tecnologia da comunicação a nos martelar e a desafiar dizendo como fazer; e que nos empurra, lidando com a Comunicação, para uma competição louca. Isso é apavorante! Principalmente quando áulicos de toda espécie vislumbram e verbalizam o apocalipses de quem estiver fora da tecnologia, já na próxima década.
    O jeito é enfrentar os paroxismos que a tecnologia gera. O Jornal Pessoal parece vítima desse fenômeno. Seus quase 30 anos parecem que não valeriam nada se de uma hora para a outra o papel realmente evaporasse, reformando (para pior. Quem está se preocupando com isso?) o sagrado e bom jornalismo.
    Força, amigo!

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    Publicado por NÉLIO PALHETA | 5 de fevereiro de 2017, 10:35
  6. Lúcio,

    Faz parte da vida. O importante é continuar produzindo e disseminando as suas idéias e conhecimentos das mais diversas formas, sem preconceito. Você gosta do papel, outros preferem ler no formato digital. O conteúdo é o mesmo e a transferencia de um formato para outro é mais fácil do que empinar rabiola (do papel para pdf é coisa de 1 minuto).

    Você se sente cansado porque tem muitas frentes ao mesmo tempo e a quantidade de informações que você recebe hoje é massacrante. Não tem como manter o mesmo ritmo. É preciso priorizar.

    Talvez seja melhor focalizar no que te oferece o maior retorno financeiro (afinal precisas pagar as contas no final do mês) e intelectual, que é produzir conteúdo. Deixe a tecnologia e outras pessoas fazerem o resto, que é espalhar as suas idéias pelo mundo.

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    Publicado por Jose Silva | 5 de fevereiro de 2017, 18:50
    • Obrigado pelas justas ponderações. O problema está sendo encontrar o maior retorno financeiro quando se opta pelo tipo de jornalismo que venho praticando.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 5 de fevereiro de 2017, 18:59
      • O jornalismo que você pratica tem clientela fixa e fiel, que vai além dos limites de Belém (várias pessoas comentaram sobre isso aqui). Entretanto, os seus produtos (com exceção dos digitais, que são acessados gratuitamente) são limitados à Belém. É isso que gera o descompasso entre o que você produz e o retorno financeiro. Quando esse equilibrio for encontrado, as coisas fluirão melhor. Creio que você precisa ter alguém para te ajudar na disseminação do conteúdo, mesmo que seja de forma voluntária. Isso já reduziria 70% do teu estresse.

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        Publicado por Jose Silva | 6 de fevereiro de 2017, 01:48
      • É verdade. Há dois problemas: qual é essa fórmula, que grandes empresas ainda testam; e criar uma alternativa profissional mesmo, não amadora. Na verdade, o JP, com os seus acompanhantes digitais, passa pelo fio da navalha.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 6 de fevereiro de 2017, 08:30
    • “Deixe a tecnologia e outras pessoas fazerem o resto, que é espalhar as suas idéias pelo mundo” compartilho e acredito ser uma oportuna, sadia, via. …

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      Publicado por valdemiro | 6 de fevereiro de 2017, 06:27
      • o “jornal” nr.01 que leio, não possui edição em papel, mas carrega/comenta links do que o jornalista pessoal , um JP, julga ser importante eu ler, sem contudo deixar de tecer sua própria teia. Julgo ser hora de teres discípulos ao teu lado ( e certamente existirão muitos que esperam abrires tua porta). Tua obra, teu viver, não deve acabar.

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        Publicado por valdemiro | 6 de fevereiro de 2017, 06:41
      • Mais uma vez obrigado, Miro. No entanto, o JP só está na ilharga dos 30 anos porque, do alto dos 21 anos na profissão que eu tinha em 1987 e 38 anos, cheguei à fórmula que se mantém até hoje. Qualquer custo adicional teria deixado o JP no meio do caminho, esmagado pela pedra que estava no caminho de Drummond.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 6 de fevereiro de 2017, 08:35
      • Vamos continuar a reflexão a respeito.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 6 de fevereiro de 2017, 08:33
  7. Lúcio , acompanho o JP desde de o seu nascimento . Portanto, não posso concordar que se atribua, dentre as causas de sua dificuldade atual, à ” crise universal do impresso” . O JP tem uma singularidade que escapa a mídia impressa em geral , e mesmo à mídia alternativa , e por isso mesmo sempre teve as suas crises pessoais .

