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Cidades, Justiça, Política

Belém castigada

Quando o expediente de amanhã começar, o Ministério Público do Estado terá que tomar uma providência imediata: forçar a prefeitura de Belém a completar as obras em andamento do BRT. Para que isso aconteça, obrigará o governo do Estado a suspender as obras do BRT Metropolitana. até Ananindeua, uma extensão do atual, para que essa conclusão se dê o mais rapidamente possível.

Na última sexta-feira o prefeito Zenaldo Coutinho admitiu: não concluirá o BRT até o final do seu mandato, em 2020. Como então o fiscal da lei, autor da ação penal pública e defensor dos direitos difusos da coletividade continuará a observar, impassível, o tormento diário imposto aos cidadãos pelo ritmo absurdamente lento das obras e, ao mesmo tempo, permitir que um novo BRT seja construído sem que o serviço em curso se conclua?

Um visitante da capital paraense mais atento deverá se escandalizar com a versão local desse sistema de transporte pretensamente mais rápido. Pela plataforma de concreto, mais elevada do que as pistas vizinhas, circulam poucos ônibus. Apenas quatro deles são realmente do tipo do BRT. Os outros são as velhas ou novas charangas que, para cumprir a nova missão, receberam apenas um acréscimo: uma placa os anunciando como ônibus expressos.

Esses ônibus têm apenas duas estações em uso. A de origem, na avenida Augusto Montenegro, de tão grande e bem dotada, parece mais um terminal aeroportuário. E assusta seus clientes mais humildes e desacostumados com estrutura e serviço de melhor qualidade. Esses BRTs saem a cada 20 minutos. Nunca lotados. Na maioria das vezes, com raros passageiros. Mesmo com ar condicionado e a mesma tarifa (o que, certamente, não interessa aos donos de ônibus da frota ordinária – e quanto ordinária ela é, sabe bem o usuário).

As estações ao longo da única via direta de saída (e entrada) de Belém, a avenida Almirante Barroso, estão fechadas. Aparentemente, teriam condições de uso. As pistas também, ainda que o mato comece a crescer em torno delas. Mas todas estão isoladas por tapumes metálicos. Assim, os quatro BRTs e os expressos mambembes têm que descer da plataforma e se incorporar às pistas de fluxo normal, que nesses trechos passam a ser apenas duplas. Congestionam ainda mais o diabólico trânsito.

Em outro trecho, a tarefa é voltar à plataforma concretada (nos BRTs de outras cidades o isolamento é feito apenas por uma faixa pintada no chão), bloqueando a passagem dos que vêm atrás. Já em São Braz, o ponto de cruzamento está afunilado pelo tapume que circunda a estação maior da avenida.

Sem falar nos absurdos de esta linha tronco entrar em funcionamento sem as estações e sem o bilhete único, há o transtorno causado às pessoas por essa obra que, segundo o próprio prefeito, que a propagandeou tanto na sua campanha de reeleição, estará ainda por fazer em 2020.

Se o MP do Estado continuar omisso, a população poderá dividir com ele as críticas justas e furiosas que dirige a um dos piores prefeitos que Belém já teve, conquistando esse destaque em meio a tantas mediocridades que os paraenses escolheram para dirigi-los nos últimos anos. Belém merece o castigo, mas a dose se tornou excessiva.

ATUALIZAÇÃO

Uma fonte da prefeitura pediu para retificar a informação atribuída incorretamente a Zenaldo Coutinho. Ele não disse que chegará ao fim do seu mandato, em 2020, sem concluir o BRT até Icoaraci. O prefeito disse que talvez não acabe todo corredor da avenida Augusto Montenegro, que inclui obras na própria via, à parte o BRT. Este, sim, chegará ao seu término – e ainda neste ano, segundo a fonte oficiosa.

Está feito o registro.

Discussão

8 comentários sobre “Belém castigada

  1. é que os belenenses são burros, deviam mudar o nome da cidade para República Dominicana, e já teríamos até metrô para o Marajó.

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    Publicado por Paul Nan Bond | 12 de março de 2017, 20:37
  2. E pensar que o BRT de Curitiba ( o original , e o projeto original ) foi implantado em dois (2) anos !
    É óbvio que aí tem coisa pobre . Mas quem disse que o Ministério Público está interessado …

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    Publicado por Marly Silva | 12 de março de 2017, 20:48
  3. E a CPI da Câmara sobre o BRT ?
    Cadê a dita oposição ? Cadê o PT , os PC’s , o PSOL ????
    Os (as) vereadores(as) são pagos para fiscalizar o executivo , não ? Será que a lei mudou a função dos vereadores e esqueceram de nos avisar ?

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    Publicado por Marly Silva | 12 de março de 2017, 20:52
  4. Insisto: procura-se eleitores de Zenaldo, especialmente os de discurso mais exaltado.

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    Publicado por jonathan | 12 de março de 2017, 22:57
  5. eu só discordo que impedir que o BRT Metropolitano saia do papel (sendo que já está atrasado mais de um ano) vai resolver as coisas, vai piorar isso sim. Daqui há alguns meses todas as estações da Almirante estarão prontas, incluindo a principal em São Brás que é o ponto final de integração, porque o BRT Metropolitano não pode avançar tendo essa parte completa?

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    Publicado por Gleydson | 13 de março de 2017, 07:53
  6. Alguém falou em lixão?

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    Publicado por Luiz Mário | 13 de março de 2017, 18:29
  7. Meu caro JONATHAN: “Diz-se que”.

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    Publicado por Luiz Mário | 14 de março de 2017, 10:53

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