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Justiça, Política

O lobista não foi o padrinho

Finalmente, quase uma semana depois que a informação foi divulgada pela primeira vez, através do site Poder360, do jornalista Fernando Rodrigues, a assessoria do ministério da Integração Nacional se permitiu esclarecer: o Jorge Luz que foi padrinho, com sua irmã, Jéssica, do casamento de Helder Barbalho, são primos da noiva, Daniela, filhos da irmã da mãe dela (sua tia, portanto), Goreth Luz. Junto com a informação, duas fotos para atestar a veracidade da comunicação.

O esclarecimento podia ter sido dado de imediato dessa forma: completo – ou quase. Parece que a resistência a fornecer os dados foi quebrada pela matéria de ontem, sobre o comparecimento do outro Jorge Luz, o lobista preso pela Polícia Federal, sob a acusação de intermediar propina de empreiteira que presta serviço à Petrobrás para políticos do PMDB, dentre eles o senador Jader Barbalho.

O ministro podia ter-se dado a incumbência de assumir pessoalmente a tarefa de esclarecer a opinião pública sobre o fato, que criou certa celeuma. Talvez para minimizar o acontecimento, preferiu delegar a tarefa à assessoria de comunicação do ministério, que expediu a nota sem assinatura, o que não constitui qualquer anormalidade, mas confere certa impessoalidade à iniciativa.

Literalmente, a nota volta a sustentar que a confusão se deve à circunstância de que o padrinho e o lobista têm o mesmo nome, que não é propriamente comum. Duas fontes que estiveram no casamento, em 2006, testemunharam ter visto e conversado com o lobista Jorge Luz na recepção do novo casal.

Seria então mais uma inusitada coincidência, que certamente a assessoria do ministro da Integração Nacional esclarecerá, da forma mais simples: negando que o preso da PF tenha sequer estado na recepção.

Se assim não fizer, deixará que prospere outra interpretação: de que Jorge Luz, agente presente (embora sem função legal definida) nos bastidores da estatal do petróleo ao longo de 30 anos, teve outros encontros com Jader Barbalho depois de 1983, quando se teriam conhecido, no primeiro ano do exercício, pelo líder do PMDB, do primeiro mandato de governador do Pará. Depois disso, nunca mais se teriam reencontrado, pelo depoimento de Jader.

Há testemunhos de que pessoas ligadas ao senador estiveram ao lado de Luz nesse período, especialmente em negócios na área de energia (gás e biocombustíveis) e imobiliários, gozando, inclusive, da cessão da casa de veraneio do lobista em Angra dos Reis.

Outra coincidência diz respeito ao encontro que Luz teria promovido, no apartamento de Jader Barbalho em Brasília, para tratar da repartição dos 10 milhões de reais supostamente destinados ao PMDB, conforme a investigação da Operação Lava-Jato. A reunião teria sido em 2006, no mesmo ano em que Helder Barbalho casou e Jorge Luz teria ido ao acontecimento.

Espera-se que, imbuída do verdadeiro espírito do serviço público, a assessoria do ministério também esclareça essas informações e contribua para dirimir de vez todas as dúvidas a respeito do tema.

Diz a nova nota:

Complementado a nota enviada, segue em anexo fotos dos verdadeiros padrinhos de casamento.
Jessica Luz e Jorge Luz são primos de Daniela Barbalho, filhos de Goreth Luz, que é irmã da mãe de Daniela.

Discussão

3 comentários sobre “O lobista não foi o padrinho

  1. Bem, o lobista não foi padrinho. Mas creio que o ponto principal nunca foi Esser. O ponto principal é se o Luz era ou não do círculo íntimo da família Barbalho. Se ele esteve no casório iluminando os outros convidados, então há alguma razão para acreditar que a relação entre famílias era próxima e antiga. Temos que aguardar o depoimento do iluminado.

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    Publicado por José Silva | 3 de março de 2017, 08:49
  2. as duas fontes que afirmaram ter conversado com o lobista no casamento são confiáveis?

    acho que querem ver o circo dos Barbalhos pegar fogo.

    ou então tinham dois Jorge Luz co casório

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    Publicado por pmelo | 3 de março de 2017, 11:20
    • Ambas as fontes são ligadas ao Jader, a quem admiram, por isso mesmo preferindo se manter anônimas. Elas falaram antes da celeuma esquentar. Falaram como se as informações nada desabonassem o senador. Achavam ser de conhecimento mais geral a presença do Jorge Luz nos bastidores políticos paraenses.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 3 de março de 2017, 11:59

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