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Política

O papa e Jatene

Para tentar calar previamente os críticos, ao pedir autorização legislativa para se ausentar do Brasil, na semana passada, o governador Simão Jatene tratou de esclarecer que sua viagem a Roma seria custeada por ele mesmo.

Do seu bolso também sairia o dinheiro para pagar as despesas da primeira dama, que o acompanharia. Apenas um integrante da Casa Militar seguiria na pequena comitiva, “cumprindo determinação expressa no regulamento da instituição do Estado”. Seria o único ônus para o erário.

Tudo bem? Não exatamente. O acompanhante militar deverá permanecer 14 dias no exterior, com diárias em dólar. Era preciso tanto? Qual o valor final desse encargo?

O problema principal não é o custo da viagem. É se caberia ao governador fazê-la neste momento. A justificativa para a sua ida a Roma foi ser recebido hoje pelo papa Francisco  em audiência coletiva (também estive numa sem ser autoridade qualquer; fui recebido depois, no palácio Quirinal, em audiência privada, que demorou mais do que o previsto, pelo então presidente Scalfaro, que autorizou uma rara incursão aos famosos jardins do palácio).

Na verdade, a presença na audiência foi pedida pelo ex-arcebispo metropolitano de Belém, agora do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta. Ele foi notícia quando Marcelo Crivella, ainda como candidato a prefeito do Rio de Janeiro, disse que recebia mensagens de apoio pela internet de dom Orani.

Enquanto se aproximava do bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, chefiada pelo bispo Edir Macedo, o arcebispo católico proibia os religiosos sob a sua jurisdição se assumirem posição político-partidária, justamente quando um grupo de padres manifestava apoio a Marcelo Freixo.

No mês passado, já como prefeito do Rio, Crivella autorizou um convênio de pouco mais de um milhão de reais com a Mitra, para “apoio operacional” dos eventos culturais da Arquidiocese. Retribuição do bispo ao arcebispo?

No caso do governador do Pará, haverá alguma retribuição semelhante pelo gesto de colocá-lo diante do papa para poder convidar o sumo pontífice a ver o Círio, em outubro deste ano ou, melhor ainda, do próximo, quando haverá eleição geral, incluindo o cargo para o qual Jatene não poderá mais se candidatar, por tê-lo ocupado por dois mandatos sucessivos (e um primeiro alternado)?

Tudo se tornará pequeno se o cansado governador se encher de fé e energia para não permitir que a matança de 28 pessoas, possivelmente por colegas de farda do sargento Rafael Costa, da Rotam, permaneça impune por um mês inteiro, na semana que vem. Se não houver intervenção divina, ao que parece, Jatene continuará a fazer o que mais tem realizado neste seu último mandato como governador: nada.

Discussão

8 comentários sobre “O papa e Jatene

  1. Ridículo: simplesmente ridículo. Mostra que não temos governador. Apenas um enfeite.

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    Publicado por Fábio reis | 8 de fevereiro de 2017, 23:24
  2. Lúcio,

    Precisamos entender. Nosso governador está panema. Para se livrar da uruca ele precisa se benzer. Já que a benção do bispo nós resolve mais, o jeito é se queixar ao Papa. É isso que ele está fazendo. Tudo explicado. É para o bem da população paraense..:)

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    Publicado por José Silva | 9 de fevereiro de 2017, 01:21
  3. Pra mim é quase impossível o Papa vir a Belém pro Círio. Não pelo falso argumento de que o Círio é grandioso e reúne 2 milhões de pessoas( contagem essa que está longe da realidade),mas porque religião e politica se misturam cada vez mais e nós estamos sem prestígio.

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    Publicado por Hiran Martins | 9 de fevereiro de 2017, 01:38
  4. É a mentalidade religiosa tentando ser usada como tapete. Ou há alguma dúvida?

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    Publicado por Luiz Mário | 9 de fevereiro de 2017, 08:41
  5. problema que depois de tocar no governador o papa vai ficar cheio de problemas…coitadinho do papa nao merecia encontrar-se com tal traste…

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    Publicado por marcos | 9 de fevereiro de 2017, 11:21
  6. Infelizmente a política paraense está de mau a pior.Como dizia Almir Gabriel, Jatene e p reguicoso.. ..e Zenaldo parece acompanhar o Governador nesse quesito.

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    Publicado por Ana Neusa | 9 de fevereiro de 2017, 12:39
  7. Religião + Politicagem = Corrupção.

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    Publicado por Luiz Mário | 9 de fevereiro de 2017, 18:31

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