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Política

A história na chapa quente (82)

Réplica

(O texto a seguir é a resposta de Edir Gaya às colocações da assessoria de comunicação social da prefeitura de Belém, reproduzida ontem e originalmente publicadas no Jornal Pessoal 236, de maio de 2000. Como Edir foi citado, até retrospectivamente é assegurado o seu direito de resposta. E também pelas importantes informações que presta e colocações que faz.)

A propósito da entrevista dada pela Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Belém (ver Jornal Pessoal 235), Edir Gaya enviou a este jornal a seguinte carta:

Leon e Gabriel são meus filhos mais novo e mais velho. O pseudônimo Leon Gabriel surgiu há quatro anos, quando eu trabalhava como assessor de imprensa do Sindicato dos Bancários, em matérias publicadas em alguns jornais da cidade. Isso não é segredo, nem estratagema de má-fé.

Pessoas que têm relações com minha família, algumas delas trabalhando na Comus, conhecem os meus filhos e, sobretudo, sabem da minha opinião a respeito do governo municipal. Não escrevo “costumeiramente” sobre o Governo do Povo. Em mais de três anos foram três cartas, publicadas no Liberal, onde trabalho há seis anos como editor de Atualidades.

A primeira delas, publicada no domingo posterior ao reajuste de ônibus e assinada como Edir Gaya, indagava sobre as razões do prefeito para conceder um aumento de tarifa que, somado aos demais, perfazia um total de 40% só no seu período de governo, algo que nenhum dos prefeitos que o antecederam se atreveu a fazer. O cálculo é do Dieese e o argumento é do líder do governo na Câmara, vereador Arnaldo Jordy.

No processo de discussão do reajuste, antes do prefeito sancioná-lo, Jordy chamou a atenção para o desgaste político que representaria o aumento, sobretudo porque, apesar do reajuste dos combustíveis, as empresas acumulavam ganhos com serviços não implantados de bilhetagem eletrônica, cartão magnético – temas de representação da Ctbel ao Ministério Público contra os empresários –, afora a renda antecipada com a venda de vales-transportes, etc, etc, etc…

Defendia-se então um reajuste menor, que não transferisse o ônus do transporte coletivo para o orçamento dos trabalhadores e desempregados. O prefeito ignorou as ponderações do seu líder de governo e o Dieese foi anatematizado, reabilitando-se somente após a pesquisa dando conta de que a Prefeitura cobra o IPTU mais barato do país. A CUT, a CBB e vários sindicatos também foram contra o tarifaço. O prefeito não teve sequer a educação de recebê-los.

A Comus, dirigida por uma profissional recém-convertida ao prefeito, não se dignou a responder às indagações da minha carta. Não vou aqui acusá-la de me boicotar. É um direito meu, como eleitor e fiador deste governo, cobrar publicamente explicações. O governo se reserva ao direito de sonegá-las?

Tudo bem, não vou reclamar ao bispo. Digo o que penso e, na próxima eleição, dou o troco. A isso se chama democracia. E é por ela que eu tenho me batido desde a adolescência.

Aqui entra o Leon Gabriel. O título da carta escrita por mim duas semanas após a primeira é, na verdade, “Zelig – o Homem Camaleão”, referência ao protagonista de um filme de Woody Allen que, na minha opinião, expressa o temperamento ciclotímico deste governo pelas razões já relatadas neste jornal na abertura da matéria que deu origem à minha carta.

Assinei com pseudônimo não porque quisesse me esconder, mas para – tomando de empréstimo um termo do meu querido Paulo Bemerguy – vergastar o poder em busca de uma resposta não fornecida anteriormente por razões que só a direção da Comus pode explicar.

Ao Leon Gabriel finalmente a Comus respondeu, em carta publicada no Liberal, com essa baboseira sobre a soberania do Conselho Municipal de Transportes, uma entidade sobre a qual ninguém mais teve notícia após o reajuste. A decisão do conselho foi tão estapafúrdia que a Federação dos Centros Comunitários e Associações de Moradores (Fecampa) destituiu o seu representante por ele ter votado a favor do reajuste de mais de 16%.

A Ctbel estava unida então aos sindicatos das Empresas de Transportes – do qual já reclamava R$ 16 milhões no Ministério Público, referentes a serviços incorporados na tarifa anterior, pagos pela população e não implantados pelos empresários – e dos Rodoviários – cujo presidente está sob suspeita de receber dinheiro dos empresários para organizar greves.

Como se não bastasse, a Ctbel espalhou pela cidade dezenas de outdoors avalizando a antiga tese de que Belém tem a menor tarifa de ônibus do planeta. Não me assusta que os empresários repitam esse argumento à exaustão – ignorando as demais mazelas sociais da cidade – ; afinal, eles defendem o caviar de cada dia. Mas a Ctbel defende o que? E o Governo do Povo?

Por fim, a última carta – esta também assinada como Edir Gaya e não respondida pela Comus – refere-se ao episódio envolvendo o secretário de Educação Luiz Araújo e a ex-mulher do prefeito, Joana D’Arc Gonçalves.

O assunto parece revelar a convivência promíscua entre assuntos públicos e privados e envolve questões relacionadas a licitações públicas, acusações de agressão física, abuso de autoridade, etc, etc. Eu indagava então se Luiz Araújo continuava sendo compatível com o cargo de secretário de Educação depois do seu envolvimento no episódio, acusado de agressão.

Ninguém em sã consciência pode admitir que seguranças se atrevessem a retirar na marra a ex-mulher do prefeito da antessala de seu gabinete sem ordem superior. Tudo fica ainda mais nebuloso na medida em que Sua Excelência não deu uma declaração oficial sequer para esclarecer o episódio.

Por fim, não compreendo como essas indagações e opiniões podem se configurar em boicote ao governo municipal. Talvez a diligente dirigente da Comus possa explicar melhor.

Edir Gaya

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