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Economia

Culpa do ajuste fiscal?

Para animar o debate, reproduzo artigo de Adolfo Sachsida, publicado pelo Instituto Liberal, com uma visão ortodoxa sobre a economia brasileira atual. É uma crítica a Lula, Dilma e Temer, todos postos no mesmo saco (de gatos).

Em 2014 o PIB brasileiro cresceu 0,1%. Em 2015 o PIB brasileiro caiu 3,8%, e em 2016 o PIB caiu 3,6%. De acordo com o IBGE isso marca a pior recessão da história da economia brasileira. Além disso, são 13 milhões de desempregados (número mais alto de nossa história).

De quem é a culpa dessa crise? A resposta é simples: a culpa da crise atual é da Nova Matriz Econômica. Invenção absurda e irresponsável dos governos Lula e Dilma. Nunca na história de nosso país uma crise foi tão anunciada. Vários economistas alertaram para os enormes erros de política fiscal e monetária dos governos petistas.

Por algum motivo absurdo, alguns analistas que beiram o analfabetismo têm culpado o ajuste fiscal pela crise atual. Sejamos claros: ou estão mentindo ou simplesmente nada sabem de economia. A crise atual é decorrência direta dos erros de política econômica dos governos Lula e Dilma. Qualquer explicação alternativa que não reconheça tais erros é no mínimo desonesta.

Desorganização do setor elétrico, bagunça no pré-sal, contabilidade criativa, política de campeões nacionais do BNDES, redução na marra dos juros feita pelo Banco Central, expansão irresponsável do crédito subsidiado para setores específicos, desonerações tributárias específicas a setores escolhidos por critérios nem sempre claros, aumento desenfreado do gasto público, mudanças nas regras de concessão, e vários outros erros de política econômica destruíram a economia brasileira. Seja na política microeconômica, seja na política macroeconômica, os erros de política econômica dos governos Lula e Dilma afundaram nossa economia.

Agora a cereja do bolo. Em 2014 o déficit primário do governo central foi de R$ 17 bilhões (0,34% do PIB). Em 2015 o déficit primário do governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) foi de R$ 115 bilhões (1,94% do PIB de déficit primário). Já em 2016 o déficit primário do governo central foi de R$ 154 bilhões (1,9% do PIB). Em 2017 a meta de déficit primário para o governo central é de R$ 139 bilhões. Por fim, para 2018 a expectativa é que o déficit primário do governo central fique em R$ 79 bilhões.

Com esses números fica a pergunta óbvia: cadê o ajuste fiscal??? Que ajuste fiscal é esse onde o governo sequer produz superávits no conceito primário (aquele que não leva juros em consideração).

Em 2017 o gasto real do governo será maior do que o gasto de 2016. Alguém pode me explicar que ajuste fiscal é esse onde o gasto público aumenta, e o déficit primário fica consistentemente próximo (ou acima) de 100 bilhões por ano (mais de 1% do PIB)? Prestem atenção: NÃO OCORREU AJUSTE FISCAL NO BRASIL! Culpar um fictício ajuste fiscal pela crise atual é simplesmente desonesto, é mentira pura e simples.

Sim, é verdade que o governo aprovou uma PEC do teto do gasto. Mas essa PEC AUMENTA o gasto público em termos reais para 2017, e mantém esse gasto em patamares elevados para 2018. A rigor, essa PEC só começará a limitar o gasto público a partir de 2019.

Sim, é verdade que o governo tenta aprovar a reforma da previdência. Mas pelas próprias regras de transição essa medida não terá impacto significativo nas contas públicas nos próximos dois ou três anos (isso no caso do governo conseguir aprovar regras de transição rápidas, o mais provável é que esse efeito só se faça sentir depois de 5 anos após aprovada a reforma da previdência).

Em resumo, apesar dos esforços da equipe econômica atual, o gasto público no Brasil não foi reduzido e continua em patamares elevados. Sim, é verdade que a equipe econômica atual vem tentando reduzir o déficit público. Mas esses ajustes estão sendo feitos de maneira muito gradual, e mirando o médio e longo prazo. No curto prazo os números fiscais da economia brasileira estão ruins, e simplesmente não é possível culpar o ajuste fiscal (que sequer ocorreu) pela crise atual.

