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Imprensa, Política

A história na chapa quente (81)

O boicote da imprensa

Ao prefeito Edmilson

 (Ao reler este artigo, da edição 235 do Jornal Pessoal, de maio de 2000, para reproduzi-lo nesta seção, vi o quanto a nossa história recente é desconhecida ou muito mal reconstituída. O propósito desta série é justamente refazê-la sobre a trilha dos fatos, esquecidos ou intencionalmente sonegados do conhecimento da sociedade. Penso em transformar esta série em edições temáticas impressas em papel, a mais perene forma de arquivamento que ainda subsiste em plena era digital. Os leitores se interessam?)

A Coordenadoria de Comunicação Social da prefeitura de Belém aproveitou a Conferência Nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores, realizada em São Paulo, entre os dias 12 e 14 de maio de 2000, para apresentar a “postura criativa” que julga haver adotado “para enfrentar os desmandos, a falta de ética e preconceito da mídia local em relação à Administração Popular de Belém”. A Comus considera que o governo Edmilson Rodrigues tem sofrido uma campanha de hostilização, que “recrudesceu neste ano eleitoral”.

A reação hostil da grande imprensa, entretanto, remontaria a 1996, quando “pela primeira vez na história de Belém, foi eleita uma administração oriunda dos movimentos organizados de trabalhadores”.

A Comus crê que a elite local “foi pega de surpresa e a diferença de tratamento da mídia foi percebida logo nos primeiros momentos do novo governo municipal, seja através do boicote, seja através dos ataques diretos em forma de desafio e desqualificação”.

Mas a prefeitura teria deixado bem clara a sua posição desde então: “Mudou o relacionamento comercial com os veículos de comunicação – desfazendo contratos superfaturados e exonerando jornalistas e colunistas que recebiam como comissionados e não trabalhavam – e implantou serviços de comunicação até então inexistentes na Comus”.

Contra e a favor dos Maioranas

Não tanto assim. De fato, no seu primeiro trimestre de governo, Edmilson Rodrigues adotou uma postura agressiva em relação à velha promiscuidade entre o poder e os principais veículos de comunicação da terra. Chegou ao exagero de organizar um comício em frente à sede do jornal O Liberal.

Em seu discurso, prometeu acabar com o império da família Maiorana. Podia ter começado revendo uma expressiva dívida de IPTU dos Maioranas (seria atualmente de R$ 800 mil, segundo a Secretaria de Finanças) e submetendo a auditagem uma dívida de publicidade municipal no valor de R$ 2 milhões, deixada pela gestão anterior, de Hélio Gueiros.

Após uma sucessão de arengas, o então secretário de finanças, Geraldo Lima [que depois deixaria o PT e seria indicado pelo governador Almir Gabriel, do PSDB, para ser desembargador, morrendo no exercício da função], foi demitido e a dívida, integralmente quitada.

A prefeitura petista foi além: cedeu R$ 100 mil para uma campanha ostensivamente comercial de venda de fitas de vídeo encartadas em O Liberal, parceria inédita em todo o país em relação a essa mídia. Foi um período de namoro que ambas as partes sabiam que seria tão curto quanto artificial. O grupo Liberal faturou bastante nesse período, aproveitando para acumular vacas gordas para o período seguinte.

Todos sabiam que ele tinha data certa para começar: a antevéspera das eleições municipais. Os Maioranas jamais apoiariam a reeleição de Edmilson Rodrigues, mesmo a peso do ouro que receberam durante a ilusória pax armada. Chegada a data-limite, iniciaram uma ofensiva contra o governo petista, chegando ao cúmulo de não aceitar a veiculação da propaganda municipal na TV Liberal.

A Comus deve ter levado material rico para exibir em São Paulo. Mas não deve ter levado toda a verdade sobre o contencioso. Não é verdade, por exemplo, que o PT reformou a postura viciada da prefeitura de Belém diante da imprensa. Corrigiu alguns erros, repetiu outros e criou novos. A verba publicitária continua a ser uma ferramenta para influenciar e fazer amigos, não exatamente para prestar contas ao público.

Compra de opinião

A Província foi tratada a pão e água enquanto criticou a administração petista. Hoje, com as verbas fluindo, quase chega a ser porta-voz. Permite até que matérias editorializadas, oriundas das sombras publicitárias da administração do PT, sejam publicadas sem identificação.

