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Cidades, Cultura

Palacete Azul: o silêncio

O Palácio Antonio Lemos, que é a sede da prefeitura de Belém e do Museu de Belém, não foi apenas ameaçado, na semana passada, por um princípio de incêndio, um acidente menor.

O que houve foi um incêndio completo, que foi estancado no início porque a preciosa construção neoclássica do final do século XIX fica a uns 100 metros de um quartel do corpo de bombeiros.

A prefeitura se empenha em minimizar o incêndio, o que está conseguindo, com a contribuição de uma desnorteante omissão de pessoas, autoridades e instituições. Parece que tudo se acabou sem haver um levantamento dos danos e uma imediata atitude preventiva para recuperar o prédio e evitar um novo sinistro. Foi a mais grave ameaça registrada nos últimos tempos sobre o patrimônio histórico, arquitetônico e artístico de Belém.

A propósito, o leitor Fabrício fez as seguintes observações:

“A reforma referida no palacete azul foi a de 1926 em que o que o prédio construído em área pouco apropriado como o alagado do Piri mostrava grande rachaduras e dado como de difícil recuperação de sua estabilidade. Com um trabalho de engenharia pioneiro Henrique Santa Rosa utilizou técnicas heterodoxas e inovados, mesmo com toda descrença conseguiu recuperar o edifício histórico.

Lembro de algumas notas do Jornal Pessoal anos atrás sobre a deterioração do espaço, e reformas a altos preços eram realizadas quando já necessidade era indispensável, acho que no governo de Duciomar.

Incêndios com as instalações elétricas, ar condicionados e curtos circuitos povoam as noticias de Belém. O que o Crea [Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura] fez disso tudo e o que atuou para tentar dirimir estes problemas ainda busco saber, mal vejo eles se pronunciarem.
Acidentes históricos temos o da alfândega e dos mercedários, o do prédio da receita federal e do INSS que continuam sem uso no meio do espaço.

Sobre um processo nas costas, e uma possível morte, muita pessoas voltaram a discutir e a lembrar do incêndio no Pronto Socorro, Mario Pinotti, da 14 de Março. Ainda na gestão de Zenaldo Coutinho, também com a causa no ar-condicionado e uma relação discutível com os bombeiros e seu laudo isentando o prefeito”.

Sobre a ação dos bombeiros, Fabrício reproduziu a mensagem do professor de história da UFPA, Aldrin Figueiredo:

“Eis que você acorda com a notícia de um princípio de incêndio no Palácio Antonio Lemos. Os bombeiros vão lá para apagar o incêndio na sala dos altos e alagam a biblioteca do Museu de Arte de Belém que fica na sala do andar de baixo. Livros, cartas, documentos encharcados!

Não é de hoje que fotos e mais fotos circulam na rede sobre o estado de abandono do prédio que abriga ao mesmo tempo a prefeitura e o museu. Agora imagine: se a própria sede do poder municipal está nessa situação, pense o resto da cidade? Até quando vai se ficar pensando se o prefeito é meu ou seu amigo? Se é do partido tal ou daquele outro? Se é do PSDB ou do PSOL? Se é de esquerda ou de direita?

A omissão é o pior dos males. Vale lembrar que este edifício, no século XIX chamado até de Hôtel de Ville em alusão á prefeitura de Paris, tal a sua imponência e riqueza, hoje passa alguns de seus piores dias. Nas suas salas de frente estão obras de arte de valor inestimável para o país, que seria cansativo aqui arrolar – de De Angelis a Benedito Calixto, de Mathurin Moreau a Theodoro Braga, de Georges Wambach a Antonio Parreiras.

Meus senhores e minhas senhoras, correndo enorme risco, está aí a pinacoteca de Belém, que vem sendo constituída desde o Império por outros intendentes e prefeitos que mais amor e dedicação tinham por sua cidade. O fogo de hoje já deu seu aviso. Tomara que amanhã não choremos ainda mais sob os escombros de uma coleção e de uma história que nunca mais será recuperada”.

Em nova postagem, Fabrício transcreveu novo comentário do professor Aldrin:
“O Museu de Arte de Belém está fechado. Hoje, uma parte do teto em estuque do Palácio Antônio Lemos, ricamente decorado despencou no salão verde, ao lado da tela Os últimos dias de Carlos Gomes, de De Angelis e Capranesi, pintada em 1899 (que pesa coisa de 1 tonelada). Os órgãos ditos competentes estão esperando mais o quê?

Um tsunami? O desencanto da cobra grande? A ressurreição do próprio Lemos para que ele possa tomar uma providência? A volta do Rei Sebastião? Ninguém vai chamar esse prefeito às falas? Nada?”.

Discussão

5 comentários sobre “Palacete Azul: o silêncio

  1. Prefeitura quebrada e governo ineficiente dá nisso. Enquanto nao houver um plano decente e ousado de recuperacao economica de Belem continuaremos a ver essas e outras mazelas.

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    Publicado por Jose Silva | 15 de março de 2017, 11:53
  2. Volto à questão do tributo sobre o minério e a energia elétrica. Nossos acomodados deputados e senadores precisam defender o Pará no Congresso Nacional.

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    Publicado por Pedro Pinto | 16 de março de 2017, 04:39
  3. Estarrecedor!… A cobra grande passeia lépida entre nós, e nada provoca reação diante de tantos #Crimes .

