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Economia, Energia, Grandes Projetos, Hidrelétricas, Transporte

A China chegou

Se os negócios continuarem a evoluir como estão evoluindo, os chineses serão os donos da infraestrutura da Amazônia na passagem para a próxima década. Eles já controlam as linhas de transmissão de energia que saem da maior hidrelétrica inteiramente nacional (e a terceira do mundo), Belo Monte, tanto para o sul quanto para o norte do país. Podem assumir o controle da própria usina, porque seus atuais controladores dificilmente vão continuar a manter-lhe o controle.

Os chineses também estão na outra extensa linha (todas com mais de dois mil quilômetros de extensão) que conduz a energia das duas usinas do rio Madeira, em Rondônia, também das maiores do Brasil, para o sul. Agora se empenham em comprar uma delas, a de Santo Antônio.

A maior empresa de infraestrutura da China participa da empresa que vai construir um porto multimodal em Cajueiro, o novo e mais amplo terminal de São Luís do Maranhão, que recebe a produção de minério de ferro de Carajás, o segundo produto de exportação do Brasil.

Para esse porto, os chineses querem fazer convergir as ferrovias Norte-Sul e Transnordestina. Já cobiçam a chamada Transgrão, que levará soja e outros grãos do Centro-Oeste para os portos paraenses e do Amapá. Estudam outra ferrovia, que lhes dará acesso ao Pacífico pela Amazônia. Talvez retomem o projeto de uma siderúrgica para seguir por essa via.

A China pretende investir neste ano tanto quanto aplicou no Brasil em 2015 e 2016, ou 20 bilhões de dólares, mais de 60 bilhões de reais.

Já não é motivo suficiente para analisar o conjunto desses negócios e interpretar-lhe o significado? Ou vamos continuar a nos contentar com o apito dos trens?

 

Discussão

11 comentários sobre “A China chegou

  1. A interpretação é simples: é a continuidade da expansão do capitalismo sobre a região, transformando-a de vez em almoxarifado global para atender a crescente demanda da China e de outros países por produtos diversos.

    A principal diferença desta vez é que o novo capitalismo é de inspiração marxista, ou seja, não considera a questão ambiental como relevante (tal como o capitalismo da década de 70). Este tipo de capitalismo marxista vai em direção oposta ao capitalismo reformado via o conceito de desenvolvimento sustentável, que tenta ser o paradigma dominante desde a década de 90.

    Em suma, ao invés de avançar estamos retornando ao passado. Parabéns a todos! Serviço muito bem feito!

    Qual as razões para tanto retrocesso? Falta de lideranças políticas inovadoras, falta de gente qualificada, falta de empreendedores reais, cultura regional conformista, etc, etc. Quem quer ajudar na lista para explicar o nosso fracasso como região?

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    Publicado por Jose Silva | 20 de março de 2017, 12:34
  2. vamos entrar novamente no debate a respeito das decisões sobre a Amazonia serem tomadas sem nos ouvir?Ou aos políticos que dizem ser representantes do povo do Pará? Os instrumentos de controle popular deveriam se tornar cada vez mais refinados para observar a atuação dos deputados estaduais e federais , idem os senadores e governo do Estado. Há alguma discussão nesses foros a respeito dessas questões ligadas ao nosso destino? Creio que não, pois assuntos dessa estirpe exigiria a convocação das entidade de representatividade da nossa população.

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    Publicado por ARLINDO OCTÁVIO DE CARVALHO NETO | 20 de março de 2017, 16:34
  3. Que tal pensarmos a estratégia possível?

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    Publicado por Glauber Júlio | 20 de março de 2017, 17:16
  4. “capitalismo marxista”? Não seriam os ecos da tardia revolução industrial, que por aqui chegam, e que tanto referenda a superiora cultura eurocêntrica e faz a cabeça da tradicional família brasileira, praticante da cultura da corrupção, como o ensurdecedor silêncio sobre tal tema confirma?

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    Publicado por Luiz Mário | 20 de março de 2017, 17:26
  5. Se não temos empresas brasileiras com dinheiro para investir no país, não vejo problemas das estrangeiras entrarem aqui. Claro, respeitando legislação e regras locais. Nós, brasileiros, preicisamos parar com esse mimimi nacionalista. O país precisa avançar, crescer, e hoje, isso só possível com investimentos externos. Doa a quem doer.

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    Publicado por Romeu Praxedes | 22 de março de 2017, 13:11
    • Não é xenofobia. Como você poderá constatar relendo a nota, é um pedido de interesse e debate pelo assunto, já que envolve uma empresa controlada pelo governo chinês. O Brasil permitiu que a Vale controlasse dois dos maiores portos as duas maiores ferrovias de exportação porque era estatal. A abordagem não mudou com a privatização, mas devia. Qualquer país, capitalista ou não (se ainda os há), examinaria as implicações maiores dessa logística, tão vital ela é para a economia. Incluindo outras empresas, que podem se tornar vítimas de um monopólio. Nada é pior sob o capitalismo.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 22 de março de 2017, 13:25

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