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Cidades, Cultura, Política

Salve-se o palacete azul

Pelo menos este mérito o prefeito Duciomar Costa tinha: ele pouco ia ao palácio Antonio Lemos. Fazia a sua gestão em outros lugares, evitando a sede do poder municipal para as suas – digamos assim – tratativas. Mesmo que involuntariamente, portanto, dava a sua contribuição para preservar a bela e mais que centenária construção neoclássica.

Como quase todos os monumentos históricos e arquitetônicos de Belém, o palácio que leva o nome do – ainda – maior prefeito da cidade (100 anos depois do final do seu reinado de 15 anos), vive numa gangorra – ou montanha russa, para ser mais exato. Fugidios momentos de retomada da sua opulência se sucedem a períodos mais longos de abandono e decadência, que chegam à beira de ameaçá-lo de morte.

O prédio pode sofrer um incêndio (como o que aconteceu com a antiga alfândega e convento dos mercedários) ou desabamento, tal o estado de deterioração em que se encontra, em seguida a uma das suas melhores restaurações. Felizmente, por enquanto, houve apenas um incêndio restrito, logo controlado.

Antes que se consuma um acidente mais grave, o prefeito-poeta Zenaldo Coutinho podia praticar o seu melhor verso, transferindo o que resta do seu gabinete e extensões para o prédio da Codem, onde se instalou, ou para outro lugar qualquer. E tratando de reconstruir o palacete azul para reservá-lo ao museu de Belém e outras atividades culturais.

O poder público municipal já não é, faz tempo, merecedor do palácio. Parece que só lhe provoca urucubacas.

Discussão

15 comentários sobre “Salve-se o palacete azul

  1. Você acha que Zenaldo reformará devendo 3 milhões? Eta Zenaldo. BRT não vai terminar, mesmo depois de milhões e milhões gastos e transtornos. Estrada Nova também não. Incêndio no HPSM e agora risco de incêndio no Palacete. Eta prefeito pra gostar de fogo. Deveria lançar um livro de poemas tendo o fogo como temática kkkkkkkk.

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    Publicado por Fábio reis | 10 de março de 2017, 16:51
  2. A reforma referida no palacete azul foi a de 1926 em que o que o prédio construído em área pouco apropriado como o alagado do Piri mostrava grande rachaduras e dado como de difícil recuperação de sua estabilidade. Com um trabalho de engenharia pioneiro Henrique Santa Rosa utilizou técnicas heterodoxas e inovados, mesmo com toda descrença conseguiu recuperar o edifício histórico.
    Lembro de algumas notas do Jornal Pessoal anos atrás sobre a deterioração do espaço, e reformas a altos preços eram realizadas quando já necessidade era indispensável, acho que no governo de Duciomar.

    Incêndios com as instalações elétricas, ar-condicionados e curto circuitos povoam as noticias de Belém. O que o Crea fez disso tudo e o que atuou para tentar dirimir estes problemas ainda busco saber, mal vejo eles se pronunciarem.
    Acidentes históricos temos o da alfandega e dos mercedários, o do prédio da receita federal e do INSS que continuam sem uso no meio do espaço.
    Sobre um processo nas costas, e uma possível morte, muita pessoas voltaram a discutir e a lembrar do incêndio no Pronto Socorro, Mario Pinotti, da 14 de Março. Ainda na gestão de Zenaldo Coutinho, também com a causa no ar-condicionado e uma relação discutível com os bombeiros e seu laudo isentando o prefeito.

    Mas sobre a ação dos bombeiros reproduzo a mensagem muito repercutida nas redes sociais, de Aldrin Figueiredo, mais um professor de historia da UFPA.
    “Eis que você acorda com a notícia de um princípio de incêndio no Palácio Antonio Lemos. Os bombeiros vão lá para apagar o incêndio na sala dos altos e alagam a biblioteca do Museu de Arte de Belém que fica na sala do andar de baixo. Livros, cartas, documentos encharcados! Não é de hoje que fotos e mais fotos circulam na rede sobre o estado de abandono do prédio que abriga ao mesmo tempo a prefeitura e o museu. Agora imagine: se a própria sede do poder municipal está nessa situação, pense o resto da cidade? Até quando vai se ficar pensando se o prefeito é meu ou seu amigo? Se é do partido tal ou daquele outro? Se é do PSDB ou do PSOL? Se é de esquerda ou de direita? A omissão é o pior dos males. Vale lembrar que este edifício, no século XIX chamado até de Hôtel de Ville em alusão á prefeitura de Paris, tal a sua imponência e riqueza, hoje passa alguns de seus piores dias. Nas suas salas de frente estão obras de arte de valor inestimável para o país, que seria cansativo aqui arrolar – de De Angelis a Benedito Calixto, de Mathurin Moreau a Theodoro Braga, de Georges Wambach a Antonio Parreiras. Meus senhores e minhas senhoras, correndo enorme risco, está aí a pinacoteca de Belém, que vem sendo constituída desde o Império por outros intendentes e prefeitos que mais amor e dedicação tinham por sua cidade. O fogo de hoje já deu seu aviso. Tomara que amanhã não choremos ainda mais sob os escombros de uma coleção e de uma história que nunca mais será recuperada”.

