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Imprensa, Política

Padrinho ou “padrino”?

O jornalista Carlos Mendes desafiou, através do seu blog, o ministro Helder Barbalho a provar que o Jorge Luz que foi padrinho do seu casamento com Daniela, não é o lobista Jorge Luz, preso com o filho, Bruno, acusado de intermediar o pagamento de propinas a políticos do PMDB, dentre eles o senador Jader Barbalho, pai de Helder.

A acusação foi feita a partir de uma nota publicada pelo Diário do Pará, jornal da família Barbalho, noticiando o casamento, em 2006, do então prefeito de Ananindeua. Esse Jorge Luz junto com Jéssica, que talvez seja sua esposa (a notícia não especifica), seria primo de Daniela, a mulher de Helder. Não passaria, nesse caso, de um homônimo do lobista preso em Miami pela imigração italiana e mandado no sábado passado para o Brasil, onde cumpre desde então pena decretada pela justiça.

O site Poder360, de jornalistas profissionais, sob o comando de Fernando Rodrigues, retificou a informação original que dera, aceitando como verdade a nota que a assessoria do Ministério da Integração Nacional. Carlos Mendes acha que o site deveria ter checado a indicação. Por isso, pediu que Helder “mostre a cara, a fotografia, a imagem, desmentindo de uma vez por todas os céticos e os ‘encarnados’ pelo espírito de São Tomé, para que estes vejam e creiam na verdade dos fatos”.

Observa que “enquanto isto não for feito, ficará sempre no ar a suspeita de que estão ‘escondendo’ o Jorge Luz padrinho de casamento, porque este seria o mesmo Jorge Luz que já está preso na sede da Polícia Federal em Brasília, dividindo a mesma cela com o filho, Bruno, enquanto aguarda transferência para Curitiba, na quinta-feira, depois do Carnaval”.

O jornalista não deixa de ter razão. Ainda assim, a hipótese de que o ministro manipula a informação constituiria estupidez da parte dele e temeridade. Se fosse mesmo uma invenção, ela acabará por ser descoberta e a ele não restaria alternativa que não o pedido de demissão do cargo de ministro. Ou, mesmo não o fazendo, se desmoralizando. E ainda contribuindo para empurrar mais um pouco o pai para o cadafalso.

Jader Barbalho sustenta que só se encontrou uma vez com Jorge Luz. Foi encontro tão casual que sequer fixou a sua imagem. Se o encontrasse novamente, seria capaz de não reconhece-lo. Desmente veementemente que o tenha acolhido em seu apartamento funcional, em Brasília, para uma reunião na que tratariam de quanto caberiam aos políticos do PMDB da propina que Luz estaria intermediando na Petrobrás. Imagine-se se o mesmo Jorge Luz fosse o padrinho de Helder. Seria o fim de Jader antes mesmo de um golpe fatal da Operação Lava-Jato.

Mas como tudo é possível num país devastado pela corrupção, faria bem o ministro em prestar o esclarecimento definitivo, abrindo mão da presunção de inocência.

Discussão

12 comentários sobre “Padrinho ou “padrino”?

  1. Quem cala consente. Como até agora não houve resposta, já sabemos o que aconteceu de fato. Ou não?

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    Publicado por José Silva | 27 de fevereiro de 2017, 22:11
  2. Talvez a estratégia seja a de tentar diminuir o barulho sobre tal notícia para tentar evitar estragos. Mas como as redes sociais tendem se mover na mesma velocidade dos bastidores da corrupção é possível que o silêncio do afilhado seja uma estrondosa confissão de mea culpa.

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    Publicado por Luiz Mário | 28 de fevereiro de 2017, 10:10
  3. Meu prezadíssimo Lúcio. A questão é de uma clareza solar: se o ministro Helder Barbalho exibir o primo da mulher, como outro Jorge Luz, e não o que está na cadeia, ficará bem na foto e calará os que alimentam dúvidas sobre o homônimo. Se não o fizer, ficará mal, muito mal, e como dizes comprometerá até o pai, Jader, de quem se fala coisas muito ruins nessa relação com o Jorge Luz que está na cadeia. Aliás, Lúcio, essa postagem-cobrança que fiz no bloque já rendeu duas agressões gratuitas contra mim em minha página no Facebook. Uma, de dono de uma empresa de segurança e vigilância de Ananindeua, e outra de um assessor da prefeitura de Medicilândia. Tive de convidar os dois sujeitos para me poupar de bloqueá-los, bloqueando-me. São os ossos do ofício, que a esta altura do campeonato já viraram cinzas na boca desses dois agressores. Grande abraço.

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    Publicado por Carlos Mendes | 28 de fevereiro de 2017, 11:29
    • Minha pronta solidariedade, Mendes. E renovação da cobrança ao Helder e ao Jader. Eles deviam responder ao menos para mostrar que são homens públicos. Quanto aos agressores, apenas comprovam a velha máxima: são mais realistas do que o rei. Embora, pelo silêncio de pai e filho, não tanto.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 28 de fevereiro de 2017, 15:09
      • Será que a situação está tão ruim que a família contratou uma empresa de segurança para organizar o esconderijo em Medicilândia? Tudo é possível neste país do carnaval. E a folia continua depois da quarta-feira de cinzas.

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        Publicado por José Silva | 1 de março de 2017, 01:17
  4. Talvez, nem tanto, José Silva. Pode se tratar apenas de dois exaltados defensores dos Barbalhos, querendo defendê-los, mesmo sem procuração para tal. Mas, como eles não me bloquearam, talvez para deixar a porta de novas agressões gratuitas aberta, já os bloqueei. Tolerância democrática também tem limites. Um abraço.

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    Publicado por Carlos Mendes | 1 de março de 2017, 11:36
  5. Obrigado pela solidariedade, Lúcio. É a tal coisa: sou cristão, mas não tenho vocação pra Cristo. Bateu na face direita, não dou a esquerda; revido na hora. O problema é que no Pará até os que se dizem vanguardistas são atrasados. A pretexto de derrubar ” o menos pior”, eles se unem a outros piores. Assim, o Pará continua a crescer feito rabo de cavalo, pra baixo. E quem critica barbalhistas, jatenistas e outros istas vira alvo de ataques, agressões e ameaças. Faz parte e devemos seguir em frente. Abraço.

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    Publicado por Carlos Mendes | 1 de março de 2017, 12:08
  6. É aquela piada: se chutar o testículo, acerta o maxilar do outro. Desses tipos de “exaltados defensores”, além de federem, confirmam o que é o tapete…

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    Publicado por Luiz Mário | 2 de março de 2017, 10:58

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