    Acho que a queda atual nas venda esta fortemente relacionada à criação do Blog que é um poderoso concorrente , por razões que já foram expostas e repisadas aqui , como a gratuidade , o dinamismo ( o apetite das redes sociais pela novidade ) e o anonimato. Mas há uma outra razão silenciada que gostaria de colocar em evidência . Com o Blog o seu posicionamento politico-ideológico ficou muito mais à vista , você se expôs muito mais , coisa que não acontecia no JP , não nos termos do virtual . E expondo-se muito mais , desagradou mais a gregos & troianos que antes o admiravam e eram leitores do JP por conta desta admiração e tradição .Penso aqui sobretudo , nos seus leitores de identidade ideológica com os partidos de esquerda. Isso , associado ao ano atípico de um polêmico impeachment , Lava-Jato e eleições municipais …foi a meu ver o grande fator impactante .Mesmo eu que não sou “petista de carteirinha”, que nunca militei em partido politico,que sou critica da politica-partidária brasileira , que fui a favor do impeachment , pelo menos no primeiro momento , teve uma hora que não suportava mais ler repetidas vezes você arrasar com a ex-presidente Dilma , repisar a sua incompetência .Creio que isso tocou muito profundamente nas mulheres de um modo geral, que sempre lutaram por direitos iguais , direito na politica , e contra o machismo e a dominação masculina no nosso pais e no mundo. Então, o que fazem as pessoas nessas horas ? ” Quer saber, não vou mais ler esse cara , chega !” . Os donos de bancas de vista com quem eu costumo conversar comungam a ideia de que o Blog ” detonou ” no JP. Acho que você deveria ouvi-los , conversar com eles , ver o que os seus clientes dizem .
    Por outro lado , vivemos uma onda muito interessante no campo cultural , de ” produções coletivas” , das pessoas quererem se juntar para tocar projetos em comum, um retorno da ideia de comunidade cultural, contra o individualismo e o exacerbamento da competição negativa entre as atores sociais , agentes da cultura . Portanto, para essa geração, mais jovem, soa estranho um ” Jornal Pessoal “, sacou ? (rs)

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    Publicado por Marly Silva | 5 de fevereiro de 2017, 20:30
    • Está registrada a sua avaliação, que respeito e acato.Pode ser que o JP tenha se tornado anacrônico, ultrapassado, fora da rota da história. Pode ser que minhas opiniões desagradem muito mais do que antes, ou que, como você sugere, a exposição mais intensa tenha destacado minhas limitações e falhas. Mas se esse é o preço para fazer o que considero certo e coerente com mais de meio século de exposição permanente diante da opinião pública com meu jornalismo, que, na essência, no seu conteúdo, não mudou, então vou pagar o preço devido. Vou continuar a fazer o que a consciência me dita e meu profissionalismo me impõe. E chegar ao fim sendo quem sou, repórter, e fazendo o que sempre fiz, jornalismo.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 5 de fevereiro de 2017, 21:02
    • Concordo e acredito que além do exposto acima, o escriba tenha cada vez menos saído às ruas, o que prejudica suas análises de gabinete e tira o “calor” necessário a esta publicação.

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      Publicado por Carlos André | 6 de fevereiro de 2017, 14:51
      • Ando todos os dias pelas ruas de Belém (não uso carro particular) e por onde passo. E todos os dias faço uma ronda com minhas fontes. Mas posso não estar andando o necessário. Para me ajudar a melhorar, me aponte as deficiências das minhas análises causadas por essa lacuna. Desde já, obrigado.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 7 de fevereiro de 2017, 08:45
      • Infelizmente não tenho tempo de retomar as centenas de textos e fazer uma análise. Mas é questão de sensibilidade. Acredito que o jornalista tenha passado de repórter a colunista (quase cronista).

