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Imprensa, Polícia, Saúde

Saúde: caso de polícia

No domingo passado, O Liberal noticiou que uma investigação interna da Unimed virou caso de polícia na Divisão de Investigação e Operações Especiais da polícia civil. O jornal disse ter tido acesso a uma queixa-crime protocolada na DIOE solicitando abertura de inquérito para verificar possíveis irregularidades em contratos da cooperativa de médicos com empresas e pessoas físicas.

Segundo o jornal, um contrato de alocação do espaço onde funciona a Policlínica da Unimed, localizada na avenida Almirante Barroso, poderia ter indícios de fraudes. A cooperativa dos médicos fez um contrato com a empresa Medcare Comércio e Serviços Hospitalares Ltda., proprietária do prédio.

A denúncia era de que “os nomes das pessoas que constam como proprietários da Medcare na Junta Comercial do Pará (Jucepa) talvez não sejam dos verdadeiros donos da empresa”, que atua no comércio varejista de artigos médicos e ortopédicos e aluga equipamentos científicos, médicos e hospitalares. Suas proprietárias são Rosângela Maria Serra Neves e Amália Silva da Silva.

A Unimed pagaria aluguel mensal de 80 mil reais para sua policlínica funcionar em dois andares do prédio da Medcare, ou R$ 960 mil por ano. A queixa-crime aponta que uma investigação interna na Unimed “constatou que a proprietária da empresa Medcare, Rosângela Maria Serra Neves, que tem, portanto, um grande contrato de alocação, tem como residência uma pequena casa no Jardim Ananindeua. O padrão não se adequaria a alguém que ganha aproximadamente um milhão de reais por ano. A reportagem esteve na casa de Rosângela Neves, no Jardim Ananindeua, mas o local estava fechado. Vizinhos informaram que é raro ver movimentação na residência”, relatou o jornal da família Maiorana.

O Liberal cita a queixa-crime para levantar a suspeita de que a sócia da Medcare teria cometido crime de sonegação fiscal, “se ficar comprovada a fraude no caso da policlínica, por “prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno, com a intenção de eximir-se, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei”, segundo um dos enquadramentos legais.

A denúncia alega que os fatos seriam de conhecimento do atual presidente da Unimed, Wilson Yoshimitsu Niwa. E sustenta que os fatos que podem gerar danos para a cooperativa de médicos.

A outra sócia da Medcare, Amália Silva da Silva, também proprietária da Gestão e Assessoria em Medicina Segurança e Saúde Ocupacional Ltda. (Gamso), seria acusada pelo Ministério Público do Estado do Pará de subtração de verbas que eram destinadas ao hospital público Ophir Loyola – referência no tratamento de câncer.

O Liberal diz ter procurado “fontes internas da Unimed”. Pedindo para não serem identificadas, elas teriam declarado que “enquanto a Unimed aluga e paga por um espaço para sua policlínica que está com suspeitas de fraudes, o Hospital Geral da Unimed está abandonado, na travessa Castelo Branco, no bairro do Guamá. O espaço, que deveria se transformar em uma referência de atendimento médico na região, é hoje um grande depósito de arquivos e objetos sem uso. Há pelo menos sete ambulâncias velhas do lado de fora na área externa do prédio. Já na parte interna é possível ver cadeiras, mesas e muitas caixas de arquivos jogados no chão. O prédio mostra sinais claros de abandono”.

Depois de resposta apresentada pela direção da Unimed, já aqui reproduzida, hoje foi a vez da Medcare Hospitalar se manifestar, através de nota publicada no Diário do Pará. Antes de abordar os fatos, ressalvando que não participa, “sob nenhum aspecto, do processo eleitoral em curso da Unimed Belém”, com a qual a sua relação “é exclusivamente empresarial”. A eleição está sendo realizada hoje.

Argumenta que a relação contratual é benéfica às duas partes. Informa que só passou a receber o aluguel nove meses depois de ter realizado investimentos na policlínica, “inclusive em móveis e equipamentos”.

Corrige o jornal, garantindo que a ocorrência policial na DIOE foi de autoria da própria Rosângela Neves. Procurou a polícia assustada por verificar que um veículo preto rondava a sua antiga residência, “levando medo e preocupação aos moradores da vizinhança”.

Igor Faillace foi identificado pela polícia como o dono do carro, mas quem se apresentou para depor foi o irmão dele. O médico José Luiz Faillace, que é candidato da oposição à direção da Unimed, teria admitido ser o responsável pelas rondas no local, “onde ele supunha morar sócia da Medcare”. O objetivo talvez fosse o de ter acesso a informações dos contratos firmados com a Unimed Belém, o que ele podia obter por “meios legais”, observa a nota da Medcare”.

A sócia da empresa, “sem saber o que de fato ocorria”, teve receio de que o seu marido, gerente de uma instituição bancária, pudesse ser alvo de sequestradores. Por isso, foi se abrigar na casa de parentes “até saber quem era o autor das rondas”.

A Medcare diz dispor de certidões fornecidas pelo Tribunal de Justiça do Estado “comprovando que nem a Sra, Amália e nenhum outro membro da Medcare responde a ação judicial”.

A empresa informa ter acionado o seu departamento jurídico “para adotar todas as providências cabíveis”.

A Unimed já declarou que o noticiário de O Liberal é tendencioso e serve de retaliação por parte do jornal à cooperativa, que insiste em cobrar dívida de 11,3 milhões de reais do jornal, ainda não paga. A preocupação da Medcare em destacar sua isenção em relação à eleição da nova diretoria da cooperativa, dona do maior plano privado de saúde do Pará, revela a quanto desceu o processo eleitoral desceu. Virou caso de polícia. E de má fé jornalística.

Discussão

5 comentários sobre “Saúde: caso de polícia

  1. É fácil de entender. O Liberal está fazendo o possível (e principalmente o impossível, do ponto vista ético) para evitar a dívida de quase 12 milhões de reais. É uma pequena fortuna e o jornal está disposto a tudo para vencer. A situação financeira do jornal deve estar mesmo desesperadora.

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    Publicado por José Silva | 26 de março de 2017, 15:44
  2. Até onde esse jornaleco é capaz de descer? Ouço e leio uma quase unanimidade de médicos belenenses, cooperados ou não, das mais variadas matizes políticas, de que o atual presidente Wilson Niwa opera verdadeiro exemplo de gestão e moralização nas contas e na cultura da direção da entidade desde que a assumiu. Ainda dizem ser longo e árduo o caminho de assepsia do caos nevado que herdou do seu antecessor-celebridade, mas que mesmo assim já entrega resultados contábeis animadores e um futuro ainda mais otimista. Esse comportamento da ORM e a dívida milionária que a cooperativa insiste em cobrar (e o faz muito bem!) só parecem confirmar as impressões repassadas pelos doutores, de que a luta e portanto os fronts de batalha do Dr. Niwa são várias, internas e externas…
    Com orçamentos milionários numa terra miserável, eleição da Unimed, assim como da AP, geram tanta estória e baixaria quanto as eleições políticas propriamente ditas.. que lástima.

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    Publicado por cidadão | 27 de março de 2017, 04:18
  3. Perder o governo, a parti de 01 de Janeiro 2019.Não fazem falta nenhuma.

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    Publicado por meu voto e 45. | 27 de março de 2017, 20:53

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