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    Publicado por Fabrício | 11 de março de 2017, 01:37
  3. O caso do incêndio do pronto socorro da 14 se discutiu pois o prefeito teria sido notificado dos problemas elétricos e dos risco de um possível incêndio no local, e que o incidente (acidente, como diz o presidente) teria ocorrido devido a negligencia do prefeito.
    Novamente com o caso do Palacete a historia se repete e pode ser feita a mesmas questões quanto a causa, se havia conhecimento dos problemas, se há planos de segurança em caso de tais sinistros (com informe do alagamento da biblioteca, parece que não), o que poderia ser feito para evitar ou dirimir tais efeitos? O corpo de bombeiros está preparado para apagar fogo sem danificar o material do local? Inocentarão novamente o prefeito?
    Incêndios que vem e vão, lembrei novamente do artigo do JP sobre incêndio da farmácia Cezar Santos e o outro edifício histórico ao lado, muito noticia, e que o tempo e a memoria muitos já nem lembram. Junto ao incêndio do ilustre patrimônio histórico a que as pessoas davam efêmera atenção, em outro canto o artigo também noticiava outro incêndio, mais comum e banal, incidentes diário das moradias com uma carência de estrutura e condições dignas de moradia. Palafitas, construções em madeira, lado a lado, em vielas estreia que eram e são o fogo fátuo do cotidiano.
    Nas pobre moradias e nos prédios históricos, em cada canto o fogo vai consumindo essa Belém.

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    Publicado por Fabrício | 11 de março de 2017, 02:15
  4. Outro ponto de sorte para a prefeitura neste incêndio é que o também histórico prédio do corpo de bombeiros fica na mesma quadra da abandonada praça Felipe Patroni na parte de trás da prefeitura, a um quarteirão, poucos minutos e alguns passos.
    Como a prefeitura se preocupa com a cultura e a preservação de documentos ela aproveita a ocasião para anunciar o curso de salvamento de acervos, em suporte de papel. O curso acontece dia 11 ao dia 13 de março com a parceria do Arquivo Público, Unesco, MAB, FUMBEL e PMB, na sala Theodoro Braga na prefeitura.

    P.S.: Uma importante noticia que vi hoje foi o anuncio da reedição do livro de Dalcidio Jurandir, Ponte do Galo, sétimo livro do ciclo extremo norte. Sua literatura é profunda, mas pouco divulgada e conhecida entre o grande público, possuindo apenas cerca de uns quatro livros do autor com novas edições em venda atualmente. A empreitada ficará a cargo da editora Pará.grafo, mas ao que indica ainda fará uma campanha de financiamento coletivo para tirar a iniciativa do papel. A editora anuncia os responsáveis pela empreitada “O livro contará com a participação do escritor e pesquisador Paulo Nunes na elaboração do texto de prefácio, da Paloma Franca Amorim na ilustração do miolo e fotografia do marajoara Eliseu Pereira para a capa.”
    https://www.e-paragrafo.com.br/single-post/2017/03/10/%E2%80%9CPONTE-DO-GALO%E2%80%9D-DE-DALC%C3%8DDIO-JURANDIR-GANHAR%C3%81-REEDI%C3%87%C3%83O-AP%C3%93S-46-ANOS

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    Publicado por Fabrício | 11 de março de 2017, 14:58
    • Dalcídio é dos poucos escritores da Amazônia com dimensão nacional e internacional. Apesar de toda promoção recente ainda é mesmo um ilustre desconhecido.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de março de 2017, 17:30
      • Ponte do Galo está entre os romances que nunca receberam uma segunda edição. Na mesma situação, estão Chão dos Lobos (1976), Ribanceira (1978) e Os Habitantes (1976). À propósito, os livros de Dalcídio falam sobre uma Belém decadente e destruída. Entretanto, o tempo histórico dela é aproximadamente a década de 20. Imagine o estado de perplexidade dele se visse a nossa Belém atual.

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        Publicado por Jonathan Pires | 11 de março de 2017, 21:37
      • Belém está precisando de um novo Dalcídio. Manaus ganhou o seu: É Milton Hatoum.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 12 de março de 2017, 11:33
      • Inclusive, Milton Hatoum pode vir a ser um candidato a Nobel algum dia. Sua obra já está sendo traduzida para outros países.

        PS:Curiosamente, o romance Linha do Parque, do Dalcídio, escrito sob encomenda do partido Partido Comunista, ganhou uma edição russa na época. Ninguém até hoje teve acesso a um exemplar dessa edição.

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        Publicado por jonathan | 12 de março de 2017, 13:21
  5. Está mais que escancarado a jogada: deixar acontecer a tragédia para, no afogadilho de sanar o mal, liberar verbas públicas e…..

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    Publicado por Luiz Mário | 13 de março de 2017, 18:21
  6. Mais noticias do nosso Museu a cair. escritas pelo Professor Aldrin novamente:
    “O Museu de Arte de Belém está fechado. Hoje, uma parte do teto em estuque do Palácio Antônio Lemos, ricamente decorado despencou no salão verde, ao lado da tela Os últimos dias de Carlos Gomes, de De Angelis e Capranesi, pintada em 1899 (que pesa coisa de 1 tonelada). Os órgãos ditos competentes estão esperando mais o quê? Um tsunami? O desencanto da cobra grande? A ressurreição do próprio Lemos para que ele possa tomar uma providência? A volta do Rei Sebastião? Ninguém vai chamar esse prefeito às falas? Nada?”

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    Publicado por Fabrício | 14 de março de 2017, 17:30
  7. Não sei se agradeço ou lamento as preciosas informações que o Fabrício compartilha aqui.. Ai de ti, Belém!

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    Publicado por Marlyson | 28 de março de 2017, 07:46

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