E o que dizer do pior veículo de toda a imprensa marrom mundial, o Jornal Popular, cheio de matérias pagas, sempre elogioso, desbragadamente elogioso, em todas as referências que faz à prefeitura de Belém petista? E se há radialistas recalcitrantes em seguir normas éticas e mesmo profissionais em suas locuções, incapazes de reconhecer o tratamento preconceituoso dado ao PT, há também maus radialistas que só dizem amém aos atos do professor Edmilson Rodrigues. Gratuitamente?

As queixas e relatos da Comus podem ser um bom motivo para aprofundar a análise e a denúncia, e tentar modificar a relação imprensa-poder em Belém e no Pará. Por isso, ao ler a notícia do Jornal do Povo sobre a participação da coordenadoria no encontro nacional do PT, remeti-lhe um questionário. As respostas vieram, como tem que ser num relacionamento maduro. Mas eram insatisfatórias.

Enviei mais perguntas. Fiquei sem retorno. A Comus não deu os nomes dos maus jornalistas que recebiam sem trabalhar na PMB e, por isso, foram demitidos, reagindo com “ataques raivosos” à prefeitura. Também não detalhou a quitação da dívida junto a O Liberal, nem várias outras questões por mim suscitadas.

Mesmo sem esses acréscimos, publico abaixo o questionário, na forma de entrevista, esperando que haja um segundo turno de informações da Comus e que os interessados ou atingidos se manifestem. O poder público é maltratado quando seus atos são apresentados defeituosamente ou maldosamente e não tem o direito de corrigir os erros detectados, nem mesmo de exercer o sagrado direito de resposta.  A sociedade precisa fazer a imprensa respeitar para valer o compromisso com os fatos e a verdade.

Voluntariamente, muitos órgãos da mídia não parecem capazes de aceitar esse princípio básico da democracia. Mas também os poderosos costumam considerar a crítica como ato de lesa-pátria ou lesa-majestade. O crítico é tratado como herege. Por tudo ser personalizado, a crítica passa a ser ato infamante em si, por existir. O que impede a pedagogia da cidadania, a democracia e a relação civilizada.

Todos esses males só podem ser combatidos a partir de um agente corretivo de largo espectro: a informação. A verdade está em algum ponto entre o argumento de uma parte e o da outra. Ambas contribuem para o esclarecimento quando o apresentam por completo, com todas as provas. E quando se submetem ao movimento contrário.

A quem se julga detentor legítimo da verdade, quanto mais informação, melhor. Por isso, espero que a Comus complemente o questionário. E aproveito para pedir, de público, que o Jornal do Povo, veículo da prefeitura, volte a ser remetido para o meu endereço. A suspensão coincidiu com o aprofundamento das minhas críticas à PMB. Pode ser mera coincidência mesmo. Mas só o futuro dirá. O futuro sempre responde.

A ENETREVISTA

Quando a Comus entende que começou o boicote da imprensa à administração municipal de Belém?

Acreditamos que há dois tipos de boicote da mídia em relação à atual gestão da prefeitura de Belém: o político e o financeiro, que começaram logo no primeiro mês de governo. Isso é facilmente observado quando fazemos uma leitura dos nossos “clippings”.

Um dos exemplos foi a polêmica criada quanto à realização do Carnaval 97 na Doca. Apesar de por anos sucessivos o carnaval de Belém ter sido realizado na avenida Visconde de Souza Franco, os veículos de comunicação local, especialmente os ligados às Organizações Romulo Maiorana de Comunicação, começaram, nos primeiros dias de janeiro de 97, uma campanha contra a realização do carnaval naquele local. Os argumentos: o povo iria destruir a “beleza” da Doca, que havia sido urbanizada pelo prefeito anterior. Apesar da campanha desmedida, a prefeitura realizou o carnaval no local.

Com menos de um mês à frente da administração da cidade, o prefeito Edmilson Rodrigues começou a ser cobrado veementemente por não resolver problemas que já se arrastavam há décadas (como o abandono do Ver-o-Peso) e outros que foram gerados pela grave crise econômica do país, que jogou milhares de pessoas no mercado informal.

No dia 29 de janeiro de 97, a capa do jornal O Liberal trazia o seguinte título: “Caos urbano afasta os consumidores do comércio – até os camelôs já sentem que a sujeira e a desordem estão atrapalhando os negócios”.

Outro pequeno exemplo. No dia 02/02/97, o caderno “Atualidades”, de O Liberal, trouxe a seguinte manchete: “Ver-o-Peso a caminho de ser outro lixão do Aurá”. O texto da matéria mostra que, apesar da importância do Ver-o-Peso, o principal cartão postal de Belém, a prefeitura ainda não tinha aberto os olhos para o local (fazia apenas um mês que o atual prefeito tinha assumido). Ninguém da prefeitura foi ouvido para falar sobre os projetos para o local.

