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Economia, Imprensa

O banco virtual

Quanto o Banco do Estado do Pará pagou para Marcelo Tas vir a Belém comandar a festa de lançamento da maior campanha publicitária da sua história e anunciar que o seu banco digital é o que há de mais avançado e melhor no mercado? Deve ter sido muito dinheiro. Afinal, Tas proclama possuir 12 milhões de seguidores e é seguidores que o Banpará diz ser o seu objetivo, mais do que obter clientes. Como marketing, foi brilhante. Como prestação de serviço, é de se duvidar.

A maravilha da tecnologia funciona no primeiro andar do Boulevard Shopping, à beira de um antigo igarapé que foi pavimentado e se tornou ponto nobre da cidade em torno de um esgoto não tratado a céu aberto, abastecido a partir de algumas moradias que nem fossa negra possuem. Quem quiser usufruir vantagens derivadas da plena digitalização vai ter que se deslocar até o shopping supostamente classe A, que não faz parte da agenda normal de parte substancial da clientela do banco. Clientela cativa quando se trata de funcionários púbicos do Estado, que, pelo banco estatal, recebe os seus pagamentos.

Este cliente vai continuar a recorrer a tecnologia que está longe de ser de ponta, em agências sem o menor glamour, sujeito a variações de velocidade no atendimento, variações que o péssimo atendimento pela internet provoca. Nem esse cliente nem essa rede aparecem na propaganda massiva que o Banpará patrocina. É um mundo virtual a tentar substituir a realidade das aparências e da manipulação. Dualismo que constitui uma das marcas do modo tucano de gestão da coisa pública.

Por isso e a propósito: com quanto dinheiro do Banpará Marcelo Tas – e seus mais próximos seguidores em terra paraense – saiu daqui?

PS

By the way, (conformse expressou personagem das filmagens da campanha): sou de um tempo em que nem o mais canalha dos jornalistas se imaginava garoto propaganda. Vários da espécie faziam todo tipo de negócio à margem da matéria jornalística, da redação, no seu chen ou jabaculê. Mas não o de se expor para apregoar vendas. O marketing criou mais essa fonte de renda, de muita renda. E quem embarcou nessa nau dourada deixou de se submeter a questão: é ético, é moral, é decente? Pra que pensar nisso? O sonoro tilintar de 30 moedas fala muito mais alto.

Discussão

6 comentários sobre “O banco virtual

  1. Viva as faculdades de jornalismo que criaram os especialistas em marketing e os marqueteiros (kkkkk) . Faculdades públicas, diga-se ….

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    Publicado por Marly Silva | 12 de março de 2017, 20:43
  2. Segundo uma perquisa informal, na maioria dos órgãos do Estado, em torno ou “em forno” de 90% dos servidores das secretarias e outras “rias” estão de alguma :maneira presos aos produtos oferecidos pelo Banpará, a saber,crédito computador, banpará card. Multicrédito, consignado 1 e 2, etc. Somam-se também aos terceirizados e temporários, o que não há um vínculo como o tem os servidores efetivos. Resumo, esse Banco, vaca sagrada dos governos todos que passaram e passarão, tem pés de barro. Somos poucos estados que continuam a rezar para esses santos. Até o RS vai se livrar do santo Banrisul. Espero que esteja arrumando para verder essa relíquia.

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    Publicado por marcogemaque | 13 de março de 2017, 13:26
  3. Ps: os produtos supraescritos chegam a comprometer de 60% a 80% dos redimentos dos servidores.Hà casos de 90%. Quanto do 13% do salário dos servidores é colocado na economia do Estado ou na carteira do Banpará através do banpará vai voltas às aulas, vai às férias ou vai ao Círio ? Em dezembro, a vaca sagrada faz mais milagre que a santinha de Nazaré.

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    Publicado por marcogemaque | 13 de março de 2017, 13:39
  4. Bem…se os salarios dos funcionarios publicos nao fossem manejados pelo Banpara seria manejado por algum outro banco privado. Como a maioria dos funcionarios publicos é contra qualquer privatizacao, entao eu assumo que todo mundo esta contente em contribuir com o atual estado das coisas, nao é verdade?

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    Publicado por Jose Silva | 15 de março de 2017, 11:50

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