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Economia, Minério, Trabalho

Façanhas e falhas da “indústria”

A região de Carajás só conquista a atenção da opinião pública paraense quando saem as estatísticas mensais que apontam o Pará como líder ou um dos líderes do crescimento industrial no Brasil. A imprensa abre manchetes para o fato. O cidadão comum há de se questionar nesses momentos: afinal, cadê a indústria que cresce tanto?

 

Ela não está em Belém nem na sua região metropolitana. Passa longe da esmagadora maioria dos municípios paraenses. Na verdade, ela se concentra nos municípios no entorno ou dentro da província mineral de Carajás, no sul do Estado.

 

Na verdade, não são indústrias no rigor da definição. São satélites da mineração, que é a responsável por mais de dois terços das exportações do Pará e a maior fonte de renda. E pelo Estado ser província de commodities e de energia do país e de alguns centros mundiais.

 

Quando esse polo mineral cresce, os números atribuídos à “indústria” sobem também, como agora, por efeito do aumento do preço do minério de ferro, o principal produto da economia nativa. Soltam-se foguetes e comemoram-se façanhas.

 

Nula ou, no máximo, mínima é a atenção dada a outros fatos, como os constantes acidentes de trabalho nessas frentes econômicas intensivas, em algumas delas com três turnos, em atividade 24 horas por dia. Ontem, mais uma vítima desse descompasso entre a riqueza gerada e a sua distribuição entre os que a produzem.

 

Eram seis horas da manhã, quando o eletricista José Joaquim dos Santos Filho, de 29 anos, recebeu uma carga de energia de mil volts quando fazia a manutenção de uma das pontes rolantes da laminação da Sinobras (Siderúrgica Norte Brasil), em Marabá.

 

O operário morreu eletrocutado. A área foi imediatamente isolada e evacuada. Só mais de quatro horas depois é que chegou uma equipe do Centro de Perícias Renato Chaves para remoção o corpo e fazer a perícia no local.

 

Só depois a empresa, que tem sede em Fortaleza, no Ceará, distribuiu uma nota, comunicando o acidente fatal, “com profundo pesar”. Aproveitou para anunciar que “está tomando as devidas providências e dando todo o apoio necessário aos familiares, com os quais se solidariza neste momento de tristeza e dor”.

 

Será que a empresa e o governo estão dando a atenção devida a essas “indústrias” do setor mineral paraense para impedir que esses momentos tristes continuem a se repetir, sem atrair para sio a atenção da opinião pública paraense?

Discussão

4 comentários sobre “Façanhas e falhas da “indústria”

  1. Lucio,

    Nao entendi. São indústrias ou não? Se beneficiam o minério, então são indústrias, não é verdade? Como o crescimento do setor é medido? Por produção ou por venda? Se por venda, então o crescimento é de araque, pois foi somente reajuste de preço.

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    Publicado por José Silva | 14 de fevereiro de 2017, 23:46
  2. Seriam elas o biombo para a corrupção, como ocorre com o petróleo que levou o Rio e o Espírito Santo à crise?

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    Publicado por Luiz Mário | 15 de fevereiro de 2017, 10:31
  3. Nestes casos, fatídicos, a equipe de técnicos de segurança do trabalho, atuam, no intuito de assegurar que não ocorra novos acidentes fatais.

    E, entre os agentes que deveriam agir para a defesa do proletariado, se inserem os sindicatos dos trabalhadores, perspicazes em cobrar o pecunio mensal para a conta corrente do sindicato.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 15 de fevereiro de 2017, 11:17

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