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Agricultura, Ecologia, Economia, Política, Saúde, Terras, Trabalho

Agora, a carne é (uma) fria

Depois da Operação Carne Fraca da Polícia federal, agora é a Operação Carne Fria do Ibama, que tem a indústria da carne brasileira como alvo. Na segunda-feira, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis autuou 14 frigoríficos no Pará, Bahia e Tocantins.

Eles foram notificados por comprarem 58 mil cabeças de gado produzidas em 26 fazendas com áreas embargadas pelo Ibama por desmatamento ilegal na Amazônia.

Os frigoríficos da JBS em Redenção e Santana do Araguaia, no sul do Pará, estão entre as unidades autuadas. Ao contrário do seu procedimento usual, porém, o Ibama não apresentou os resultados da operação, causando estranheza entre alguns observadores da ação, considerada “uma das mais bem-sucedidas em flagrar grandes infratores”, segundo o Poder360, de Brasília.

Segundo o site, “a razão para atrasar a divulgação da operação do Ibama é a enorme repercussão nacional e internacional que a operação Carne Fraca causou, produzindo danos à reputação do país e da indústria da carne”.

Acrescenta que se carnes deterioradas provocaram reação da comunidade internacional, o efeito poderia ser desastroso numa repetição desse episódio. Ele demonstraria que o Brasil “exporta proteína animal produzida a partir de áreas desmatadas ilegalmente”.

Relata o Brasil360 e mais O Eco, que a Operação Carne Fria começou a ser planejada há mais de um ano. Ela se baseou não sem fiscalização em campo, mas no cruzamento de dados para pegar os infratores. A sua primeira etapa ocorreu em janeiro de 2016, quando o Ibama notificou os frigoríficos a entregar ao órgão os documentos que mostram a procedência do gado que adquirem.

Relata o site: “O documento mais importante é o chamado GTA (Guia de Trânsito Animal), usado para controle sanitário, em especial febre aftosa. De posse do GTA é possível saber qual o percurso do gado até chegar à porta do frigorífico. Os dados dos frigoríficos foram comparados com os fornecidos pela Adepará (Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Estado do Pará). A partir dessa análise, o Ibama flagrou os crimes ambientais”.

Outra consequência da operação do Ibama, segundo apurou O Eco, foi a queda do superintendente interino do instituto no Pará, Luiz Paulo Printes, um dos responsáveis por preparar a “Carne Fria. No lugar dele, estava previsto para entrar Hildemberg Cruz, considerado um quadro técnico. Mas acabou entrando Arthur Valinoto.

O site informa que o Ibama nega ter minimizado a operação, que ainda deverá durar cerca de 15 dias. Só então divulgará nota com informações oficiais. Os resultados ainda seriam parciais.

Já a JBS negou ter comprado de fornecedores irregulares. Forneceu ao Poder360 a seguinte nota:

“A JBS esclarece que não comprou animais de áreas embargadas pelo Ibama e vem cumprindo integralmente o TAC assinado com o Ministério Público Federal.

Para garantir a origem responsável de sua matéria-prima, a JBS:

* seleciona 100% dos fornecedores com base em critérios socioambientais;

* não adquire animais de fazendas envolvidas com desmatamento de florestas nativas, invasões de terras indígenas ou de conservação ambiental e que estejam embargadas pelo Ibama. As informações de movimentação dos animais entre fazendas são registradas na Guia de Trânsito Animal (GTA) responsabilidade dos órgãos governamentais;

* mantém processo sistêmico de bloqueio de fornecedores que mantenham qualquer relação com violência no campo e conflitos agrários ou que façam uso de trabalho análogo ao escravo ou infantil.

Adicionalmente, e com o objetivo de identificar e bloquear fornecedores irregulares, a JBS realiza, diariamente, o download de todas as informações contidas na lista de áreas embargadas pelo Ibama e da “lista suja do trabalho escravo” do Ministério do Trabalho (na ausência da publicação da lista do MTE, utilizamos a lista publicada pelo Instituto pela Erradicação do Trabalho Escravo – InPacto), para confrontação dos CPFs/CNPJs contidos nas listas públicas com o cadastro de fornecedores de gado da companhia”.

O Ministério da Agricultura informou não ter conhecimento da operação Carne Fria.

E agora?

Discussão

2 comentários sobre “Agora, a carne é (uma) fria

  1. Agora temos carne fraca e fria. Até parece churrascaria chinfrim de beira de estrada.

    Agora voltando a coisa seria. A pecuária amazônica, de modo geral, é um grande desastre. Desmata até não querer mais, usa mal as terras abertas, usa tecnologia do pre-cambriano, exporta boi vivo e, em muitos casos, usa trabalho escravo. Como, em sã consciência, uma indústria desse tipo pode gerar desenvolvimento sócio-econômico? Não há condições para tal. Há pecuaristas sérios, mas é minoria e, aparentemente, incapaz politicamente de mudar a agenda negativa do setor.

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    Publicado por José Silva | 22 de março de 2017, 23:07
    • Seria uma excelente hora para essa minoria aparecer, se manifestar e assumir as rédeas do setor. Já que a maioria que deprecia o setor pode enfim ter sido severamente impactada pelo combo da dupla operação contra suas práticas criminosas. Oremos.

      Curtir

      Publicado por Marlyson | 23 de março de 2017, 08:35

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