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Cidades

Belém afunda

A forte chuva de hoje carregou consigo a validade do projeto de macrodrenagem das baixadas, a maior intervenção da administração pública na história recente de Belém. Quase todos os canais concretados, que substituíram as vias de drenagem natural da cidade, extravasaram, cobrindo tudo com suas águas extremamente poluídas, arrastando lixo, interditando áreas, ameaçando a tranquilidade e a saúde dos moradores. Dizer que Belém afundou deixou de ser retórica. Ela submergiu mesmo.

A macrodrenagem, obra dos anos 1990, entre Jader Barbalho e Almir Gabriel, defasou. Não só pelo modelo errado que ainda se adota na cidade, que fica a apenas quatro metros do nível do mar em boa parte do seu território municipal, como pela falta de continuidade e de manutenção. As novas investidas, na Estrada Nova e no Tucunduba, são medíocres em comparação com o tamanho do desafio que essas áreas impõem à engenharia e à capacidade gerencial dos seus responsáveis.

O governo caminha a passo de cágado numa capital cujos problemas aumentam exponencialmente, É sofrível na ação na pequena área de terra firme, por onde passam as vias de trânsito de veículos, e lamentável nas áreas alagadas e alagáveis. A água, em geral poluída, por não escoar, e volumosa, por estar sendo barrada num terreno de baixa declividade natural, avança sobre o ambiente e as pessoas.

O dilúcio chegou e Belém não está preparada para enfrentá-lo. Serão meses difíceis os que se avizinham.

Discussão

11 comentários sobre “Belém afunda

  1. Lúcio, o canal da baixada do Marco que corta as travessas Barão do Triunfo, Mauriti, Estrela, Timbó e Vileta foi feito pelo projeto da Macro-Drenagem. Sabes me informar? Porque aquilo foi uma péssimo serviço.

    O canal é razo demais e transborda facilmente. Para piorar, a rua do canal é um declive, o que facilita que as casas fiquem todas no fundo.

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    Publicado por Jonathan | 18 de fevereiro de 2017, 23:30
  2. Bem, com a subida prevista do nível do mar, parte de Belem vai afundar mesmo. Nem adianta mudar para Miami Beach, porque lá também afundará. O melhor lugar para morar no Pará será a Serra dos Carajás.

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    Publicado por José Silva | 18 de fevereiro de 2017, 23:57
  3. Difícil para os pobres, sempre.
    Os que estão nas torres , nos terrenos de cota alta , nos bairros centrais , no planalto, nem se dão conta do problema , a não ser como imagem-espetáculo na telona .
    É assim no Brasil inteiro da desigualdade sócio-espacial, ambiental, sanitária .

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    Publicado por Marly Silva | 19 de fevereiro de 2017, 21:05
  4. Senhores 70% da cidade de Belém esta abaixo do nível do mar ou no mesmo nível , não existe projeto que evite a inundação de nossa bela cidade, pois quando a maré esta cheia a água da chuva não tem por onde escoar, diante disto, principalmente quado a chuva passa dos 45 milimetros com mará ala não tem jeito e espera a maré vazar para a agua escoar , imaginem você numa pia escovando os dentes experimente tampar com a rolha no ralo o que acontece? e a mesma coisa quando a maré esta cheia, os mais antigos se lembram do bairro do umarizal como era, do canal da tamandaré , do igarapé das armas etc. Belém foi aterrando seus igarapes rios etc , agora no ultimo seculo agora e so aguentar as consequencias.

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    Publicado por PABLO XAVIER | 20 de fevereiro de 2017, 17:21
  5. Outra tragédia anunciada é a macrodrenagem da Bacia da Estrada Nova. A julgar pelo modelo urbanizador adotado, idêntico ao da macrodrenagem do Una, o orçamento milionário, o financiador estrangeiro (Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID), a dívida contraída pelo erário público (leia-se bolso do contribuinte), a ausência de controle e participação social, a morosidade e inoperância do poder judiciário, a conivência da maior parte do Legislativo Municipal, as empreiteiras “vencedoras” das licitações. Tudo faz crer que se repetirá o descaso, já que a maior parte da população moradora dessas áreas é constituída de pobres pretos e pardos, que tem sua condição humana negada e atropelada violentamente.
    O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos interpreta esse processo como uma “colonialidade” que para afirmar-se criou discursos e práticas baseados na racialidade com a constituição da zona do ser e zona do não-ser. A primeira zona é marcada pelo privilégio ao passo que a segunda pela exclusão, opressão e formas variada de violências.
    Em outras palavras, não se trata de incompetência do poder público e sim de ações direcionadas por esta lógica que ao fim e ao cabo pretendem ofertar novos territórios para a livre exploração do mercado imobiliário.
    Resta lutar e resistir ao lado da Frente de Moradores Prejudicados pela Macrodrenagem do Una e, de outros movimentos que pretendem recuperar a dimensão e sentido político da cidade.

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    Publicado por Edivania Santos Alves | 15 de março de 2017, 16:03

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