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Militares, Política, Segurança pública

O militar e a segurança pública

O governador Simão Jatene não é de ler jornal, mas devia atentar para uma nota da coluna de Cláudio Humberto (sim, apesar dele) na edição de hoje de O Liberal. Registra o ex-assessor de imprensa de Fernando Collor de Mello:

“A equipe do ministro da Justiça, Osmar Serraglio, provoca reações. Policiais criticam pela escolha de militar, o contra-almirante Alexandre Mota, como secretário interino de Segurança Pública. Desde 1989 [ano da eleição de Collor], os governos evitam militares no comando de órgãos de segurança pública”.

Não se trata de preconceito contra militares. É questão de especialidade. O aparato de segurança pública, com um braço destinado a seguir o processo judicial, sob o controle do Ministério Público, e a atuação diária nas ruas, se distingue da estrutura militar, adestrada para combater o inimigo e não para eventualmente intermediar os conflitos quando eles acontecem.

A inadequação se revela ainda maior quando o militar posto à frente da segurança pública é um general. Principalmente no Brasil, ele exerce um comando estratégico, não operacional. Entre ele e a tropa há uma longa e especializada hierarquia, dos oficiais aos soldados ou recrutas. Exceto em períodos de guerra ou em circunstâncias anormais, ele não vai às ruas.

Napoleão Bonaparte ia. E conhecia os seus soldados, combatendo com eles, chegando a empunhar a bandeira francesa. Mas quantos Napoleões a humanidade teve?

Não é o caso do general  Jeannot Jansen da Silva Filho. Em mais de dois anos no cargo, ele sequer é conhecido pela esmagadora maioria dos seus subordinados nem sua voz foi ouvida na linha de frente. Crises se sucedem na segurança pública sem que se possa perceber uma marca da ação do secretário.

No entanto, ele se mantém – no cargo e na impassividade, que não lhe custa o cargo. Diz-se porque seu padrinho, o desembargador Milton nobre, é forte. O governador não se dispõe a contrariá-lo. E vai deixando a água rolar. Rola com sangue misturado, tão alta é a violência no Estado. Mas isso parece ser um detalhe – a desconsiderar.

Discussão

Um comentário sobre “O militar e a segurança pública

  1. Há segurança pública?

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    Publicado por Luiz Mário | 8 de março de 2017, 15:32

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