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Justiça, Política

O BTG e Teori

Em novembro de 2015, o Banqueiro André Esteves, que é o principal acionista do banco de investimentos BTG Pactual, foi preso pela Operação Lava Jato. Ele foi acusado de participar de uma negociação para impedir que o diretor da área internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró, assinasse acordo de delação premiada. O ex-senador Delcídio do Amaral, do PT, que participou da articulação, também foi preso. Ambos enquadrados no crime de obstrução da justiça.

Delcídio continuou preso. Menos de um ano depois, o então ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, mandou soltar o banqueiro, a quem concedeu a prisão domiciliar. Aceitou o argumento da defesa, de que a prisão havia sido decretada com base apenas nas declarações do líder do governo no Congresso Nacional.

Outros indiciamentos, acusações e prisões se basearam nas mesmas informações prestadas por Delcídio, Quatro meses depois, em abril do ano passado, Teori revogou a prisão domiciliar e permitiu que o executivo BTG voltasse a trabalhar. André Esteves nunca mais voltou a ser perturbado pela Lava-Jato.

Voltou agora, mas por outros motivos. Um dos seus sócios no BTG, Marco Gonçalves, que atuava na área de fusões e aquisições, foi processado por uma casa noturna no circuito VIP de Manhattan, em Nova York. Ele não pagou uma conta de 340 mil dólares (mais de um milhão de reais), por duas noites consumindo as bebidas mais caras do mundo, segundo notícia do jornal Daily News.

O débito só foi quitado oito meses depois, quando o fato se tornou público e a questão já estava na justiça. Gonçalves foi demitido, no último dia 6, quatro dias depois que a informação se tornou de domínio público e 10 meses após o incidente acontecer, por determinação da direção do banco, que se limitara a aceitara o pedido de licença de Esteves, quando ele foi preso.

Não demonstrando qualquer abalo, o ex-sócio está abrindo um escritório na avenida Faria Lima, zona nobre de São Paulo, onde terá sua própria consultora de fusões e aquisições.

Enquanto o espantoso acontecimento se espalhava pelo mundo, no Brasil, o BTG se limitou-se a divulgar uma nota curta, assinada pelo próprio Marco Gonçalves, que diz: “Em relação à reportagem publicada pelo ‘New York Daily News’, repercutida por alguns veículos de comunicação do Brasil, informo que desconheço os fatos ali narrados e que não possuo nenhum tipo de pendência com o estabelecimento comercial mencionado no texto”.

A primeira parte da declaração, de desconhecimento dos fatos, parece ser mentirosa. Já a segunda não passa de sofisma: de fato, a pendência não existe mais, apenas porque foi resolvida, por pressão da repercussão – extremamente negativa para um banco que lida com papeis comercializados em bolsa – e da ação da justiça.

Essas histórias cheias de nós e laços remete a informações que circularam, sem maior destaque, à margem da morte de Teori Zavascki, quando novamente, por vias transversas, apareceu o BTG Pactual.O dono do avião que caiu em Paraty, pertencia ao amigo do ministro, empresário Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, dono do hotel Emiliano de São Paulo, um dos mais caros do país, onde o relator da Operação Lava-Jato costumava se hospedar.

Filgueiras era dono da J. Filgueiras Empreendimentos e Negócios Ltda. A empresa projetava construir um complexo hoteleiro na Fazenda Itatinga, em Paraty, mas teve a licença prévia indeferida pela secretaria de Meio Ambiente do Rio de Janeiro em outubro de 2016. De acordo com a revista Fórum, o empresário era réu no Supremo, acusado de crime ambienta. Ele estaria fazendo construções irregulares na ilha das Almas, onde fica a fazenda.

Em 2009 o procurador da República, Fernando Amorim Lavieri, investigar possíveis danos ambientais na região da fazenda, localizada na Área de Proteção Ambiental Cairuçu, para a preservação dos seus manguezais, de jurisdição federal.

Filgueiras era sócio de Carlos Daniel Rizzo da Fonseca na empresa Forte Mar Empreendimentos e Participações S.A. Segundo o jornal O Globo, a empesa era proprietária do prédio ocupado pelo Hotel Emiliano na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Fonseca é um dos sócios do BTG.

Discussão

4 comentários sobre “O BTG e Teori

  1. Não entendi. O BTG não é o Esteves e o Esteves não é o BTG. Se alguém do BTG fez algo inapropriado na rua vida privada, é função da própria pessoa consertar o dano e não da empresa.

    Até onde se sabe o Tori somente liberou o Esteves quando o Delcidio confessou que usou nome do Esteves para impressionar o filho do Cerveró. Desde essa confissão, nada mais foi apurado ate o momento que ligasse o Esteves a Lava-Jato.

    Sobre a relação Filgueiras e Tori, reza a lenda que os dois se tornaram amigos quando eles tinham parentes se tratando de doenças graves no mesmo hospital. Não acredito que o Tori iria tomar uma decisão complexa como a de liberar um preso com base em amizades. Se fosse assim, ele teria liberado metade dos petistas presos, pois ele foi indicado pelo PT.

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    Publicado por José Silva | 18 de fevereiro de 2017, 23:44
    • O BTG não é aparentemente o Esteves, mas é de fato.
      O sócio gastador foi demitido porque comprometeu a imagem de seriedade, confiança e credibilidade do banco, que aconselha seus clientes a investir em papéis e investe também. É parte essencial do patrimônio de um banco de investimento. Lembra do Barings, que chegou ao fim de uma vida centenária por efeito da ação condenável de um funcionário?
      A relação de Teori com Figueiras, que mais parecia fachada de negócios muito maiores dos quais participava, tendo por origem enriquecimento no garimpo de Serra Pelada, e deste com o BTG, ainda precisa ser bem esclarecida.
      De fato, só o Esteves foi solto. Por isso merece atenção. Por que o Delcídio voltou atrás? Por que a liberação imediata? Por que nenhum outro? Por que nem mesmo a imprensa se interessou, nem nos obituários engrandecidos do ministro? O episódio representa um ponto escuro numa biografia luminosa.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 19 de fevereiro de 2017, 07:21
      • Mas o sócio gastou dinheiro do BTG ou dele próprio? Esses caras são muito ricos, podem pagar por suas loucuras.

        O Figueiras tem realmente uma trajetória de enriquecimento estranha. Agora quando ele encontrou o Tori ele já era rico, não?

        Aparentemente o Delcidio voltou atras porque não conseguia manter em juízo a mentira que contou para o filho do Cerveró e não havia nenhuma evidência concreta, gravação ou qualquer documento, ligando o Esteves a mentira do Delcidio. E olha que a vida do Esteves foi muito vasculhada pela Polícia Federal.

        Para mim o erro do Esteves foi se meter com o governo Lula. O cara já era muito rico sem se envolver com governo. Entretanto, ele foi intimado a salvar o Pan-Americano para evitar o colapso da Caixa Economica Federal. Dai para frente foi um conjunto de investimentos errados que quase levou o BTG a falência.

        Veja se o Jorge Paulo Lemman se mete com governo? Ninguém em sã consciência faz isso..

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        Publicado por José Silva | 19 de fevereiro de 2017, 10:42
      • Muitas perguntas, poucas respostas. Por isso é preciso insistir no esclarecimento. Este será um dos temas do próximo JP.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 19 de fevereiro de 2017, 14:00

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