Discussão

11 comentários sobre “Culpa do ajuste fiscal?

  1. É uma crise anunciada. O Estado já vinha crescendo desde sempre; os petistas só aceleraram demais o processo. Temos de olhar a história toda do Brasil, especialmente o período pós-militar, quando ascendeu a única força política que existia na época: os partidos de esquerda – os de direita já haviam sido arruinados pelos próprios militares, que caçavam comunistas no mato, enquanto a esquerda tomava as instituições para si dentro dos sindicatos (especialmente dos jornalistas) e escolas (especialmente as públicas), promovendo dando início à “revolução cultural” da Escola de Frankfurt, de Marcuse, de Paulo Freire… E, sabe-se, partidos de esquerda querem sempre mais Estado como força promotora do “desenvolvimento”, a exemplo dos Estados fascistas, nazistas e comunistas. Está aí o resultado, o tamanho da queda, pois essa cultura não deu certo em canto algum.
    Para melhor entendimento, faça-se comparação com o microuniverso das finanças pessoais: comece a criar demandas com seus próprios filhos e os torne dependentes. A conta não vai fechar em algum tempo e vai acabar todo mundo pobre. No caso do Estado, a saída vem sempre por meio do aumento de impostos, já que ele não produz nada, apenas distribui o que arrecada (tentar reduzir seu tamanho gera impopularidade). No caso das famílias, sem saída, passam a querer mais assistência do… Estado (vide o sucesso dos concursos públicos na mentalidade do brasileiro). A sociedade fica cada vez mais pressionada. O mercado, também pressionado, reduz investimentos, porque sabe dos riscos de um governo que gasta demais.
    Resumindo: o plano de centralização de poder para implantação de um governo socialista sempre esteve em plena execução, começando pelo PSDB (esquerda herbívora), revezando com o PT (esquerda carnívora), sem qualquer força política a contrapor o intervencionismo.
    Ainda que quisesse, ainda que num passe de mágica Temer se tornasse um liberal/conservador, com o Congresso que temos não teria condições políticas de aprovar propostas para reduzir o tamanho do monstro, pra valer. Nesse ponto, a alternativa seriam eleições gerais, outra impossibilidade. O que nos resta é rezar para que não cheguemos ao “point of no return”, quando a maior parte da população estará dependente do Estado por alguma forma. Quem vai querer perder a renda? Estaremos no rumo certo do totalitarismo centralizado na figura de algum messias. Só não contavam com a absurda incompetência de Dilma Vana Rousseff, um desastre em todos os sentidos, até para o próprio Lula.
    Esse negócio de dizer que a crise foi gerada pelo ajuste fiscal não passa de uma falácia da esquerda. Não há ajuste fiscal substancial algum, apenas medidas cosméticas, que não reduzem o apetite.
    Portanto, o plano de destruição do capitalismo no Brasil está dando certo na cartilha da mentalidade marxista. Ou o sujeito não sabe disso e é um desinformado, ou está de má-fé.

    Queria ler tua opinião a respeito, Lúcio.

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    Publicado por Frederico Guerreiro | 12 de março de 2017, 13:27
    • No geral, você está certo. Só lembro que o FHC manifestou o seu desejo de acabar com isso, pondo fim ao estatismo gerado por Vargas, na sua face pai dos pobres (e, antes deles, dos ricos, como Lula revelou ser),

