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Colonização, Economia, Estradas

A BR-163, em Marte

Quase 95% da carga que sai de Mato Grosso em direção ao Pará ficam em Miritituba, a cidade vizinha a Itaituba, na margem do rio Tapajós. Com a interdição da BR-163 pelas chuvas, como acontece todos os anos, no trecho entre Vila Planalto e Mirituba, ao longo de quase três semanas, estacionaram ali cerca de três mil caminhões carregados de soja.

Quantas toneladas eles tinham desse grão? Talvez só os caminhoneiros e os produtores saibam. Não encontrei nenhuma informação sobre a atividade de balanças ao longo da rodovia (nem da Polícia Rodoviária Federal), a partir de Lucas do Rio Verde, que é um dos municípios que mais produz soja no Brasil e o maior supridor do produto na direção do Pará.

Se considerarmos uma média de 40 toneladas por caminhão, chegaremos ao fabuloso total de 120 mil toneladas. A um preço mínimo de 60 reais a saca  na origem, dá 36 milhões de reais. Preço interno de custo. O de venda se multiplica algumas vezes, acrescido dos caríssimos fretes.

Qual foi o prejuízo da nação pelo estado intransitável da estrada federal, das medidas de urgência para restabelecer-lhe o tráfego e do tempo de paralisação dos caminhoneiros, que só na quinta-feira começaram a sair da armadilha de lama?

Ninguém apresentou ainda a conta, mas ela é alta. Mais do que cara: é ultrajante. Atingido por uma surpresa que não tem razão alguma de ser, já que a chuva forte é anual, tanto quanto o crescente escoamento de soja, o segundo produto brasileiro de exportação, depois do minério de ferro (do qual o Pará é líder), o governo mobiliza gente e máquinas para colocar a pista em condições mínimas de passagem.

E repete a ladainha: faltam só 190 quilômetros (menos de 10% do total, 20% do trecho paraense) para a Cuiabá-Santarém estar plenamente asfaltada. Promessa que pode ser repetida na próxima chuvarada, sem que os paraenses se deem conta de que isso também é Pará – e não Marte ou Vênus.

Discussão

10 comentários sobre “A BR-163, em Marte

  1. A promessa da conclusão do restante do trecho com certeza será uma das bandeiras dos novos candidatos em 2018.

    Possivelmente uma articulação entre Parcerias Público Privada, concluiria o trecho restante da rodovia.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 4 de março de 2017, 12:35
  2. O prejuízo é tão alto, mas tão alto, que até o Maggi reclamou. Quem diria! Coloca-se mais essa na conta da Dilminha, que para afastar a Marina do governo boicotou o projeto BR-163, incluindo o asfaltamento. Se não fosse por ela, esta estrada já estaria pronta desde o final do segundo governo Lula-la.

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    Publicado por José Silva | 4 de março de 2017, 15:01
    • Dilma se tornou a “costa larga” da nação: tudo é culpa dela. É mais interessante dizer historicamente os governos não fizeram uma gestão adequada para a viabilidade da infraestrutura nacional.

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      Publicado por Rafael | 4 de março de 2017, 21:39
      • Rafael,

        Bem os efeitos negativos da gestão da Dilma estão ai até hoje. Isso ninguém pode negar. No caso específico da BR-163 ela agiu de forma nociva ao Pará apenas para forçar a saida da Marina do governo. Agiu por interesse próprio. A pavimentação já estava toda costurada desde o início do segundo governio Lula, quando a gerentona, usando os poderes conferidos pelo Lula-lá, resolveu desmobilizar o plano BR-163 sustentável. Não pense que ela é santa, pois isso todo mundo sabe que ela não é.

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        Publicado por Jose Silva | 4 de março de 2017, 23:44
      • Não há porque dizer que ela é santa — aliás, eu não a qualifiquei dessa maneira. Disse que historicamente os governos não fizeram uma gestão adequada para a viabilidade da infraestrutura nacional. Ou seja, nem a gestão dela, nem as outras, foram satisfatórias nesse quesito. É espantoso pensar que todos esses governos empreenderam uma política tão favorável ao grande investidor (tendo feito nada ao paupérrimo), mas quando é para taxá-lo, o faz de maneira desproporcional, a deixar o Estado sem dinheiro para oportunizar todas as fases da produção. Neste caso, a infraestrutura.

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        Publicado por Rafael | 5 de março de 2017, 13:30
      • Aliás, por que*

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        Publicado por Rafael | 5 de março de 2017, 13:32
  3. O estado que mais extrai e exporta ferro, o que mais exporta (sem produzir) soja, o que mais produz energia.. e o governador mais ausente e a população mais desinformada? Que terrível quina de títulos malditos, hein Mestre?

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    Publicado por Marlyson | 6 de março de 2017, 04:51
    • Cabe=nos fazer tudo que está ao nosso alcance para que mais pessoas se interessem por essas questões. Mesmo que pareçam áridas ou mesmo ininteligíveis, temos que dominá-las. Ou, do contrário, elas frutificarão com o adubo adequado para as decisões pronats e acabadas: a ignorância geral.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 6 de março de 2017, 08:18

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