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Economia, Multinacionais

A China na América do Sul

A China emprestou 21,2 bilhões de dólares para a América do Sul no ano passado. Embora tenha sido um montante ligeiramente inferior ao valor concedido em 2015, que foi de US$ 24,6 bilhões, é mais do que a soma (US$ 19,8 bilhões) do total de financiamentos do Banco Mundial (US$ 8,2 bilhões) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (US$ 11,6 bilhões).

 

Os empréstimos foram concedidos através do Banco de Desenvolvimento da China e do Banco Chinês de Exportações e Importações, ambos estatais. Desde 2005, o fluxo de financiamento chinês na América Latina superou US$ 141 bilhões (o equivalente a quase 550 bilhões de reais, 10% do PIB do Brasil).

 

O Brasil, aliás, foi – de longe – o país que mais recebeu dinheiro chinês no ano passado (US$ 15 bilhões), destinado principalmente para a Petrobras, em troca de petróleo. Os outros maiores emprestadores foram Venezuela e Equador, que fecharam 2016 com agudas recessões econômicas, o que ressalta a importância do fluxo de crédito da China para a região.

 

Os três países receberam 92% do total, segundo estudo do Centro de Estudos Diálogo Interamericano, realizado em parceria com a Universidade de Boston. As duas instituições coletam dados sobre a China no continente desde 2005.

 

O relatório observa que a Argentina, que ocupava as primeiras posições do ranking anteriormente, não registrou nenhum empréstimo em 2016. Relaciona o fato à mudança de governo, com a substituição de Cristina Kirchner pelo oposicionista Mauricio Macri na presidência da república.

 

Seria indicador do componente político nas regras técnicas dos empréstimos. O novo governo já fez algumas mudanças na política econômica, mas já seu sinais de que pode recorrer à China para financiar seu ambicioso plano de infraestrutura.

 

“A China é uma fonte fundamental de financiamento, especialmente para países como Venezuela, Equador, Brasil e Argentina, que tiveram um acesso relativamente limitado aos mercados de capital internacionais nos últimos anos”, apontou o relatório. Ele prevê que Pequim continuará sendo um “salva-vidas” para as economias mais frágeis da região.

Discussão

Um comentário sobre “A China na América do Sul

  1. A lógica de Pequim é muito simples. Devolva um excelente retorno que vocês terão o empréstimo rápido e facilitado. Eles não querem saber se os empréstimos causarão problemas ambientais ou sociais ou se os governos tomadores de empréstimo respeitam ou não direitos políticos, etc. O importante é a transação. Há sim uma agenda política: os paises preferidos são aqueles com baixo nível de governança e alto estoque de recursos naturais.

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    Publicado por Jose Silva | 24 de fevereiro de 2017, 17:39

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