Enfim, nesses três anos e meio de governo, essa relação com a mídia teve momentos distintos, que culminaram em crises pontuais, mas sempre amparadas por um arsenal de diferenças ideológicas e preconceitos.

A primeira grande crise com um grupo de comunicação, no caso as Organizações Romulo Maiorana de Comunicação, aconteceu porque o ex-prefeito Hélio Gueiros, seis meses antes de deixar o cargo, deixou de pagar os meios de comunicação. Só o grupo Liberal dizia que tinha mais de R$ 2 milhões a receber e partiu para a pressão, rompendo com a nova administração. As dívidas do governo anterior foram negociadas, parceladas e pagas.

Mas a situação gerada provocou matérias jornalísticas ofensivas (não críticas) contra a prefeitura. No dia 13 de março de 1997, o prefeito Edmilson Rodrigues fez a prestação de contas dos seus primeiros 73 dias à frente da prefeitura de Belém e, também, denunciou o motivo dos ataques que vinha sofrendo por parte dos veículos das Organizações Romulo Maiorana de Comunicação. O comício aconteceu na avenida 25 de Setembro, em frente ao prédio de O Liberal.

No dia seguinte (14 de março de 97), o jornal O Liberal publicou dois raivosos editoriais. Um na capa, sob o título “No Palanque – O Falso Brilhante”, o editor-chefe do jornal Walmir Botelho cobra pela falta de obras na cidade, pois o prefeito recém-empossado já estava entrando no terceiro mês à frente da administração da cidade.

A julgar pelo texto, esse tempo seria suficiente para mudar a situação do Hospital Pronto Socorro Municipal, do trânsito caótico da cidade, da presença de camelôs no centro, etc. Diz o editorial que as promessas de campanha não foram cumpridas, como o Banco do Povo, Bolsa Escola e Orçamento Participativo.

Nesse mesmo dia, no caderno Opinião, página 3, o diretor-editor-corporativo do Sistema Romulo Maiorana de Comunicação, Ronaldo Maiorana, assina um artigo sob o título “Delirante e insensato”, onde garante que o prefeito estava faltando com o respeito à democracia e, consequentemente, à liberdade de imprensa.

De que forma se manifestou esse boicote?

Em reportagens sem apuração, com a versão da prefeitura sempre escamoteada ou subutilizada, sendo que na maioria das vezes os técnicos da prefeitura sequer são procurados para responder. Esse boicote também se manifesta quando nossas respostas às reportagens e notas de colunistas com informações distorcidas e as cartas de leitores não são publicadas. E isso já ocorreu várias vezes e temos como provar.

Quem praticou esse boicote?

Na nossa opinião, é muito forte no Pará o fato do setor de jornalismo ser submetido ao setor financeiro das empresas de comunicação. Assim, dificilmente haverá realmente investigação jornalística séria. E quem perde é o leitor, é a sociedade. Mas os proprietários de meios de comunicação estão muito pouco interessados nisso.

Como reagiu a PMB?

Implantando formas alternativas para passar a sua mensagem à população. Nesse caso estão as “rádios poste” (aquelas rádios de bairros), e a TV de Rua, que num primeiro momento foi nosso principal meio de comunicação, pois as autoridades compareciam pessoalmente às exibições e eram questionados por populares.

No campo jurídico, a prefeitura partiu para ações exigindo retratações ou direitos de resposta. Infelizmente ainda não chegou em nossas mãos o balanço de quantas ações foram ajuizadas até hoje. Esperamos ter isso até amanhã para apresentar no seminário [isso foi no meio da semana passada]..

Pode a Comus exemplificar e caracterizar os “ataques diretos em forma de desafio e desqualificações” que diz haver a prefeitura sofrido?

Há vários exemplos. Uma análise mais detalhada dos nossos clippings mostra claramente isso. No geral, a mídia local tenta passar para a sociedade que essa administração, além de violenta, faz obras sem qualidade. Esse é o discurso principal.

Um pequeno exemplo de desafio: no debate travado sobre as matérias do jornal O Liberal, de fevereiro deste ano, sobre o aterro sanitário do Aurá, no espaço da Voz do Leitor, um trecho da Nota da Redação (publicada no dia 19 de fevereiro) diz o seguinte: “Da próxima vez – podem aguardar! – certamente pediremos autorização à Sesan para denunciar o que quer que esteja estorvando a vida das pessoas no lixão do Aurá”. Aliás, a adolescente grávida utilizada na foto publicada no jornal foi identificada pelos catadores como sendo uma moça de 23 anos.

