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Justiça, Política

Maluf, enfim

Paulo Salim Maluf tem 85 anos. Já foi governador de São Paulo e prefeito da capital por duas vezes. Comandou, assim, o segundo e o terceiro maior orçamento público do país, só inferiores ao da União. É acusado de dilapidá-los em valor equivalente a um bilhão de dólares, mais de três bilhões de reais.

Responde a vários processos judiciais no Supremo Tribunal Federal em virtude do foro privilegiado associado ao mandato de deputado federal, que por quatro vezes os eleitores de São Paulo lhe concederam.O primeiro dos processos a ir a julgamento foi marcado ontem, para abril, duas décadas depois dos alegados desvios praticados pelo político paulista.

O Ministério Público Federal constatou a movimentação de 172 milhões de dólares por Maluf e parentes em contas secretas no exterior.

Na era da graça da Operação Lava-Jato vamos ter o privilégio de, finalmente, ver Maluf julgado (e, talvez, sentenciado e preso) por roubo?

TESTEMUNHO

Vi o Maluf nascer como político, em abril de 1969. Era repórter dos já extintos Diário de S. Paulo e Diário da Noite, dos Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand. Fui ao palacete dele para a primeira entrevista que deu como prefeito biônico da capital paulista, no seu palacete.

Enquanto falava sem parar, no estilo teatral que o viria a caracterizar, um fotógrafo decidiu subir numa das muitas cadeiras da sala para ter aquele “outro ângulo” que os retratistas sempre estão a perseguir. Quando o homem levantou o pé para pousá-lo na cadeira, dona Sílvia voou como ave predadora. Empurrou o fotógrafo, que se esparramou pelo chão e protegeu a cadeira, que tinha mais de 100 ou 150 anos. Diante do imobilismo geral que a cena provocou.

Diz-se que Maluf comprou o cargo dando um colar de diamante para a esposa do presidente da república, general Costa e Silva, a incontrolável dona Yolanda.

Discussão

6 comentários sobre “Maluf, enfim

  1. Olá Lúcio.
    Não temos viaduto com nome do Paulo Maluf. Temos a Avenida Salim Farah Maluf na zona leste, e não classificaria a Marginal Tietê como a principal via de SP. E sim, seria algo de relevante satisfação ter a opotunidade de ver o Maluf, e o que representa sua casta sendo punido de alguma maneira.
    Um abraço paulistano.

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    Publicado por Pedro | 10 de março de 2017, 14:07
    • Parece que estou sendo censurado no meu próprio blog.
      Mandei um comentário e ele não apareceu. Sumiu.
      Vamos tentar de novo.
      Obrigado, caro Pedro, pela oportuna correção, já efetuada.
      Nesse corre-corre de tanto texto e muito mais assuntos, foi um ato falho. Os viadutos incomodamente vizinhos na Marginal do Tietê (que, oportunamente, homenageia o marginal Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, paraibano-carioca-paulista mais conhecido por Chatô)) são do Orestes Quércia e Júlio de Mesquita neto. Para os Mesquitas do Estadão, Quércia era um gatuno. Não se bicavam. Mas estão ali, imobilizados no concreto.
      E viva São Paulo, onde morei por cinco anos, me tornei sociólogo e ganhei a primeira filha, a Juliana.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 10 de março de 2017, 14:41
  2. Me recordo que Maluf já foi preso junto com o filho (por pouco tempo), alguns anos atrás.

    Em matéria de desvio de dinheiro público, perto dele Jader é pinto.

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    Publicado por Gleydson | 10 de março de 2017, 15:35
  3. Por que dona Yolanda era incontrolável? Vim até aqui para ler sobre o político- gatuno- paulista e já fiquei com essa curiosidade sobre a ex primeira dama.

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    Publicado por Hiran | 11 de março de 2017, 00:55
    • Ela e o marido gostavam muito de jogos. De cartas a cavalos. Ela gostava de festa e badalação. Deslumbrou-se ao se tornar primeira dama. Maluf soube e lhe deu o colar de diamante de presente. Quando o marechal Costa e Silva morreu ela extravasou. Deu trabalho à segurança, assim como a dona Dulce, esposa do último general-presidente, João Figueiredo.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de março de 2017, 17:27

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