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Cidades, Cultura, Política

A história na chapa quente (69)

Centro melhor

(Textos da edição 268 do Jornal Pessoal, de outubro de 2001)

A vereadora Ana Júlia Carepa, líder do PT na Câmara Municipal de Belém, apresentou na semana passada um projeto de lei “baseado nas interessantes sugestões” que fiz na matéria “Salvar o centro”, publicada neste jornal (edição 266).

Ana Júlia se declara “receptiva a novas sugestões” que possam ser apresentadas ao seu projeto, “seja para dar subsídios outros a essa proposta seja para sugerir novas ações”. Embora ela tenha certeza “de que o Governo do Povo está no caminho certo”, não considera que “a missão está cumprida, antes, pelo contrário, muito ainda há por fazer e só com a participação de todos daremos continuidade aos avanços”.

O projeto de lei cria o cadastro de imóveis de valor histórico do centro de Belém, que incluirá o nome do proprietário do imóvel, sua condição legal e sucinto diagnóstico da sua situação física. Depois de notificados para fazer o cadastramento, os proprietários terão dois meses “para expor o que pretendem fazer com esses imóveis”, sujeitando a sanções legais se não atenderem a convocação no tempo hábil.

A prefeitura deverá constituir uma linha especial de crédito, com recursos próprios e de outras instituições que atuam na área, destinada a recuperar os imóveis de valor histórico. Caso os proprietários não se interessem em assumir essa tarefa, poderão assinar um contrato de mútuo com a Fumbel.

A Fundação Cultural do Município de Belém se valerá dos recursos alocados para esse fim. Recuperando os imóveis, a Fumbel poderá alugá-los, dando preferência ao uso residencial ou algumas atividades comerciais (padarias, mercadinhos, restaurantes e artesanato regional). Trinta por cento da renda iria para o proprietário.

Com seu projeto, a vereadora Ana Júlia Carepa acredita que a prefeitura poderá fazer “um diagnóstico mais preciso a respeito da situação legal e de fato” do centro histórico da cidade, proporcionando à população “uma outra visão” dessa área vital de Belém.

O projeto é importante e merece o apoio de todos, para dar-lhe apoio e mais força, inclusive com as críticas e sugestões dos interessados: os que amam Belém e querem melhora-la.

[O projeto não foi aprovado. E nunca mais se pensou no assunto. Mas ainda insisto na ideia.]

Carreira

 

A grande razão para as mais significativas trocas de partido, na temporada que irá até os primeiros dias de outubro, é o receio do quociente eleitoral por alguns candidatos potenciais à disputa de 2002. Partidos maiores e com nomes de grande apelo político exigem votações mais significativas para garantir a eleição dos seus candidatos. Quem tem dúvida das suas bases de votos prefere legenda menor, onde o piso é mais baixo.

É esse o caso do ex-prefeito Sahid Xerfan, que deixou o PPB e ainda não decidiu em qual legenda vai se acomodar. Xerfan foi uma das mais poderosas (e simpáticas) eminências pardas nos bastidores políticos em Belém. Recusava todos os convites para combinar sua condição de empresário com a de político, preferindo transitar entre todos.

Acabou não resistindo à mosca azul. A picada foi desastrosa. Não conseguiu se tornar um bom político (ou um político profissional) e deixou de ser um empresário ousado.Ou empresário, ponto.

Voltou à política no cargo de vereador, recomeçando pelo verdadeiro começo de carreira. Mas parece não acreditar na sua vitória para deputado estadual dentro do PPB, depois de ter tido uma votação significativa no conjunto da Câmara, mas abaixo das expectativas que se tinha em relação a ele.

Vai atrás de outro partido, menos exigente. Corre o risco de colecionar mais legendas do que vitórias eleitorais. Um destino duro, que talvez Sahid Xerfan não mereça, por uma perspectiva, a da sua pessoa, mas que está começando a fazer jus, por seus erros.

Marketing

A prefeitura de Belém está fazendo a “reforma da urbanização” da Braz de Aguiar, a rua que já foi a nossa Augusta. Por “reforma da urbanização” entenda-se construir floreiras (ainda sem flores, só concreto) nas esquinas, com o avanço da calçada.

A obra de 150 mil reais, se arrasta há três meses, sem justificação plausível para essa lentidão, exceto, talvez, justificar a expressão de puro (e vazio) marketing na enorme tabuleta afixada na calçada. Bem maior do que a obra.

Muralha

Pelo jeito, nem a prefeitura e nem o CREA deram o ar de suas graças na obra não identificada que está terminando de fechar uma das janelas para o rio, no Porto do Sal, a despeito de denúncia feita na edição anterior deste jornal. Quando por lá passei, no último fim de semana, o muro, reforçado, já estava concluído. Sem uma placa sobre a responsabilidade do serviço. E sem nenhum bom senso, é claro.

Calamidade

Vai chegar o dia em que a Telemar [a atual Oi] se transformará em caso de calamidade pública no Pará, unindo gregos e troianos contra ela. Ainda que, para registrar a queixa unânime, todos tenhamos que ligar para Fortaleza e ficar na linha enquanto engenhocas de gravação eletrônica continuarão a nos embromar. E Ofender.

Landi

As comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil foram um bom pretexto para Belém redescobrir o maior dos seus arquitetos, o bolonhês Antônio José Landi, que aqui esteve há mais de dois séculos. Uma bela exposição na maior de todas as obras de Landi, o atual Museu do Estado, e um rico álbum sobre a Amazônia Felsínea foram os pontos altos desse capítulo das comemorações. Mas foi pouco.

Sugeri que a “casa rosa”, na primeira rua de Belém, a Siqueira Mendes, a mais importante casa particular da Belém antiga, fosse transformada num Museu Landi, reanimando a tradição na Cidade (ex) Velha. Nada. Defendi a restauração da igreja de Sant’Ana, a mais querida das realizações do artista italiano, onde diz a lenda que ele foi enterrado. Silêncio absoluto.

Outro dia entrei na igreja: que tristeza! Infiltrações sem conta não só estão destruindo as pinturas e afrescos, mas também começando a ameaçar a estrutura do prédio. A igreja tem atividade incomum, exercida, porém, sob um teto precário e diante de uma praça aviltada.

Vamos aguardar um desabamento para fazer alguma coisa, às pressas, mal feito, para o marketing ver?

[O projeto da casa Landi foi executado. Naturalmente, sem reconhecer a origem da proposta e a privatizando, ao invés de mantê-la sob jurisdição pública. A reforma da igreja foi realizada, ainda que não muito bem.]

Discussão

3 comentários sobre “A história na chapa quente (69)

  1. Por onde anda a Ana Júlia? Começou bem e terminou mal..

    E o Xerfan? Outro que começou bem como gestor, mas logo foi perdendo credibilidade junto ao eleitor.

    A Braz de Aguiar continua uma zona. Uma pena!

    Bem, pelo menos a casa Landi e a igreja foram reformadas. Melhor do que nada, nessa terra onde o nada impera. Ter a proposta reconhecida é de menos. O mais importante é colocar o “meme” na cabeça do gestor público para qie ele (ou ela) se aproprie da idéia e faça o que precisa ser feito para o bem público.

    Curtir

    Publicado por Jose Silva | 22 de fevereiro de 2017, 11:24

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