A questão da desqualificação é mais forte entre colunistas e radialistas. Como procuramos responder a todos os questionamentos dos meios de comunicação, muitos profissionais parecem não aceitar. O Eloy Santos, por exemplo, uma vez criticou a atual gestão pelo “abandono” de Mosqueiro.

Com dados reais, passamos um texto para a emissora, no caso, a Rádio Liberal, mostrando quantas ruas tinham sido pavimentadas nessa gestão, quanto em termos de verba tinha sido aplicado em Mosqueiro, quantos postos de saúde tinham sido construídos, enfim, um raio x comparativo com outras administrações. Ele disse no ar que as informações eram “mentirosas”. Ligamos para o diretor de jornalismo da rádio, passamos fax para toda a direção do grupo e conseguimos que ele lesse a nossa resposta. Este ano, por duas vezes o Eloy, mesmo que contrariado, já teve que ler o nosso pedido de resposta.

A mesma atitude do Eloy foi repetida pelos radialistas Nonato Cavalcante, da Rádio Clube (que nos chamou de “cínicos” no ar porque nós lhe fornecemos dados sobre o que a prefeitura fez para amenizar os efeitos do inverno), e o Everaldo Lobato, da Rádio Marajoara, que também nos chamou de “mentirosos”. Imediatamente, entramos em contato com o Nonato Cavalcante e enviamos fax comunicando o ocorrido para o Camilo Centeno, mas até hoje a Rádio Clube não abriu espaço para a nossa defesa.

Já o Everaldo Lobato disse, sem apresentar qualquer prova, que a prefeitura tinha pago R$ 600 mil para que o jornalista Pedro Bial desse uma opinião positiva sobre o projeto “Sementes do Amanhã”, que é desenvolvido junto às crianças que catavam lixo no Aurá.

Procuramos mostrar-lhe que aquilo não era verdade. Não adiantou, ele continuou afirmando uma versão que alguém tinha lhe passado. Um radialista da prefeitura compareceu aos estúdios da emissora e, após muito esforço, pôde divulgar a nossa defesa. Ainda assim, ele passou alguns dias nos desafiando. É preciso dizer que processamos os dois locutores judicialmente e pedimos o direito de resposta.

O que notamos também é que alguns profissionais de comunicação se acham todo poderosos e que podem falar e escrever o que bem entendem, e não querem ser cobrados por isso. Quando essa cobrança acontece, a reação não tem sido boa.

O que mudou no relacionamento da PMB com a imprensa a partir da posse do prefeito Edmilson Rodrigues?

Mudou em todos os sentidos. Primeiro que todos os profissionais da Comus exercem uma função e comparecem para trabalhar. A própria relação com os meios na gerência de verbas publicitárias também mudou. Nós conseguimos não só renegociar, mas reduzir preços. Contingenciamos o número de emissoras de rádio, concentrando nas de maiores audiências.

Na política de comunicação, o posicionamento inicial adotado na área do jornalismo foi a da divulgação sistemática das atividades da prefeitura, através da produção diária de reportagens, notas e sugestões de pauta. Isso continua a ser feito.

Além disso, é prática contínua o envio de correção de informações e exigência do direito de resposta a reportagens equivocadas, na maioria das vezes com a intenção clara de prejudicar a imagem da prefeitura junto ao público. Um dos espaços utilizados é o das cartas dos leitores dos jornais.

No início deste ano, entretanto, houve uma rediscussão do relacionamento com os veículos de comunicação, que ainda em janeiro partiram para os ataques mais diretos, em função das proximidades das eleições.

A divulgação sistemática foi substituída pela divulgação específica de assuntos e pelo envio a determinados veículos. Ao mesmo tempo, a pronta-resposta passou a ser prioridade nas atividades do Núcleo de Imprensa e do Núcleo de Rádio da Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Belém.

Quais contratos superfaturados foram detectados na gestão anterior?

Estamos fazendo levantamentos mais aprofundados e na hora oportuna vamos enviar-lhe [vários dias depois, fechei a presente edição do jornal e o levantamento ainda não havia sido remetido].

Quais jornalistas e colunistas que, segundo a prefeitura, recebiam como comissionados e não trabalhavam e que foram exonerados?

No caso dos jornalistas e colunistas existiam dois casos. Tinha os que recebiam como DAS (as demissões foram publicadas no Diário Oficial do Município de janeiro de 97) e os que recebiam por serviços prestados (contratos temporários), mesmo não prestando qualquer serviço à prefeitura. Todos são facilmente detectados, são os que fazem mais ataques raivosos contra a prefeitura.

