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Agricultura, Política

No meio, a política (como sempre)

Helder Barbalho está dando uso intensivo ao seu cargo de ministro da Integração Nacional, com sua extensão na Sudam e no Banco da Amazônia, suas principais ferramentas de ação. Ele monta agenda de intensas atividades, que seriam só de propaganda e ação política, em função da sua pretensão de disputar o governo do Estado na eleição do próximo ano,a se ele não repassasse verba ou entregasse obras, serviços e equipamentos, com recursos do governo federal. Tem essa possibilidade graças à relação do pai, o senador Jader Barbalho, com o poder central, ou, especificamente, com o presidente Michel Temer, do mesmo partido de todos eles, o PMDB.

Uma das mais mais recentes iniciativas do ministro foi participar da formalização de um empréstimo de 16 milhões de reais do Basa, através do FNO (o fundo constitucional de desenvolvimento para a região Norte). Ó objetivo é a implantação da primeira fábrica de suco de laranja do Pará, em Capitão Poço. Originalmente, o empreendimento, da Citropar, pertencia ao grupo Estacon. Os novos proprietários deram continuidade e ampliaram o projeto para a industrialização.

A proposta é de criar plantações de laranja, limão e tangerina em 250 mil hectares, ao longo dos próximos 10 anos, distribuídos por cinco municípios do nordeste do Pará, uma das suas áreas mais carentes e problemáticas. O mérito é evidente, sem ser inédito. Iniciativas semelhantes foram adotadas em relação ao maracujá, mamão, melão, guaraná e outras culturas. A expansão da área plantada viabilizaria a industrialização. O Estado deixaria a função colonial de exportar matéria prima. Nenhum deu certo. Esta dará?

Só acompanhando. Talvez por isso, embora integrando o governo Jatene, para o qual os Barbalhos são inimigos, o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Pesca do Estado, Giovanni Queiroz, que é político e controla o PDT estadual, foi ao ato, ficando ao lado de Helder Barbalho. Por acaso ou não, o deputado federal Nilson Pinto de Oliveira, do PSDB, foi a outra solenidade presidida pelo ministro do PMDB: a entrega de caminhões e lanchas a 96 dos 143 municípios paraenses, na sede da Sudam, em Belém.

Giovanni e Nilson também são aspirantes a mandatos políticos em 2018. Foram à toca inimiga com autorização do chefe, o governador, ou já se permitem essa liberdade e ousadia porque para Jatene é mais pernas pro ar que ninguém é de ferro? O governador se enfadou do seu ofício e não terá candidato à sua sucessão? Nesse caso, como se eleger senador e à filha, deputada federal? Ou voltará a alimentar o boato de um acordo sigiloso (e clandestino) com Jader para combinar interesses possíveis numa aliança formal ou informal?

Os destinos de Giovanni e Nilson depois do que fizeram poderá fornecer alguma pista para as respostas.

Discussão

15 comentários sobre “No meio, a política (como sempre)

  1. Prezado Flávio, essa é a primeira matéria que acompanho sua. Por sinal muito boa.

    Mais já é de se esperar um acórdão entre Jader e Jatene. Jader e Jatene nao podem os dois concorrer a vaga de senador. Isso seria ruim para os negócios. O mais certo que vai acontecer é que Jader deve passar a vaga de ministro que Hélder está para jatene e apoio a filha Isabela Jatene. Encontraponto Jatene deixa caminho livre para Hélder e pai serem senado e governo. Talvez já haja um acordo para que daqui a oito anos Isabela seja candidata a governo do estado. As incógnitas são zenaldo e adnan que ainda estão querendo ser governadores. Vão vê o desenrolar das negociações.

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    Publicado por Saulo mota | 12 de fevereiro de 2017, 12:43
  2. 250 mil hectares de plantações de frutas cítricas? São essas espécies bem adaptadas ao nosso clima? Temos espaço no mercado? Estas plantações não vão colocar mais pressão sobre os rios que já estão quase mortos? E o impacto dos agrotóxicos sobre a qualidade da água? Não seria melhor inovar e ter 250 mil hectares de sistemas agroflorestais produzindo produtos múltiplos e também frutos regionais para a produção de sucos e polpas? É por isso e por outras que o Pará não se desenvolve de forma sustentável. É tudo feito sem planejamento adequado de como usar os nossos recursos naturais.

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    Publicado por Jose Silva | 12 de fevereiro de 2017, 12:49
  3. Candidato do PSDB será Adnam. Se vai vencer ou não é outra questão. Nilson quer ser senador, mas não tem cacife. Se os nossos eleitores tiverem um pouco se senso, Giovanni não se elege nem para síndico de prédio.

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    Publicado por Jose Silva | 12 de fevereiro de 2017, 12:51
    • Será? Há muitos aspirantes ao cargo. Flexa, senador mais votado em 2010, é um deles.

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      Publicado por Jonathan | 13 de fevereiro de 2017, 20:12
      • Esse também não se elege nem para sindico. Ele sabe disso. Um dia desses ele queria reduzir unidades de conservação para facilitar a vida de alguns latifundiários ilegais no sul do Pará. Quando essas coisas forem realmente colocadas a público, ele não sobrevive ao primeiro debate.

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        Publicado por Jose Silva | 14 de fevereiro de 2017, 13:26
      • Com exceção de Zenaldo, acredito que qualquer um que o PSDB coloque estará no páreo. A rejeição a Hélder é imensa na Grande Belém, maior colégio eleitoral do estado. Até mesmo pessoas ditas de esquerda votam no PSDB para não votarem em Hélder. Vi muito disso em 2014.

        Vi petistas – até os mais radicais – declarando voto em Jatene para não votar em Barbalhos. Meses depois, a Dilma deu um ministério para Hélder hahahaha.

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        Publicado por Jonathan | 14 de fevereiro de 2017, 22:15
      • Hoje, Belém só representa 20% do colégio eleitoral do Pará.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 15 de fevereiro de 2017, 13:57
      • Belém ou a Grande Belém que inclui Ananindeua, Marituba e Benevides?

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        Publicado por Jonathan | 15 de fevereiro de 2017, 15:44
      • Não entendi, Jonathan.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 15 de fevereiro de 2017, 18:58
      • Existe Belém e a Região Metropolitana de Belém, a “Grande Belém” que inclui os municípios conurbados: Ananindeua, Benevides, Marituba, Benevides e Santa Bárbara. Perguntei se a percentagem que você citou corresponde à toda Região Metropolitana.

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        Publicado por Jonathan | 15 de fevereiro de 2017, 23:35
      • Não, é só Belém.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 16 de fevereiro de 2017, 08:27
  4. Apenas uma observação: a politicagem ao invés da POLÍTICA. Afinal, a primeira é a “mão invisível” da corrupção que a tudo devora….

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    Publicado por Luiz Mário | 13 de fevereiro de 2017, 11:18
  5. Ou morrem os bandidos políticos profissionais ou morre o povo.

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    Publicado por Luiz Mário | 15 de fevereiro de 2017, 10:34

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