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    Publicado por Amélia Oliveira | 16 de março de 2017, 12:59
  4. Agradeço a o espaço oferecido e a divulgação de um fato importante sobre a deterioração do patrimônio municipal. Gostaria de aproveitar para falar um pouco sobre a deterioração do patrimônio da cidade citando alguns casos, monumentos públicos e particulares, importante a diferenciação quando se fala de cobrança de atuação, preservação e restauração do patrimônio de Belém. Lembro das boas propostas feitas como prefeito virtual para preservação destes espaços.
    Primeiramente mostrando a reportagem da tv liberal sobre este patrimônio e a conversa com representantes de associação empenhadas no restauro destes locais. A luta pela inclusão destas edificações em programas como o PAC dos monumentos históricos, infelizmente só integrado neles os espaços públicos. Ressalta-se que se fala muito dos casarões de Belém , lembrando sempre do centro, esquecendo dos belos palacetes de Icoaraci e Mosqueiro.
    http://g1.globo.com/pa/para/bom-dia-para/videos/t/edicoes/v/em-belem-predios-historicos-sao-retrato-do-descaso/5740463/
    Nisso cito uma importante campanha na internet realizada pela página de facebook Belém Antiga tentando que junto com seus seguidores tenta organizar uma ideia de projeto para preservação do edifício da Farmácia Central centenária, na Presidente Vargas, em frete a Praça da Republica. Os donos estariam deixando o negocio e sem ideia de uma nova atividade estariam dispostos a vender o local, não sei se agora desistiram, mas é importante um espaço assim antigo tão bem preservado. A campanha ganha incentivo a partir de reportagens sobre o espaço, citação dos fatos históricos e belas fotografias do local, citando fatos como a presença de um elevador elétrico ao fundo da farmácia, levantando a questão que poderia ser o mais antigo da cidade ou do país.
    Gostei de ideias como a de criar um museu sobre a farmácia, a historia do sincretismo da ciência e do saber local ressaltando as ervas medicinais de nossa fauna e o histórico do medicamentos e tratamentos feitos na cidade, nos diversos anúncios de jornal. Principalmente pelo fato de a Faculdade de Química, ainda não integrada a Universidade Federal do Pará, já ter funcionado no pequeno prédio do Museu Comercial, na praça, bem próximo dali.
    A campanha teve a importante adesão de personalidades como Nilson Chaves, a que desejo saúde, por recentemente ter passado pelo hospital em grave internação. Com a sua licença, ao fim transcrevo seu texto sobre a farmácia.

    Ainda falando sobre farmácia, convido as pessoas a acompanharem a exposição no segundo andar do centur, na hall de entrada da biblioteca que leva seu nome, sobre o farmacêutico Arthur Viana quem realizou importantes estudos e pesquisas sobre a medicina e outros assuntos, bem como o seu irmão mais novo Gaspar.
    A campanha do Belém Antiga se estende comentando outros monumentos que hoje vão se deteriorando, como o Bar do Parque, também na praça, e o Palacete Miranda Correa, na Magalhães Barata, de rara beleza. Poderíamos citar outros casarões, bem mais esquecidos, como o de Marques Braga projetado por Filinto Santoro em raro estilo lombardo, deteriorando-se bem em frente ao Palacete Faciola ou o prédio Dioclesiano Correa, escondido atrás da concha acústica da praça de Nazaré, que descobri que era pai do dono do palacete Miranda Correa.
    A seguir o texto de Nilson Chaves.
    “Belém Antiga começa agora uma campanha para que se possas salvar uma das mais antigas farmácias do Brasil. Ela nasceu há exatos 111 anos na recém construída Praça da República que ocupava o antigo Largo da Pólvora, para onde caminhava a expansão da cidade, antes restrita a Cidade Velha, a Campina e ao Reduto.
    Na Avenida da República ( só depois ganhou o nome de 15 de agosto e Presidente Vargas ) Começou como Farmácia Dermol, virou Farmácia Central, e desde 1967, tem o nome de Farmácia República.
    Faz parte de uma geração de farmácias que fabricava os próprios remédios e tem sido depois de mais de 100 anos, referência para várias gerações desta cidade.
    A Farmácia República, que milagrosamente, mantém preservada a arquitetura, o mobiliário e ,mesmo parte do acervo centenário vai fechar as portas. Afetada pela concorrência das redes, não consegue mais sobreviver como Farmácia.
    O prédio, deslumbrante, mas hoje perdido entre construções de gosto duvidoso, está sendo colocado para locação. Se alugado para qualquer atividade comercial convencional, todo este patrimônio deve ir para o lixo, e daqui há alguns meses, vamos voltar a esta página, lamentando que nada fizemos.
    Existe uma chance. Vamos mobilizar cada um de nossos leitores para que juntos possamos encontrar uma solução. Vamos transformar a República em um Centro Cultural, em uma atração turística, que consiga manter todo este patrimônio, mesmo incorporando uma nofina finalidade econômica.
    Quem se mobilizou por manter aberto o Olimpia que é mais novo (1912) que a velha Farmácia Republica (1906), pode fazer a rede de relacionamento funcionar, e que se encontre uma solução.
    Nos próximos dias, Belém Antiga vai desvendar parte destes segredos e parte deste acervo.
    Se você ficar calado, só vão restar poucas lembranças.”

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    Publicado por Fabrício | 23 de março de 2017, 21:08

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