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Justiça, Polícia, Política

Quem Jorge Luz denunciará?

O governo tampão de Carlos Santos, completando os nove meses finais do segundo mandato (1991/95) de Jader Barbalho como governador do Pará, foi algo entre o barata-voa e o salve-se quem puder. Um estado de caos, anarquia e roubo. A principal base de atuação nesse período foi o Hilton Belém (atual Princesa Louçã), onde o lobista Jorge Luz dava (e recebia) as cartas. Os negócios formais e os acertos de bastidores eram consumados ali ou em outros locais por onde Luz andava. Muito dinheiro foi desviado para cofres particulares.

A responsabilidade pela força exercida pelo lobista, nascido paraense, mas criado no Rio de Janeiro, era só do vice-governador, no exercício do cargo para que o titular pudesse se desincompatibilizar para se candidatar (e se eleger) ao Senado? Ou também Jader Barbalho avalizou a penetração de Luz, que se tornou um apêndice da administração pública estadual?

Talvez agora se possa saber dessa e de outras – conexas ou autônomas – histórias com esse personagem fugidio. Jorge Luz e o filho dele Bruno Luz já estão presos, em Miami, e amanhã deverão ser devolvidos ao Brasil, onde permanecerão presos, à disposição do juiz Sérgio moro. A prisão foi possível graças à cooperação internacional da polícia de imigração americana com a Polícia Federal brasileira, que cumpria mandado judicial na alvos da 38ª fase da Operação Lava-Jato. Os dois também estariam irregulares nos Estados Unidos.

A força-tarefa apura o pagamento de 40 milhões de dólares (130 milhões de reais) de propinas ao longo de 10 anos, beneficiando senadores e outros políticos, além de diretores e gerentes da Petrobras.

Jorge e Bruno Luz são apontados como operadores financeiros ligados ao PMDB no esquema de corrupção e desvio de dinheiro dentro da Petrobras.

Segundo o jornal O Globo, a defesa de ambos informou que seus clientes já foram ouvidos em inquéritos no Supremo Tribunal Federal que envolvem pessoas com foro privilegiado. Esses depoimentos foram prestados quando eles já estavam fora do Brasil e que estão dispostos a colaborar com as investigações.

A suspeita é a de que Jorge e Bruno atuaram em pelo menos cinco episódios, intermediando entre quem queria pagar e quem queria receber propina a partir dos contratos com a Petrobras. As transações eram feitas através de contas no exterior, como na Suíça e nas Bahamas.

Seu alvo principal era a área internacional da Petrobras, entregue ao PMDB pelo acordo político com o governo Lula, mantida na administração de Dilma Rousseff. A partir de certo momento, ambos passaram a solicitar propina para o PMDB também em outras diretoria da Petrobras.

A mais recente operação da PF, batizada de Blackout, além dos dois mandados de prisão, teve 16 mandados de busca e apreensão expedidos.

Discussão

3 comentários sobre “Quem Jorge Luz denunciará?

  1. Então, no final de contas, o Carlos Santos era um santinho (de pau oco, mas santinho) comparado com o mestre-mor Jáder Barbalho..

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    Publicado por Jose Silva | 24 de fevereiro de 2017, 17:32
  2. Uma leve correção do período de governo que foi 1991/ 1994 e não 95, pois a partir de 1995 o novo governate assume após o réveillon, dia 01 de Janeiro. Seria interessante o jornalista enviar cópia de seus artigos a respeito, ao estudo do pessoal da Lava-a-jato. pois suas informações elucidam um emaranhado de falcatruas, difícil de serem desembaraçadas de uma escova suja de cabelos podres.

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    Publicado por JAB Viana | 25 de fevereiro de 2017, 16:38

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