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 12 de março de 2017, 16:22
      • Demagogia de FHC. Pode até ter manifestado sua intenção de acabar com o estatismo gerado na era Vargas. De fato, realizou privatizações que retirariam o Estado de alguns setores estratégicos, porém entendo que para possibilitar condições econômicas (juntamente com o controle da inflação) para o superávit primário, restabelecendo alguma segurança jurídica ao setor produtivo (confiança que não temos mais hoje). Mas, por outro lado, promoveu a maior taxação progressiva da sociedade, proporcionando um salto quantitativo na carga tributária e subsequente arrecadação, bem como no aperfeiçoamento do aparelhamento de todos os setores públicos, sem quase nenhuma melhora na infraestrutura nacional. Estatizou foi mesmo a sociedade por meio da taxação progressiva (imagine-se que tanto mal falam do “Quinto” da época da mineração! – hoje, em quantos % o cidadão é taxado?). Portanto, se isso de “desestatizar” significa que FHC deu uma guinada à direita, nada mais equivocado. Deu com uma mão, mas tirou bem mais com a outra. Ademais, foi com ele que se iniciaram os programas assistencialistas turbinados pelo PT – aliás, o próprio FHC já se assumiu, em várias oportunidades, um social-democrata, aquela “esquerda herbívora” que entendeu certinho o novo tipo de revolução fabiana necessária para atingir seus objetivos socialistas. Ou seja, teríamos apenas dois partidos de esquerda de mesma ideologia, mas com métodos diferentes, ambos nos levando à desgraça.
        Nunca tivemos liberalismo econômico de verdade, por isso seguimos atolados, e a direita parece estar morta para uma guinada. O Estado nas mãos do PSDB cresceu muito, nas do PT explodiu.

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        Publicado por Frederico Guerreiro | 12 de março de 2017, 20:10
    • Boa, Frederico Guerreiro. Só não vá tentar explicar aos bolivarianos, eles não vão entender, principalmente se a pessoa acredita clichê que o processo de mercantilização da educação não permitiu o acesso do grosso da população nas universidades públicas e tenta empurrar Foucault nas criancinhas na escola, e ainda vai ser vice-presidente na chapa do Lúcio rssss…
      Este país só munda quando mudar a mentalidade de seu cidadão. Foucault só piora.

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      Publicado por Paul Nan Bond | 12 de março de 2017, 20:48
      • Obrigado. Embora eu entenda sua intervenção com endereço, nunca perca as esperanças. A grande maioria das pessoas é apenas desinformada. Uma minoria, apenas, age de forma consciente. Por isso precisamos ampliar os debates.

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        Publicado por Frederico Guerreiro | 12 de março de 2017, 21:48
  2. Mas o Lúcio não disse que era pra animar o debate? Animei rsrsrs… Mas queria que a endereçada viesse aqui debater pra animar mais ainda. Rsrsrsrs…

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    Publicado por Paul Nan Bond | 12 de março de 2017, 22:00
  3. Esse nome PAUL NAN BOND, parece que é uma pegadinha LÚCIO. Cuidado, é o mesmo dá linha do já em desuso Dr. Tomás turbando. Infelizmente, há sujeitos que usam um espaço sério para imbecilidades.

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    Publicado por FRANCISCLAY | 13 de março de 2017, 16:52
    • Levo na esportiva os pseudônimos, embora jamais tenha usado um. O cidadão que está atrás dessa máscara não agride nem debocha. Faz bons comentários. Devemos aproveitá-los e esperar que, um dia, ele não precise mais se esconder atrás de um artifício desses.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 13 de março de 2017, 17:28
      • Obrigado, Lúcio. Espero mesmo um dia não precisar mais. És inteligente demais para te deixares enganar, nunca duvidei disso. Vais saber e entender (até acho que já). Todos vão saber, com os mais veementes pedidos de desculpas se um dia houver quorum para o Paul, ou simplesmente ele desaparecerá. Mas minha agonia no meio em que estou metido me obriga a isso. Retaliação, na certa, por adotar determinadas posições políticas. Infelizmente, não tenho essa independência e liberdade toda tua, que sequer recebe por publicidade em seu heroico Jornal Pessoal, o mais importante destas paragens de todos os tempos, meu grande inspirador em minha formação ética e profissional. Um dia chego lá, quando meu feedback profissional me respaldar. Grande abraço!

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        Publicado por Paul Nan Bond | 13 de março de 2017, 20:05
      • Grande abraço, Paul. Muito obrigado. Não suma.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 13 de março de 2017, 21:13
    • A propósito, Francisclay é homem, mulher ou transgênero já permitido pela lei dos registros públicos? Baita pseudônimo a ser proteprotegido pelo direito autoral.

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      Publicado por Paul Nan Bond | 13 de março de 2017, 21:00

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