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        Publicado por Carlos André | 10 de fevereiro de 2017, 10:21
      • Talvez eu esteja desempenhando as três funções. Uma não exclui a outra. Aliás, fui isso na maior parte da minha carreira. E continuo assim. Escrevendo nos espaços que assino e contribuindo com vários outros colegas, anonimamente, quando solicitado.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 10 de fevereiro de 2017, 10:35
  8. Talvez um pulo. Pensar/criar o jornal digital. Transformar as ilhas (JP e o blog) em uma península. Como acredito que ainda não consigas viver só de ar e água, um JPd, com assinatura paga. ( reserva a assinatura nr.0001, pour moi) . Paz e saúde

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    Publicado por valdemiro | 6 de fevereiro de 2017, 06:13
    • Obrigado, Miro. Quem seguiu por essa trilha até agora precisou de fundos extras (subsídio) para experimentar a opção.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 6 de fevereiro de 2017, 08:33
      • Lucio,

        Tens que olhar as proporções. Quem precisou de fundos extras precisava construir a sua própria plataforma devdisyribuicao, incluindo criar ou mudar um website, manejar milhares de assinaturas, receber o dinheiro via cartao de credito, etc. Você não precisa fazer nada disso, pois as plataformas de distribuição já existem. Basta usá-las. Você não precisar dominá-las. Basta pedir alguém da nova geração fazer isso para você, pois para eles é tudo muito simples. Focalize o seu tempo na produção de conteúdo.

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        Publicado por José Silva | 6 de fevereiro de 2017, 09:54
      • Obrigado pela luz.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 6 de fevereiro de 2017, 10:41
  9. Também concordo com Valdomiro, creio que mesclar com o digital pago seria uma saída pelo menos pra mim que não estou em cidades como Castanhal, que sempre quando visito uma das primeiras atitudes é ir a banca de jornal comprar o JP. Aprendo muito com a leitura direta e incisiva do JP, para lutar contra oligarquias políticas que se insurgem em minha cidade Ipixuna do Pará.

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    Publicado por Laudyson J B Araújo | 6 de fevereiro de 2017, 18:51
  10. Creio que a série “História na Chapa Quente” poderia ser transformada em livro, periódico ou mesmo em um livro digital para ser comercializado na Amazon. Creio que teria demanda. Afinal, são arquivos históricos.

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    Publicado por Jonathan | 6 de fevereiro de 2017, 19:49
  11. Caro Lúcio, sinto angustia em pensar no fim do JP impresso. É fato que o avanço dos meio de comunicação despertou nas pessoas a necessidade de expor suas opiniões sobre uma informação recebida. É aí que percebo o principal diferencial do Blog: Assim como todo impresso o JP que circula nas bancas transmite a mensagem ao leitor, mas não tem função auditiva para ouvir os comentários dos leitores que foram sacudidos pela matéria e estão (como quem come Jambú) ansiosos para se pronunciar à respeito dos assuntos abordados.

    Minha sugestão é que fosse criada a oportunidade (ainda que esporádica) de o JP impresso se reunir em roda informal, com seus leitores, em uma banca ou livraria que seja ou que possa se tornar referência na venda deste impresso. É a ideia de um bate papo informal mesmo. Isto fortaleceria a identidade do JP impresso e o vinculo de seus leitores com o mesmo, uma vez que ele atenderia a demanda do leitor que atualmente só é acolhida no blog.

    Esta é minha fórmula. É claro que falo olhando de fora, não conheço as suas correrias pessoais. Mesmo assim fica a humilde sugestão.

    Abraço!

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    Publicado por Fabiano | 7 de fevereiro de 2017, 08:21
    • Uma prova de que sua sugestão é boa que já fiz isso. Toda semana reunia um grupo de pessoas interessadas em temas amazônicos em palestra que fazia na sede da Embratel (estatal na época), com ingresso pago a preço inferior ao de um ingresso no cinema. Foi uma boa experiência, mas parece que o problema é a continuidade, por diversos fatores, inclusive a falta de persistência dos interessados.
      Vou pensar numa reedição, talvez na banca do Alcino, na praça da república, num dia de semana. O ingresso seria um exemplar do JP.
      Lembro que uma das seções do jornal a que dou importância maior é a de cartas. Eventualmente, transformo a carta do leitor num artigo e o publico como tal. Todas são publicadas na íntegra. Corrijo eventuais erros e dou formato atraente para que sejam lidas.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 7 de fevereiro de 2017, 08:56
  12. Banca do Alvino, foi exatamente no que pensei.

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    Publicado por Fabiano | 7 de fevereiro de 2017, 11:24

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