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Justiça, Petróleo

Moro: três anos de Lava-Jato

A Operação Lava-Jato completará três anos na próxima semana. Para o seu principal personagem, o juiz da 13ª vara federal em Curitiba, Sérgio Moro, mais do que uma investigação criminal, ela se transformou “em um processo de amadurecimento institucional, no qual há crimes praticados por pessoas poderosas e em que se mudou de um regime de impunidade para outro de responsabilidade [pela prática de atos ilícitos]”.

Em entrevista publicada hoje pelo jornal Valor Econômico, de São Paulo, ele diz acreditar que “algo mudou” no Brasil depois do processo do mensalão, mas considera difícil prever o futuro, “se isso vai passar a ser uma regra (o regime de responsabilidade) ou se foi uma exceção”.

Moro vê “risco de retrocesso” relativamente à herança das investigações da força-tarefa criada para apurar desvios de verba na Petrobras, envolvendo agentes políticos e financeiros. Esse risco é a tentativa de anistia geral a crimes ligados a doações eleitorais, encampada pela Câmara Federal no fim do ano passado.

A anistia apenas ao uso do caixa dois “seria algo menos preocupante”. O que o juiz mais teme é a anistia geral. “E ainda tem uma incógnita, porque há muitas investigações em andamento. Teremos de ver qual será o destino delas”.

Mas confia em que o trabalho realizado até agora se torne “difícil de ser perdido”, graças a todas as condenações e dinheiro público recuperado. “Acho que a grande questão é até onde vai. Para onde se pode ir”. Ter chegado onde está só foi possível pelo “próprio crescimento institucional”.

“Normalmente o tempo de duração de uma ação penal é de seis meses a um ano, aproximadamente. Até o julgamento. Mas tem investigações em andamento, e a conclusão delas é mais imprevisível”, raciocina Moro. Para ele, um fortalecimento poderá advir do desdobramento da operação para outros Estados.

Ao final da entrevista, Moro comentou as acusações de que houve excessos na Lava-Jato.“Não vejo com clareza excessos. Pela dimensão dos crimes em investigação e pelo caráter sistemático deles, não vejo algo que possa ser descrito como excesso”.

Discussão

3 comentários sobre “Moro: três anos de Lava-Jato

  1. Ele está certo. Excesso foi a ladroagem que esta sendo revelada pela LJ.

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    Publicado por José Silva | 10 de março de 2017, 21:47
  2. Se o Torquemada de Curitiba realmente fosse imparcial com a “dimensões dos crimes” e com o “caráter sistemático deles” deveria investigar a partir da denúncia do falecido Paulo Francis.

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    Publicado por Luiz Mário | 13 de março de 2017, 10:45
    • A denúncia do Francis já foi exaustivamente examinada. Ele tinha se baseado em boatos. Não tinha prova alguma. Tanto que tentou arranjar um acordo no tapetão quando todos os diretores da Petrobrás o processaram na justiça de Nova York. Até o FHC, procurado pelo Francis, tentou abafar a ação, sem conseguir. Francis não deu qualquer prova concreta ou indício fo0rte. Limitou-se a dizer que todos os diretores tinham contas secretas no exterior. Era uma notícia tão exclusiva dele que não teve desdobramento. Francis não ia a campo para ter fontes de fatos. Era um estupendo analista. Nunca foi um repórter. Lucas Mendes foi. Por isso tentou calar o Francis, mas ele era boquirroto e morreu pela boca. Lamento a morte dele e até gostaria que os diretores da Petrobrás tivessem retirado a ação. Acho que ninguém podia imaginar que o Francis ficaria tão angustiado que sofreria aquele infarto e morreria.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 13 de março de 2017, 17:22

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