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Cidades

Quando as árvores caem

Em menos de uma semana duas mangueiras de grande porte caíram em Belém. Elas estavam distantes apenas três quarteirões, em Nazaré, um dos bairros mais valorizados da cidade. Por sorte, não houve vítimas humanas. Mas o susto foi grande para quem estava próximo e algumas pessoas sofreram prejuízos materiais. Ainda fora do período de mais intensas chuvas, é uma fonte de preocupação e ansiedade para quem circula pelas áreas mais arborizadas da capital paraense.

É também um alerta e uma fonte de cobrança. Sempre que essas quedas acontecem, junto vem o questionamento: foi uma fatalidade ou o desabamento das frondosas árvores podia ser evitado? Raramente tem-se uma resposta – ou porque ela simplesmente não é dada ou então não é cobrada.

Nos dois caos, é irresponsabilidade dos órgãos públicos e falta de consciência dos cidadãos. O quadrilátero das mangueiras, como pode-se denominar essa área de intensa presença dessa espécie, se beneficia da opção por essa arborização. Mas com a intensificação do tráfego de veículos, o adensamento das intervenções humanas e o ataque de pragas e insetos, além da vegetação predadora, o risco de queda tem aumentado. Em proporção inversa, a importância que essa arborização devia merecer só diminui.

Há anos repito a sugestão para a criação de uma guarda florestal urbana, integrada por crianças e adolescentes, combinada com escola e centro de treinamento. Sua missão seria tratar permanentemente das árvores, executar os serviços botânicos e fitossanitários e coletar as mangas antes que elas caiam.

A resposta é o completo silêncio. Ou melhor, a falta de resposta. É a ocasião de o Ministério Público intervir para cobrar as responsabilidades e exigir as medidas do poder público para tratar das árvores e proteger os cidadãos. O problema é tão antigo quanto a omissão das autoridades e o comodismo dos moradores de Belém.

 

Discussão

10 comentários sobre “Quando as árvores caem

  1. Ficam com esse negócio de podinha aqui, podinha ali, e acham que brotos e folhas novas bem verdinhas significam saúde no vegetal, quando muitas vezes o que se vê e tronco grosso demais (indicando mangueira velha – e com cupim) e até com a raiz levantando a calçada, vergando na velocidade de uma unha crescendo. É só tirar as mais velhas e comprometidas e replantar? Pode ser. Mas bem embaixo da fiação? Aí vem a Celpa fazer aqueles cortes belezuras que deixam a árvore parecendo uma forquilha? Ah, deixa que daqui a 100 anos nossos descendentes se preocupem com isso (se não morrerem esmagados). Cidadãos já estão cansados de mandar ofício à SEMMA.
    Por falar nisso, Belém tem engenheiro na área? Parece que não…

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    Publicado por Paul Nan Bond | 8 de fevereiro de 2017, 00:03
  2. O descaso, a falta de planejamento e de cuidado com o meio ambiente roubaram de Belém o título emblemático de “Cidade das Mangueiras”. Até isso!
    A queda já rotineira das frondosas árvores é resultado da má administração, havendo tecnologia adequada para se cuidar da arborização urbana.
    Hoje, é o que me informam, Brasília é a cidade brasileira que tem na arborização o maior número de mangueiras. De tal forma, que o título de Belém é só história.

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    Publicado por NÉLIO PALHETA | 8 de fevereiro de 2017, 07:07
  3. Se alguém fazer um estudo para calcular a área verde da Belém urbana (excluindo as ilhas) tenho certeza que teremos a menor porcentagem de área verde por habitante entre todas as grandes cidades brasileiras. Antes os corredores de mangueiras e as árvores nos quintais formavam corredores que conectavam o Museu e o Bosque e essas áreas com o Utinga, facilitando o fluxo da fauna. Esses corredores desapareceram, pois os quintais foram substituídos por prédios e as mangueiras estão desaparecendo. Somos uma maravilha mesmo. Nem de algumas poucas árvores conseguimos tomar conta. Inúteis mesmo.

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    Publicado por José Silva | 8 de fevereiro de 2017, 08:45
  4. Realmente Lucio. Caso grave essa situação de nossas arvores. Inclusive é um absurdo a infestação de pragas e outras ervas daninhas em nossas mangueiras. Já passou-se o tempo do poder público municipal intervir no combate as pragas que estão enfraquecendo as nossas arvores urbanas.

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    Publicado por ALVARO MAIA | 8 de fevereiro de 2017, 10:22
  5. Belém, a cidade que morreu. Até as mangueiras.

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    Publicado por Edyr Augusto | 8 de fevereiro de 2017, 14:12
  6. Lúcio, estamos no velório da cidade. Não suportou. Ninguém suporta.

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    Publicado por Edyr Augusto | 8 de fevereiro de 2017, 14:14
    • É hora de morrer ou ressuscitar. Quem decide somos nós. Com nossa omissão ou nossa participação. Está ficando insuportável viver em Belém. Já ficou insuportável ser governado por gente tão medíocre. Como essa gente foi eleita por nós, em tese, está na hora de cobrar tudo que não foi feito e o prometido que foi esquecido.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 8 de fevereiro de 2017, 14:58
  7. Quando sairemos dessa letargia? Eu faço minha parte.

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    Publicado por Edyr Augusto | 8 de fevereiro de 2017, 18:21

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