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Cidades, Política

Nós, reféns do lixo

O secretário estadual de meio ambiente e sustentabilidade, Luiz Fernandes Rocha, que já foi secretário de segurança pública do Pará, admitiu, ontem, que os mais de dois milhões de habitantes da região metropolitana de Belém se tornaram reféns da Revita.

O aterro sanitário criado pela empresa se revelou inviável. O mau cheiro que exala e a forma de tratamento do lixo que recebe,a céu aberto, é tão paradoxal em relação à sua existência, que não há jeito de corrigi-lo. É preciso mesmo fechá-lo e transferir o aterro para outro local que abrigue as duas mil toneladas diários de lixo.

O problema, segundo o secretário disse a O Liberal, é que não há espaço para atender a essas necessidade na Grande Belém. Daí todos se terem tornado reféns do lixão da Revita.

Mas quem foi que concedeu a licença ambiental à empresa? A secretaria dirigida por Luiz Fernandes. Ele se defende alegando que a empresa não executou o projeto aprovado, limitando-se a fazer o que era feito no já extinto (mas não tanto) lixão do Aurá.

Nos dois anos que se seguiram ao licenciamento do projeto o que a Revita fez foi exatamente o oposto do que devia fazer. A população de Marituba logo começou a protestar e a apresentar denúncia, sem qualquer medida prática por parte da secretaria. Só com o bloqueio na entrada do lixão e a acumulação de lixo em Belém por três dias é que, finalmente, as autoridades fizeram alguma coisa. Só que, agora, confessam não ter o que fazer de imediato.

O que resta então é tapar o nariz, fechar a boca, cruzar os braços e deixar de ver? Se a resposta for não, deve-se tratar o governo responsável por essa bomba de fedor da forma de que ele se tornou merecedor por sua incompetência ou inação: no grito. Talvez só assim o governo de Simão Jatene acorde.

Discussão

6 comentários sobre “Nós, reféns do lixo

  1. O que se poderia esperar de cabeças vazias de ideias e de iniciativas como as dessa dupla e corte que, por falta de melhores opções, empoderou-se da administração de um Estado e Capital surrados pelo destino de colônia ou quintal baldio, desde o início do império concedido ao herdeiro Pedro e de uma Cabanagem que não liquidou o assunto.

    De costas para o que temos de solução, tanto para transporte como para o desenvolvimento sustentável, esnoba-se todo um estuário rico de recursos, felizmente intocados pela ação destrutiva de nossas elites e outros predadores ambientais ditos humanos.

    Mesmo temendo a imperícia e insipiência da corte gestora, opino que seria o caso de se escolher uma das ilhas próximas de Belém, adequada a receber um empreendimento de reciclagem e industrialização do lixo metropolitano, usando-se um mínimo de terreno necessário, não mais de 5 ha, acredito, que representaria um certo impacto no ambiente, porém bem menor que os ocasionados pelos tais de lixões e aterros sanitários misturados aos habitantes da metrópole.

    O lixo poderia ser embarcado em contêineres ou carretas adaptadas e apropriadas, em portos para ferribotes e balsas ou alvarengas, de forma que circulasse o mínimo nos perímetros urbanos.

    A mão-de-obra para separação do lixo no destino para a reciclagem e industrialização poderia ser a dos próprios catadores dos lixões, desde que organizados em cooperativas prestadora de serviços, implementando-se através da secretaria de trabalho e das áreas sociais, um processo também de inclusão e de reversão da miséria.

    Se bem montado o projeto do complexo de usinagem e reciclagem do lixo, poderia inclusive gerar energia elétrica em biodigestores da massa orgânica, associados à energia solar e eólica, com sobras para venda à Celpa dos excedentes gerados.

    Teríamos além de energia, produtos como o composto orgânico(adubo), para ser vendido a hortas e empreendimentos agrícolas; itens recicláveis como metais, vidros, papéis e plásticos, cumprindo-se a necessidade da limpeza urbana de forma sustentável, ambientalmente correta e com efeitos econômicos multiplicadores a serem associadas a políticas estruturantes de reversão do círculo vicioso da miséria urbana que nos aflige.

    Seria possível ações para implementar-se projetos de hortas e pomares urbanos em espaços comunitários; aproveitamento do lixo do açaí, que poderia gerar de lenha a biodiesel necessário para abastecer os caminhões do lixo e balsas, pagando-se o projeto a médio prazo.
    O lixo deixaria de ser estorvo para ser solução de questões socioeconômicas.

    Será que é um sonho de um alguém louco após uma tigela de açaí com camarão, como diriam companheiros de botecos, ou nossos pensantes são incapazes de ousar o possível?
    Alguma cousa tem que ser pensada, mas para sair algo da cabeça e das pranchetas, é preciso que os líderes maiores mentalizem que são menores que o lixo que nos aflige e que é uma grande oportunidade para deixarem seus nomes gravados na história, seja pela solução ou pelo agravamento dessa avalanche doentia e fedorenta chamado popularmente de lixo!

    Abaixo a mediocridade intelectual e administrativa desta Província, que nunca deveria ter deixado de se chamar Grão Pará.

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    Publicado por JAB Viana | 7 de março de 2017, 22:41
    • Jab,

      A maioria das ilhas é de várzea. Na primeira inundação sazonal todo o lixo e seus sub-produtos iria parar nos rios e onimpacto seria desastroso. Por fim, nosso estuário já foi rico e seus recursos intocados. Hoje ele já está bastante alterado e os seus recursos em declínio. O que voce vê hoje é tudo área em recuperação.

      Teria que encontrar um pedaço de terra firme para executar o seu plano.

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      Publicado por José Silva | 8 de março de 2017, 08:33
      • Há ilhas e ilhas. Em tese e no geral, você tem razão. O que não invalida a sugestão para o debate. Se ilha não há em condições, pelo menos o transporte pode ser em barcaças. O importante é romper a bitola e olhar o problema com uma visão mais ampla e abertura para a criatividade.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 8 de março de 2017, 13:51
    • Abaixo a mediocridade. Viva a sua criatividade e lucidez. Ao debate de novo, com o novo.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 8 de março de 2017, 13:49
    • Compartilho de precisamente o mesmo sonho e projeto, Jab. Mas como vc bem começou, destes que aí estão, nem um vírgula do que escrevestes se pode esperar. É metermos a cara nas próximas eleições, ou esperar que alguém decente/honesto/sério/preparado o faça.

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      Publicado por Marlyson | 8 de março de 2017, 14:51
  2. É deprimente imaginar que o problema do lixo é um biombo, algo de caso pensado somente para entreter a população enquanto as peças do quebra-cabeça da corrupção são arrumadas nos bastidores do poder.

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    Publicado por Luiz Mário | 9 de março de 2017, 18:04

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