Quais os serviços de comunicação “até então inexistentes na Comus” que foram implantados?

Quando assumimos, a Comus só funcionava com o Núcleo de Administração, o cerimonial e o Núcleo de Imprensa. Implantamos o Núcleo de Rádio (responsável pelos boletins para as emissoras, por gravar todos os programas de rádio e tv local, além de telejornais nacionais), a TV de Rua, o Jornal do Povo, o boletim Belém em Rede.

Quando começou a circular o Jornal do Povo?

No primeiro semestre de 1997

Onde ele é impresso?

No inicio ele era impresso nos jornais onde era encartado. Depois esse serviço passou a ser feito em gráficas diversas.

Qual a sua tiragem?

O Jornal do Povo começou com uma tiragem de 30 mil exemplares por semana, mas por contenção de despesa, essa tiragem foi reduzida para 5 mil. Este ano, a tiragem passou a ser de 15 mil por semana.

Como é distribuído?

No início, o Jornal do Povo era encartado ora no Diário do Pará, ora em A Província. Hoje, dois funcionários da prefeitura são responsáveis por sua distribuição nos eventos da administração (por exemplo, o Orçamento Participativo, inaugurações), para entidades populares, e por mala direta para jornalistas, autoridades e membros da sociedade civil.

Quanto custa encartá-lo em A Província do Pará? Por que esse jornal?

Quando era encartado custava R$ 3.600 por semana. Estamos voltando a negociar com a Província e Diário para que ele volte a ser encartado.

Como foi a contratação do serviço (por licitação, especificando a modalidade, ou sem ela)?

O Jornal do Povo é produzido totalmente pelos profissionais do Núcleo de Imprensa, conforme consta no expediente e impresso em gráfica através de agência de publicidade.

Para quantos endereços eletrônicos é endereçado o Belém em Rede? Quanto custa este serviço?

Atualmente, o Belém em Rede é enviado para 586 endereços. O custo é baixo porque nós temos um site, no qual pagamos R$ 100 a cada seis meses ao provedor.

Quantas vezes e em que casos a PMB precisou recorrer à justiça contra veículos de comunicação? Qual o resultado dessas demandas? Especificar os tipos de ação, sobretudo direito de resposta.

Nós estamos fazendo esse levantamento junto ao corpo jurídico da PMB para podermos apresentar no seminário de São Paulo, mas ainda não temos esse balanço em mãos [o levantamento permaneceu indisponível até o fechamento desta edição].

Qual o orçamento da Comus?

Para custeio é cerca de R$ 1 milhão/ano.

Qual a verba de publicidade da PMB para este ano (citando também os valores ao longo da década de 90). Como é repartida essa verba? Quais as agências que as administram?

A verba publicitária da PMB é de 1% do orçamento municipal estimado ao ano, o que em 2000 representa cerca de R$ 3 milhões por ano. É a primeira vez que se gasta exatamente o valor previsto em lei. Antes, os gastos alcançavam mais de 3% do orçamento. Quem administra essa verba publicitária é a Comus. Não há gastos independentes. As agências pré-qualificadas e prestadoras de serviço para a PMB são: Vanguarda, DC3, Fax, Galvão, C&A, Target, Ivo Amaral e Imagine.

Quais os principais casos de boicotes de que a PMB se considera vítima por parte da imprensa?

Durante o mais recente reajuste das tarifas de ônibus, o noticiário, por exemplo, ignorou a existência do Conselho Municipal de Transportes, que aprovou o reajuste e a recomendação técnica feita pela Companhia de Transporte do Município, que com base em planilha técnica recomendou o reajuste da tarifa.

O prefeito homologou o que foi decidido pelo Conselho, composto por entidades organizadas, constituído para discutir assuntos referentes ao tema e decidir questões polêmicas como essa. A cobertura do IPTU também é um exemplo.

Outro boicote claro é que a direção das Organizações Romulo Maiorana de Comunicação estão se negando a veicular a nossa propaganda institucional na TV. Temos também o caso do jornalista e editor de O Liberal, Edir Gaya, que costumeiramente utiliza o espaço do leitor para emitir opiniões sobre a prefeitura. Às vezes, ele assina as cartas com o nome do filho (Leon Grabriel). A Voz do Leitor do dia 9 de dezembro de 99 é um exemplo disso (o título é “Homem Camaleão”).

(JP 235, 2ª quinzena de maio de 2000)

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